Na base do conhecimento está o erro

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Posturas, independência e militância.

RM MP 1

Hoje voltei a assistir a uma reportagem televisiva onde Rui Moreira, referindo-se a Manuel Pizarro, elogiou a sua competência e lealdade como Vereador e reiterou a estima pessoal tem por ele. Manuel Pizarro, por sua vez, acusou Rui moreira de não respeitar acordos por ter descartado o PS e que era uma tristeza verificar que nem todas as pessoas levam os acordos tão a sério como ele próprio leva.

Começo por salientar que, ao contrário do seu adversário, Manuel Pizarro foi incapaz de elogiar Rui Moreira, preferindo focar-se no cumprimento de acordos. Mas quais foram os acordos que Manuel Pizarro diz ter respeitado? O acordo com Rui Moreira não foi de certeza. Para dizer que o respeitou era necessário que a interferência e/ou ingerência do PS Nacional, através da sua secretaria geral adjunta, Ana Catarina Mendes, não tivesse acontecido. Não era Rui Moreira que se iria recandidatar como independente nas listas do PS, mas sim Manuel Pizarro que seria incluído na lista independente de Rui Moreira.

Ora, não acreditando que existam duas versões do acordo, i.e., uma para o Porto e outra para Lisboa, considero que este facto demonstra duas circunstâncias.

Primeiro, que Manuel Pizarro, claramente, negociou termos dum acordo sem poder para tal e foi desautorizado pela direção nacional do PS. Ou seja, Manuel Pizarro fez um acordo com Rui Moreira sem autonomia para o estabelecer. Para além disso, conforme foi nitidamente perceptível à data, não conseguiu disfarçar o incómodo criado pelos seus camaradas de partido.
Segundo, perante esta evidência, transfigura-se o limite da independência de Manuel Pizarro. A militância partidária tem custos e condiciona a liberdade individual.

Que o diga o Presidente da Federação Distrital do PS!

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uma vítima sacrificial — BLASFÉMIAS

Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional considera que esta mania de procurar responsáveis, quando as coisas correm mal, obedece a uma lógica «sacrificial», segundo a qual, presumo, tem de haver sempre, nestes casos, um bezerro para a degola pública. Ora, não tendo Sua Excelência vocação para bezerrar, ele nega todas as «responsabilidades» (responsabilidades, o […]

via uma vítima sacrificial — BLASFÉMIAS

Posso estar errado, mas quando um Ministro acredita ser inimputável a governação não é boa.


Dualidades ou PS a quanto obrigas!

MP Dual

Alexander Hamilton e John Adams, dois dos pais fundadores dos Estados Unidos da América, consideravam que não deviam existir partidos políticos, pois os mesmos representariam divisão em vez de união.

É verdade. Os partidos dividem! Todavia, até certo ponto, as divergências inerentes aos partidos políticos são salutares. Permitem a diferenciação, facilitando as escolhas.

Pessoalmente, considero ser muito mais problemático a limitação da autonomia e da lealdade que os partidos provocam. São estranhas determinadas críticas? É evidente que são. E o primeiro a reconhecer a estranheza foi o próprio Manuel Pizarro quando afirmou que não seria compreensível uma candidatura sua contra Rui Moreira. Mas as circunstâncias mudaram e a lealdade de Manuel Pizarro ao PS, apesar de inteiramente legítima, traduziu-se numa incoerência e numa contradição entre Manuel Pizarro que não era candidato e o agora candidato Manuel Pizarro.

Por fim, sobre as afirmações de Manuel Pizarro relativas à cruzada de Rui Moreira contra os partidos políticos, saliento que, sendo o Rui Moreira um pluralista que sempre defendeu a importância e o papel dos partidos políticos na democracia, considero ser injusto afirmar que o Rui Moreira não gosta do PS, em particular, ou de qualquer outro partido. Estas afirmações de Manuel Pizarro são meras retóricas políticas demagógicas, que revelam não apenas que o mal-estar criado pelo PS Nacional ainda não foi completamente sanado, como também evidenciam a falta de substância argumentativa. Só faltou dizer que Rui Moreira não é democrata!

Ora, o Rui Moreira não precisa que eu o defenda. A postura dele, expressa e comprovada nas considerações pessoais que tece sobre Manuel Pizarro, afirma-se por si mesma.

E eu penso que este tipo de atitude deve ser realçada!


Decência e Defesa de interesses

Ent Listas RM

 

Dentro dos limites da lei, qualquer pessoa e/ou entidade pode fazer o que entender para defender os seus interesses, incluindo fazer uso do poder judicial se considerar que esta via é a única que garantirá a defesa dos mesmos. Tratando-se duma prerrogativa consagrada e possibilitada pela lei, e tendo em mente que a lei é apenas uma questão de interpretação, não há nada a dizer sobre isso.

Todavia, qualquer tipo de disputa, incluindo a eleitoral, não implica a falta de respeito pelos adversários.

A atitude do PSD e do seu candidato à Câmara Municipal do Porto (CMP), Álvaro Almeida,  deixou-me verdadeiramente perplexo. Não me refiro à questão da defesa daquilo que entendem ser os seus direitos, mas sim ao modo e forma da sua conduta.

Assim que teve conhecimento dos pareceres da Comissão Nacional de Eleições (CNE), quando ao conteúdo das siglas e da referência/utilização da palavra “partido” por parte dos movimentos independentes, Álvaro Almeida e o PSD, poderiam ter tido a cortesia de contactar a candidatura do seu adversário, Rui Moreira, sobre a circunstância em questão, apresentado a sua posição sobre o assunto e igualmente as iniciativas que tomariam se nada fosse alterado. Só depois duma iniciativa como esta é que a postura do PSD, e do seu candidato, seria mais compreensível e/ou aceitável.

Os argumentos parecem carecer de substanciação. Se há quatro anos, os portuenses não se enganaram e escolheram quem quiseram para liderar a cidade, porque motivo iriam agora ser induzidos em erro? Creio que o portuenses passaram a conhecer muito melhor o Dr. Rui Moreira. E porque razão é que a lista que o Dr. Rui Moreira lidera à CMP também foi impugnada? Ele é o candidato!

Para além do mais, a expressão utilizada pela candidatura independente do Dr. Rui Moreira – “Rui Moreira: Porto, O Nosso Partido” – nada mais é do que um mero lema ou slogan. Nunca poderia ser identificada com um partido. Primeiro, porque não existe semelhante partido. Segundo, porque o Porto não é um partido. É uma cidade.
Trata-se simplesmente duma figura de estilo que, traduzida num lema ou slogan, apenas procura exprimir o sentimento de identificação, de pertença, de amor e de querer bem à cidade do Porto.
Estou certo que tanto o Dr. Rui Moreira como os restantes candidatos que com ele concorrem à CMP, à Assembleia Municipal e às Juntas de Freguesia do Porto partilham deste sentimento: gostam e querem o melhor para a cidade do Porto.

É evidente que o objectivo final desta impugnação não é a denominação oficial da candidatura, mas sim impedir a recandidatura do Dr. Rui Moreira. Não existe qualquer outro! Estamos, portanto, perante um cenário que pode ser ilustrado pela expressão “ganhar na secretaria”. No entanto, para o PSD e seu candidato, ganhar nestas circunstâncias é uma ilusão. Não serão Álvaro Almeida, e o PSD, quem beneficiará com esta impugnação. Será antes Manuel Pizarro e o PS.
E, na consubstanciação desta situação, a impugnação das listas do Dr. Rui Moreira, o PSD deve preparar-se para o impacto da mesma nas próximas eleições legislativas.


António Costa não poupa

Primárias PS

Foto: AFP/Getty Images

 

Na entrevista que deu ao programa “Alta definição, António Costa afirmou que “Não sou muito poupado com o dinheiro. Não tive muito para poupar”.

Nós sabemos, Senhor Primeiro-Ministro. Nem com o seu dinheiro, nem com o dos outros. Basta recordar o seu comportamento durante as primárias socialistas que o levaram à liderança do partido.

António Costa tinha previsto gastar 163 mil euros [mas] quando foram apuradas as contas, a campanha do agora Primeiro-Ministro gastou 428.297 euros“.

António Costa gastou mais do dobro do que tinha planeado.

Se Costa gere assim o PS, podemos esperar que a sua governação seja diferente?

O dinheiro não é dele. É dos contribuintes. E ele gasta-o sem qualquer problema!


Da falta de credibilidade!

MPCF CMP2

As mais recentes declarações de Manuel Pizarro e Correia Fernandes são simultaneamente inacreditáveis e esclarecedoras. Já vimos qual vai ser o mote da campanha do PS à Câmara Municipal do Porto:  na falta de substância, vão atacar o carácter de Rui Moreira.

Relativamente à decisão do PS em apoiar a candidatura do Rui Moreira, expressei, no tempo próprio, a minha estranheza. Mesmo considerando o nível de entendimento que Rui Moreira e Manuel Pizarro patenteavam.  As razões da minha estranheza eram, essencialmente, duas: Primeiro, a necessidade de financiamento do PS, que é um partido falido; e, segundo,  a capacidade eleitoral face às legislativas. Com este apoio, o PS estava não só a “dispensar” a subvenção pública como também prescindia de uma medida de aferição nas urnas. É verdade que existem factores diferentes na decisão dos votantes nas eleições autárquicas e legislativas, mas se o PS obtivesse mais votos do que aqueles que conseguiu nas autárquicas de 2013, poderia tirar outro tipo de ilação em relação às próximas legislativas.

Em fevereiro do ano passado, Pizarro afirmou que “ninguém entenderia se concorresse contra Rui Moreira“. Palavras proféticas, eu diria. É verdade. Esta situação é incompreensível. Particularmente depois de em outubro último, o PS/Porto ter decidido, por unanimidade e aclamação, apoiar a recandidatura de Rui Moreira. De um momento para o outro, inexplicavelmente, o PS deixou de ser rever no projecto de Rui Moreira. Para além disso, esta decisão também significa que as criticas de Manuel Pizarro ao centralismo não são substanciadas. Aliás, mais cedo ou mais tarde, Pizarro será confrontado com essa incoerência. Creio que, no limite, o empenho de Pizarro no descentralismo é pequeno.

Se Pizarro, em 2013, não teve nenhuma dúvida em ir contra os órgãos distritais e nacionais, porque razão não foi capaz de reafirmar agora a sua independência? Principalmente quando “à frente de tudo tem de estar o interesse do Porto e o interesse dos portuenses”?

A verdade é que, para Pizarro, o PS está à frente do Porto. E, ao contrário do que afirma, Pizarro foi várias vezes beneficiado por ser militante socialista. Não sei se, eventualmente, alguma vez foi diminuído por essa condição? Por Rui Moreira, que sempre reconheceu “as competências específicas” de Pizarro, não o foi de certeza.

Por sua vez, a entrevista de Correia Fernandes à Sábado é inenarrável. Se Rui Moreira é uma pessoa com “falta de cultura democrática”, porque razão só agora é que o afirma? Será que Correia Fernandes não tem integridade pessoal?

Se, efectivamente, existia falta de cultura democrática no executivo liderado por Rui Moreira, Correia Fernandes não só deveria ter denunciado essa circunstância como também deveria ter-se demitido imediatamente das suas funções. Se o tivesse feito, teria manifestado a sua condição de defensor da liberdade e da democracia e estaria a afirmar a sua credibilidade e o seu desprendimento face aos lugares políticos. Não foi isso que aconteceu. Trata-se somente de um ataque

Quer se goste ou não, a militância partidária inibe a liberdade individual. Creio que este episódio só demonstra essa realidade. E na certeza que nenhuma relação é estritamente linear, especialmente no contexto das relações humanas, não deve ser a posteriori que determinadas coisas são expressas. A frontalidade adquire outro valor, outra credibilidade, quando é manifestada pessoalmente e no tempo próprio.

Estas duas entrevistas exemplificam o tipo de campanha política que o PS irá fazer no Porto. Não passam de ataques ao carácter do Presidente da Câmara Municipal do Porto. E mais não evidenciam do que falta de credibilidade.


Francisco Louçã e os insultos ou do credo “louçãniano”!

louçãniano

No último artigo de opinião de Francisco Louçã nos blogues do Público – O escroque contra a fascista – não é de estranhar a tónica do conteúdo. Não. Esta é perfeitamente coerente com as crenças do autor, não passando do seu registro habitual. E também não deve ser surpreendente a escolha dum insulto como título do artigo. Trata-se da pratica usual de Francisco Louçã.

Convém não esquecer que o pensamento político de Francisco Louçã  está baseado em manifestações de fé, i.e., dogmas que não podem ser questionados. Por outras palavras, não é difícil verificar a ausência de pressupostos racionais – sustentados na lógica, resultantes do apuramento que apenas é possível através de um processo de contraditório – no seu discurso.

Eu reagi ao artigo e comentei. Acabei por ser banido. Não sendo o blogue em questão meu, aceito perfeitamente que a última palavra não me pertença. Todavia, a censura e o conteúdo das respostas de Francisco Louçã são inaceitáveis.

Note-se que para comentar é necessário proceder a uma identificação que passa pelo preenchimento de três campos: Nome, email e website. Sem este procedimento, o comentário não será aceite. Assim, quem comenta não tem a possibilidade de anonimato. Feita esta descrição, este foi o meu primeiro comentário:

O complexo de Deus parece ser uma epidemia comum na esquerda portuguesa, cujo nível de intensidade aumenta à medida que nos aproximamos do extremo.
A maior parte dos socialistas desconhece o legado de Marx. Ignoram, quase por completo, que por exemplo, em 1844, no artigo “On the Jewish Question”, Marx propõe uma “solução final” para os judeus. Contudo, não acredito que Francisco Louçã nunca tenha lido este e outros artigos de Marx.
Quer goste ou não goste, o Marx tinha mais em comum com o Hitler e com o Mussolini do que com qualquer pensador liberal.
Talvez considere que Trotsky foi uma excepção? Mas, sem Marx, o Trotsky teria sido o que foi?
E talvez seja por esta proximidade que o senhor esteja triste pelo resultado do Mélenchon e que não se preocupe com uma eventual vitória da Le Pen.

A reacção de Francisco Louçã não me surpreendeu. Foi insultuosa e procurou desviar o assunto:

A ignorância não permite tudo. Marx, que até era judeu, não propôs nenhuma “soluçao final” para os judeus. Talvez fosse melhor ler os textos em vez dos panfletos da Conspiração dos Sábios do Sião.

Mas eu insisti, escrevendo o seguinte:

Professor, tem razão. A ignorância não permite tudo. Ou será que permite?
Sim, eu sei que Marx era judeu. Mas essa condição implica que ele gostava dos judeus? Ou de o ser? A leitura das cartas que Marx escreve a Antoinette Philips (março de 1861) e a Friedrich Engels (julho de 1862) é esclarecedora.
Tendo em conta o conteúdo da sua resposta, vou partir do principio que não leu o texto que referi – “On the Jewish Question” – no meu comentário inicial. E que igualmente não leu outros textos de Marx, como por exemplo, “Confessions of a Noble Soul” (1848); e “The Russian Loan” (1856).
Posso, evidentemente, estar errado, mas se o Professor tivesse lido o texto em questão teria percebido que existia uma razão para a expressão solução final ter sido referida entre aspas. O Marx não defendeu uma solução final idêntica à dos nazis. Não. A dele era diferente:
“Once society has succeeded in abolishing the empirical essence of Judaism – huckstering and its preconditions – the Jew will have become impossible, because his consciousness no longer has an object, because the subjective basis of Judaism, practical need, has been humanized, and because the conflict between man’s individual-sensuous existence and his species-existence has been abolished.”
Portanto, em vez de contra-argumentar com escritos do Marx, o senhor Professor sugere uma leitura aos panfletos da Conspiração dos Sábios do Sião. Não deixa de ser curioso que o faça, porque “Os Protocolos dos Sábios de Sião” também é um texto antissemita.
Para terminar, o Marx não tem culpa nenhuma que o Hitler se tenha inspirado nos seus pensamentos para desenvolver as suas ideias. Mas se o fez, foi por se ter identificado com algo. E, como deve saber, as semelhanças entre Hitler e Marx não se ficam pela questão judaica.

A reacção de Francisco Louçã ao meu segundo comentário só demonstra o seu desconhecimento, propositado ou não, sobre o legado de Marx:

De facto, o anónimo que escreve a nota anterior devia poupar-se a conversa do Protocolo dos Sábios do Sião. O que cita de Marx desmente a sua afirmação e, não me leve a mal, mas tenho alguma dificuldade se não desinteresse em discutir com antissemitas ou com falsificadores da história. Fique portanto com a sua bricandeira sobre Hitler se ter baseado em Marx e passe bem. Percebo bem porque tem que se refugiar no anonimato.

No fundo, não é de admirar. Francisco Louçã é intelectualmente desonesto. O que espanta é ao ponto que é capaz de chegar. Não sei qual é necessidade de insultar, mas ele fá-lo gratuitamente.

Ora vejamos:

Em primeiro lugar, identifiquei-me para comentar. Como tal, referir anonimato da minha parte só pode ser uma manifestação de má fé. Para além disso, desde que fiz os comentários já tive várias visitas ao meu blogue e igualmente pude constatar o constrangimento de Francisco Louçã perante comentários posteriores ao meu, de terceiros que também notam que Marx era antissemita.
Em segundo lugar, o meu pressuposto não estava errado. Francisco Louçã acabou de comprovar a sua ignorância sobre o legado de Marx. Existe quem pense que ler o “Capital” ou o “Manifesto do Partido Comunista” é suficiente para conhecer Marx. Louçã faz parte desse grupo. Eu, pelo contrário, considero essas leituras são insuficientes. Não é difícil compreender que Louçã queira acreditar que Marx tenha sido perfeito. Afinal, para ele, Marx é um deus. Infelizmente, Marx partilhava da condição humana e como tal tinha defeitos, sendo o antissemitismo um deles. Curiosamente, para desconforto e surpresa de Louçã, Marx não tinha vergonha em o afirmar. Nem o escondia, conforme é facilmente comprovável pelos escritos que deixou.
Em terceiro lugar, eu não fiz mais nada para além de citar Marx. Logo, não sou eu quem é antissemita. Marx é que o era!
Em quarto lugar, é assim tão inconcebível que o Marx não gostasse dos judeus? Creio que patenteia coerência. Marx era anticapitalista e como, segundo o próprio, eram os judeus que dominavam o capital …
Em quinto lugar, eu não estou a falsificar a história. Pelo contrário, estou a revelá-la. O Francisco Louçã é que se recusa a conhecer outras facetas de Marx. E também não estou a modificar a história, que se desenrolou sem qualquer tipo de intervenção minha.
Em sexto lugar, quem traz à discussão outro texto antissemita com a referência “panfletos da Conspiração dos Sábios do Sião” é o Francisco Louçã. E fá-lo por dois motivos: Primeiro, para disfarçar a sua ignorância sobre o conteúdo dos textos de Marx que eu referi e citei; e, segundo, para distrair as atenções relativamente à discussão.
Em sétimo lugar, apesar de outra falácia visível nas suas respostas, fui esclarecedor quanto à distinção entre a solução final de Marx e de Hitler. As duas são, obviamente, distintas. Os judeus é que eram o elo comum.

Caro Francisco Louçã, quer goste ou não goste, entre o pensamento de Marx (e de Engels) e Hitler apenas existe uma diferença de forma. O conteúdo pouco difere. Para além disso, compreendo que um Marx antissemita, xenófobo e racista não lhe seja agradável. Entendo, igualmente, que procure ignorar determinados pontos do legado marxista. Contudo, não há nada que possa fazer. O homem era o que era e escreveu o que escreveu.

Para além disso, à semelhança de outras pessoas, quando confrontado com verdades inconvenientes, opta por as ignorar. Felizmente, existem trotskistas, como Joel Kovel, que não escondem o antissemitismo de Marx: “By anti-Semitism I mean the denial of the right of the Jew to autonomous existence, i.e., to freely determine his/her own being as Jew. Anti-Semitism therefore entails an attitude of hostility to the Jew as Jew. This is an act of violence, addressed to an essential property of humanity: the assertion of an identity, which may be understood as a socially shared structuring of subjectivity. To attack the free assumption of identity is to undermine the social foundation of the self. Judged by these criteria, OJQ [On the Jewish Question] is without any question an anti-Semitic tract – significantly, only in its second part, “Die Fähigkeit.” No attempt to read these pages as a play on words can conceal the hostility which infuses them, and is precisely directed against the identity of the Jew.”

É curioso que não sendo religioso, o senhor pratica a actividade política como se fosse um membro duma classe eclesiástica. Infelizmente, comporta-se como um devoto fanático, defensor da única verdade aceitável e possível: a sua!

Relaxe e aceite a diversidade de opiniões. Argumente a defesa das suas posições com base nos conteúdos em discussão. Não faça manobras de diversão, nem utilize o insulto como meio. Tente ser correcto. Olhe que é capaz de se surpreender.

P.S. – Se Francisco Louçã foi incapaz de ter percebido as minhas palavras, dificilmente terá entendido outras. Nomeadamente, as de Marx.