Na base do conhecimento está o erro

Posts tagged “manuela ferreira leite

Ridículo é pensar que não podemos ser melhores

MFL

Manuela Ferreira Leite considerou ser ridículo que Portugal possa vir a ser o país mais competitivo do mundo, tendo em conta a “carga fiscal (…) e o investimento inexistente”.

Ridículo é pensar que Portugal não pode ser um país competitivo e, porque não, até mesmo o mais competitivo de todos. Ridículo é pensar que a fiscalidade e o investimento se vão manter inalteráveis per omnia saecula saeculorum.

É precisamente este tipo de postura que se revela problemático. Pensar que não podemos ou conseguimos ser melhores é altamente pernicioso. O maior obstáculo para a concretização de algo é pensar que não conseguimos. Uma pessoa que não acredite que não pode ou consegue ser e fazer melhor não o será ou o fará.
Logicamente, políticos que não acreditam que o seu país pode ser melhor não serão capazes de fazer um Portugal melhor.

Estou cansado de políticos resignados e sem objectivos ou horizontes ambiciosos.

Advertisements

Impostos e Manifestos

 

Há dois meses, surgiu o Manifestos dos 70. Estão recordados? Ainda se lembram dos subscritores?

 

 

Ontem, através do Documento de Estratégia Orçamental, o Governo português anunciou mais uma subida de impostos: 0,25% no IVA e 0,20% na TSU.
Tudo isto para a “nova contribuição de sustentabilidade”, cujo benefício teórico, pelas minhas contas, se traduz em 37 milhões de euros.

Mas, seguindo os critérios agora divulgados, digam-me lá quem é que ficou favorecido por este aumento de impostos?
Os que escrevem manifestos, os que falam de conspirações ou os contribuintes anónimos?

Não posso deixar de perguntar se não seria este o verdadeiro objectivo do manifesto?
Para além disso, fundações que só servem para poucos, e nas quais alguns dos subscritores do Manifesto fazem parte, também passam incólumes.
(Por favor, notem que eu não falo este tipo de “politiquês”!)

Contudo, evidentemente, outras leituras serão possíveis.

Eventualmente, esta será a principal conclusão: Não basta reclamar. Há que saber como e ter “estatuto”.


Não é só Pilatos quem lava as mãos

Só agora consegui acabar de ler o manifesto pela reestruturação da dívida (mrd), claramente o assunto do dia, e vou ter pesadelos toda a noite. Espero, sinceramente, que os mesmos não se prolonguem para a vida dos meus filhos.

Já reli o mrd. De fio a pavio. Estamos perante mais uma pouca vergonha. Ora vejamos. A certa altura, lê-se no documento o seguinte: “A crise internacional iniciada em 2008 conduziu, entre outros factores de desequilibrio, ao crescimento sem precedentes da dívida pública”

Pelos vistos, até 2008, Portugal não tinha uma dívida insustentável. Tinha dívida, sendo que a mesma já implicava um incumprimento relativamente aos critérios do Pacto de Crescimento e de Estabilidade da moeda única, mas não era insustentável. Só depois desta crise (2008) é que tal se verificou.

Alguém é capaz de me dizer quem foi responsável pela gestão dívida portuguesa desde que aderimos ao euro até 2008? Mas, já agora, não querendo ser mesquinho ou discriminar alguém, podemos considerar todo o tempo da terceira república? Alguma destas pessoas que subscreve o manifesto teve responsabilidades governativas?

E, apelando à indulgência dos promotores desta iniciativa, poderão esclarecer-me porque é que Portugal tinha dívida?

Já não tenho qualquer dúvida. Não é só Pilatos quem lava as mãos.

P.S. – Tive que reler o mrd várias vezes, por não acreditar no que estava a ler.


O pior inimigo do PSD

O objecto deste post não é qualquer tentativa de atenuar a incompetência e arrogância que caracteriza a grande maioria dos dirigentes do PSD e, consequentemente, do Governo, principalmente no que respeita à relação e comunicação com a população, mas sim salientar o que me parece ser a sua natureza.
Não está sustentado em qualquer prova palpável e apenas resulta das minhas observações ao universo das diversas particularidades que constituem o PSD.
Naturalmente, é-me impossível ver e saber tudo. Logo, a minha opinião sobre este assunto pode ser considerada mais do que subjectiva.

O pior inimigo do PSD é o PSD.

É um partido incapaz de se unir em torno dum líder.
Seja ele quem for, tem, e terá sempre, alguém a trabalhar para o seu derrube nos bastidores. Basta recordar o seu passado recente.

Quando Manuela Ferreira Leite ganhou a liderança do partido a Pedro Passos Coelho, este e nenhum dos seus apoiantes foram incluídos nas listas do partido às legislativas. E o que foi que se passou quando Pedro Passos Coelho se tornou líder do PSD?

Repito: O pior inimigo do PSD é o PSD.
No seu seio reina a mesquinhez, a intriga, o rancor e a vingança, prevalecendo o interesse pessoal dos seus intervenientes face ao interesse do partido e, consequentemente, do seu eleitorado.
Creio que só quando esta circunstância desaparecer o PSD será capaz de se relacionar melhor com a população e com o poder.

Por fim, na minha opinião, as duas grandes influências, antagónicas, que dominam ou procuram dominar o partido, são Ângelo Correia e Pacheco Pereira. Dentro destes dois, Pacheco Pereira, tendo em conta a sua personalidade e postura, vai ser aquele que mais mal vai fazer ao PSD.

Declaração de interesses: Conheço excelentes pessoas no PSD e tenho o prazer de ser amigo de dois dos seus deputados.


É preciso ter lata (3)

Manuela Ferreira Leite criticou a política fiscal do Governo por a mesma essencialmente visar o aumento da receita.
Não é que não tenha razão, mas que moral tem esta senhora para dizer isto.

Quando foi Ministra da Finanças qual foi o montante de despesa que reduziu?

Mais valia estar calada.


Congresso PSD (6)

Manuela Ferreira Leite concorda com a “lei da rolha”.

Se já tinha entrado mal na presidência do PSD, dividido o partido com as listas de candidatos às legislativas, atinge agora o pináculo, logo no primeiro momento pós-saída.

Não acredito que deixe saudades.


Congresso PSD (5)

A proposta de alteração estatutária de Pedro Santana Lopes (PSL), aprovada por manifesta maioria do congresso, que limita a liberdade de expressão e de opinião dentro dum partido democrático é um péssimo exemplo.

Ocorrem-me dois pensamentos:
1º – a probabilidade de PSL voltar a concorrer à liderança do PSD não é pequena;
2º – o feitiço ainda se irá virar contra o feiticeiro.

Independentemente da miríade de possibilidades, esta proposta demonstra que PSL possui um entendimento limitado do conceito de liberdade. E, aparentemente, dentro do PSD não é o único a pensar assim.

Não consigo imaginar pior maneira de terminar um congresso social democrata.

Imaginem que irá agradecer …