Na base do conhecimento está o erro

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Uma questão de almas

Rui Rio

O PSD (alguns dos seus filiados?) pode até estar disposto a vender a alma para afastar o BE e o PCP do poder. Mas não se pode esquecer que o PS faz parte da esquerda. E tratando-se duma mera questão de almas, é bom ter em mente que a portuguesa é inegociável!

Nada tenho a dizer sobre a vitória de Rui Rio. Os militantes sociais-democratas escolheram o seu líder num acto eleitoral legítimo. No entanto, tendo em consideração as posições que Rui Rio manifestou durante a campanha eleitoral, assim como as suas indefinições, confesso que tenho algumas reservas sobre o futuro. Do PSD, de Portugal e, principalmente, da alma portuguesa.

É perceptível que existe uma teia de interesses e de clientelas no Estado português. Seja por herança ou por padrão de comportamento as semelhanças entre a nossa Terceira República e o anterior regime são inegáveis. Se, durante o Estado Novo havia nepotismo, favorecimento ilícito, compadrio, corrupção, leis feitas à medida, cartéis, etc., então, considerando a nossa realidade, devemos viver no Estado Velho!

Ora, apesar de Rui Rio afirmar que vai ser oposição à frente de esquerda que governa Portugal, a forma como essa oposição se vai materializar gera expectativas e requer ponderação. Respeitar os resultados eleitorais é digno, e é, sem réstia de dúvida, um comportamento distinto daquele que foi recentemente praticado. Mas, deve esse respeito significar validação? No caso de António Costa ganhar as próximas eleições legislativas sem maioria absoluta e sem a capacidade de reproduzir a geringonça, que fará o PSD de Rui Rio? Irá sustentar o governo socialista no Parlamento? Ou irá recuperar o bloco central?

Este cenário é preocupante. Por várias razões: Em primeiro lugar porque o Bloco Central está na origem dos principais fios que tecem a omnipresente teia de interesses e de clientelas. Esperar que uma reedição dessa solução sirva para alterar o actual status quo parece-me ser uma fantasia. Em segundo lugar, decidindo Rui Rio apoiar um governo minoritário de António Costa, que acontecerá à tão necessária separação ideológica entre sociais-democratas e socialistas? O PS nunca esteve tanto à esquerda como agora. E uma das razões para tal é António Costa. Em terceiro lugar, pode um homem que defende rigor e controlo das contas públicas apoiar um governo gastador? Podemos dizer que as negociações seriam duras. E sê-lo-iam. Mas, depois Costa faria o que fez aos restantes parceiros da geringonça, dizendo que sim e fazendo que não. Em quarto lugar, os tempos são diferentes e Rui Rio não é António Costa. Por isso mesmo, Rui Rio não pode esperar que António Costa retribua comportamentos. Perante resultados idênticos aos de 2015, António Costa voltará a escolher o poder e repetirá, com mais ou menos alterações, a geringonça. Pouco lhe importará quem é ou deixa de ser o líder do PSD. Finalmente, porque vivemos tempos em que os valores adquirem uma importância acrescida, vender a alma ao diabo será desastroso. Se o propósito estratégico é apenas substituir os parceiros de governação do PS porque razão devem os portugueses votar no PSD?

Por sua vez, num cenário de maioria relativa do PSD, pode Rui Rio governar com o PS? Mesmo sem António Costa como líder socialista? Creio que não. E também aqui não são razões puramente políticas que sustentam esta conclusão. A nova geração de dirigentes socialistas gosta da aproximação à esquerda. João Galamba não é o único. Pedro Nuno Santos é outro exemplo. Ambos constarão nas listas socialistas às próximas legislativas. Necessitando dos socialistas para governar, Rio corre o risco de perder toda a sua credibilidade. Seria, a todos os níveis, preferível que a coligação fosse feita com o CDS, com quem o PSD partilha mais afinidades. Todavia, é muito cedo para considerar um acordo Rio-Cristas.

Em breve saberemos até que ponto o líder do PSD quer ser diferença, ou melhor, a diferença! A posição do partido na questão da Lei do Financiamento dos partidos dar-nos-á uma das primeiras indicações. E os significados da remodelação interna que se avizinha também não são de negligenciar.

O PSD (alguns dos seus filiados?) pode até estar disposto a vender a alma para afastar o BE e o PCP do poder. Mas não se pode esquecer que o PS faz parte da esquerda. E tratando-se duma mera questão de almas, é bom ter em mente que a alma portuguesa deve ser inegociável!

No que respeita à inegociabilidade das almas, Rui Rio tem perfeita consciência dessa condição. Como tal, não acredito que esteja disponível para prescindir dos seus princípios ou para vender a sua alma. Contudo, como Rio não fará nada sem uma equipa, surpresas não são de excluir.

 

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Ridículo é pensar que não podemos ser melhores

MFL

Manuela Ferreira Leite considerou ser ridículo que Portugal possa vir a ser o país mais competitivo do mundo, tendo em conta a “carga fiscal (…) e o investimento inexistente”.

Ridículo é pensar que Portugal não pode ser um país competitivo e, porque não, até mesmo o mais competitivo de todos. Ridículo é pensar que a fiscalidade e o investimento se vão manter inalteráveis per omnia saecula saeculorum.

É precisamente este tipo de postura que se revela problemático. Pensar que não podemos ou conseguimos ser melhores é altamente pernicioso. O maior obstáculo para a concretização de algo é pensar que não conseguimos. Uma pessoa que não acredite que não pode ou consegue ser e fazer melhor não o será ou o fará.
Logicamente, políticos que não acreditam que o seu país pode ser melhor não serão capazes de fazer um Portugal melhor.

Estou cansado de políticos resignados e sem objectivos ou horizontes ambiciosos.


Impostos e Manifestos

 

Há dois meses, surgiu o Manifestos dos 70. Estão recordados? Ainda se lembram dos subscritores?

 

 

Ontem, através do Documento de Estratégia Orçamental, o Governo português anunciou mais uma subida de impostos: 0,25% no IVA e 0,20% na TSU.
Tudo isto para a “nova contribuição de sustentabilidade”, cujo benefício teórico, pelas minhas contas, se traduz em 37 milhões de euros.

Mas, seguindo os critérios agora divulgados, digam-me lá quem é que ficou favorecido por este aumento de impostos?
Os que escrevem manifestos, os que falam de conspirações ou os contribuintes anónimos?

Não posso deixar de perguntar se não seria este o verdadeiro objectivo do manifesto?
Para além disso, fundações que só servem para poucos, e nas quais alguns dos subscritores do Manifesto fazem parte, também passam incólumes.
(Por favor, notem que eu não falo este tipo de “politiquês”!)

Contudo, evidentemente, outras leituras serão possíveis.

Eventualmente, esta será a principal conclusão: Não basta reclamar. Há que saber como e ter “estatuto”.


Não é só Pilatos quem lava as mãos

Só agora consegui acabar de ler o manifesto pela reestruturação da dívida (mrd), claramente o assunto do dia, e vou ter pesadelos toda a noite. Espero, sinceramente, que os mesmos não se prolonguem para a vida dos meus filhos.

Já reli o mrd. De fio a pavio. Estamos perante mais uma pouca vergonha. Ora vejamos. A certa altura, lê-se no documento o seguinte: “A crise internacional iniciada em 2008 conduziu, entre outros factores de desequilibrio, ao crescimento sem precedentes da dívida pública”

Pelos vistos, até 2008, Portugal não tinha uma dívida insustentável. Tinha dívida, sendo que a mesma já implicava um incumprimento relativamente aos critérios do Pacto de Crescimento e de Estabilidade da moeda única, mas não era insustentável. Só depois desta crise (2008) é que tal se verificou.

Alguém é capaz de me dizer quem foi responsável pela gestão dívida portuguesa desde que aderimos ao euro até 2008? Mas, já agora, não querendo ser mesquinho ou discriminar alguém, podemos considerar todo o tempo da terceira república? Alguma destas pessoas que subscreve o manifesto teve responsabilidades governativas?

E, apelando à indulgência dos promotores desta iniciativa, poderão esclarecer-me porque é que Portugal tinha dívida?

Já não tenho qualquer dúvida. Não é só Pilatos quem lava as mãos.

P.S. – Tive que reler o mrd várias vezes, por não acreditar no que estava a ler.


O pior inimigo do PSD

O objecto deste post não é qualquer tentativa de atenuar a incompetência e arrogância que caracteriza a grande maioria dos dirigentes do PSD e, consequentemente, do Governo, principalmente no que respeita à relação e comunicação com a população, mas sim salientar o que me parece ser a sua natureza.
Não está sustentado em qualquer prova palpável e apenas resulta das minhas observações ao universo das diversas particularidades que constituem o PSD.
Naturalmente, é-me impossível ver e saber tudo. Logo, a minha opinião sobre este assunto pode ser considerada mais do que subjectiva.

O pior inimigo do PSD é o PSD.

É um partido incapaz de se unir em torno dum líder.
Seja ele quem for, tem, e terá sempre, alguém a trabalhar para o seu derrube nos bastidores. Basta recordar o seu passado recente.

Quando Manuela Ferreira Leite ganhou a liderança do partido a Pedro Passos Coelho, este e nenhum dos seus apoiantes foram incluídos nas listas do partido às legislativas. E o que foi que se passou quando Pedro Passos Coelho se tornou líder do PSD?

Repito: O pior inimigo do PSD é o PSD.
No seu seio reina a mesquinhez, a intriga, o rancor e a vingança, prevalecendo o interesse pessoal dos seus intervenientes face ao interesse do partido e, consequentemente, do seu eleitorado.
Creio que só quando esta circunstância desaparecer o PSD será capaz de se relacionar melhor com a população e com o poder.

Por fim, na minha opinião, as duas grandes influências, antagónicas, que dominam ou procuram dominar o partido, são Ângelo Correia e Pacheco Pereira. Dentro destes dois, Pacheco Pereira, tendo em conta a sua personalidade e postura, vai ser aquele que mais mal vai fazer ao PSD.

Declaração de interesses: Conheço excelentes pessoas no PSD e tenho o prazer de ser amigo de dois dos seus deputados.


É preciso ter lata (3)

Manuela Ferreira Leite criticou a política fiscal do Governo por a mesma essencialmente visar o aumento da receita.
Não é que não tenha razão, mas que moral tem esta senhora para dizer isto.

Quando foi Ministra da Finanças qual foi o montante de despesa que reduziu?

Mais valia estar calada.


Congresso PSD (6)

Manuela Ferreira Leite concorda com a “lei da rolha”.

Se já tinha entrado mal na presidência do PSD, dividido o partido com as listas de candidatos às legislativas, atinge agora o pináculo, logo no primeiro momento pós-saída.

Não acredito que deixe saudades.