Na base do conhecimento está o erro

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Discurso encerramento Congresso PSD

RRencPSD

O discurso de Rui Rio no encerramento do Congresso do PSD não passou de uma simples descrição dum diagnóstico. Referiu especialmente duas situações concretas: Reformas do sistema político e judicial. Pergunto-me se, em ambos os casos, não se terá inspirado nas propostas eleitorais da Iniciativa Liberal?

É curioso, ou talvez não, que Rio não tenha mencionado a questão do financiamento dos partidos, nomeadamente os benefícios fiscais, nem a polémica que envolve a justiça portuguesa devido à mais recente decisão da Procuradora-Geral da República.

Apesar das críticas feitas ao governo de António Costa, não deixei de ter a sensação que Rui Rio está disponível para substituir a geringonça por um novo bloco central. O tempo o dirá.

Ao reflectir sobre o que ouvi, percebo que não há grande distinção entre o PSD e o PS e que Portugal não mudará enquanto o socialismo e/ou a social-democracia forem poder.

Só políticas e medidas liberais o farão.


Precisam-se de voluntários – recrutamento Movimento Revolução Branca

MRB

O Movimento Revolução Branca (MRB) iniciou uma campanha de recrutamento em regime de voluntariado de advogados, matemáticos e web designers que integrarão o recém criado Departamento Multidisciplinar de Investigação de Ilícitos, cujos objectivos são:

1º- O tratamento das denúncias inerentes ao exercício de funções públicas e gestão da coisa pública (partidos políticos, titulares de cargos políticos, etc.) ou que revelem desrespeito pelos direitos fundamentais constitucionalmente salvaguardados;
2º- Planear, executar e apoiar as acções necessárias para o cumprimento dos pontos acima referidos.

Os interessados podem contactar o MRB para o email (secretariado@mrb.pt), indicando qual a área de formação e a seguinte informação adicional:

· Nome completo
· Concelho / Distrito de residência
· Anos de experiência
· Nota biográfica (pequena).


(r)Evolução

Grande parte dos portugueses está descontente com partidos políticos e manifesta esse descontentamento, mas a resposta não pode ser o afastamento e/ou virar costas à política porque há sempre alguém que apoia este ou outro partido.

Quando o cidadão não participa na política apenas está a permitir a manutenção do sistema político.

Enquanto aqueles que não ser revêem não se unirem em redor dum projecto político que seja diferente e que mude as coisas, não serão melhores do que aqueles que apoiam os actuais partidos.

Há alturas em que só palavras ou descontentamento não são suficientes! Também é preciso acção!


Será possível uma mudança sem adesão popular?

No início desta semana esteve em minha casa um electricista a fazer uma instalação.
Aproveitando a sua presença, perguntei-lhe que opinião tinha sobre a manifestação do passado dia 15. Naturalmente, concordava com a mesma.
A conversa continuou e a certa altura, já emocionado, o homem diz-me isto:
“Sou uma pessoa modesta que nunca gastou mais do que tinha. Já paguei a minha casa e não devo dinheiro a ninguém. Felizmente, os meus flhos também não. Repito, não devo dinheiro a ninguém. Então porque é que me dizem que eu devo 18 mil euros ou lá o que é. Quem deve é o Estado.”
Quando respondi que o Estado eramos todos nós, o homem olhou para mim num misto de tristeza e resignação.
Daqui retirei duas certezas.
Primeiro, que a maior parte da população não faz ideia do que é o Estado nem a sua orgânica política. Vota sem o conhecimento real das implicações dum voto.
Segundo, que é necessário encontrar uma oratória acessível para educar e elucidar todas estas dúvidas.
Até lá, tenho sérias dúvidas que as escolhas sejam responsáveis e livres.


Gestão pública à portuguesa (2)

A Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, ultrapassando os limites da sua autonomia, decidiu aumentar os trabalhadores da autarquia. A “brincadeira” custou mais de um milhão de euros, que agora tem que ser devolvido ao Estado.
Esta devolução será feita mensalmente através duma redução salarial.
Naturalmente, os ditos não querem e a dita não quer assumir a responsabilidade pela decisão que tomou.

São situações como esta que não podem continuar a existir.
O que é que levou Maria das Dores Meira a aumentar os funcionários da Câmara? Principalmente numa altura em que o bom senso (para não falar nas directizes em vigor) não o recomendava?

O País não precisa de decisores politicos que só decidem com imunidades.

Portugal precisa de mudar e nenhuma mudança será concretizada sem a responsabilização individual. Seja de quem for. Ocupe o cargo que ocupar!


Da mudança!

Se não fazes nada para mudar o que te rodeia,
não esperes mudanças.

Principalmente as que desejas!


Destino: globalização?

Mais uma vez agradeço as reacções dos leitores e as suas opiniões. Tentarei responder às questões que me foram levantadas, interligando-as sempre que possível.

Começo esta reflexão pela seguinte pergunta: Porque é que se fala em globalização e não em mundialização? A resposta, na minha opinião, é muito simples. Associamos o conceito de mundialização aos descobrimentos e à revolução industrial. Por sua vez, a globalização está associada à revolução electrónica, à efectiva redução das distâncias, à comunicação instantânea e à conectividade que caracteriza a sociedade actual, em que um acontecimento numa parte do globo terá repercussões nos seus antípodas, para além de ser televisionado imediatamente. Assim, a globalização, que como muito bem nota, Anthony Giddens “é política, tecnológica e cultural, além de económica”, atinge a sociedade e não apenas uma parte dela. Por isso é que vivemos uma fase de transição na qual emerge uma nova civilização.

Como é evidente, nem todas as civilizações possuem o mesmo grau de desenvolvimento. Portanto, é preciso notar que, em primeiro plano, esta transição civilizacional não é inter-civilizações mas sim intra-civilização, i.e., está, essencialmente, a ocorrer no seio da civilização ocidental. Naturalmente que a nossa civilização não é única no globo, pelo que a segunda percepção a ter é que a mudança civilizacional que experimentamos, a qual nem todos aceitamos ou compreendemos, implica novos comportamentos nas relações com as outras culturas. Consequentemente, se a diferença de progresso já se traduzia na dificuldade de diálogo entre povos, a passagem para um estádio superior de desenvolvimento prejudicará os «compromissos» conseguidos. O mesmo é verificável no comportamento da outra, ou outras, civilização relativamente a nós com a agravante de, em virtude do índice de intelectualidade, as suas reacções serem ainda mais extremas.

Quanto ao Estado-Nação e ao seu papel de primazia no sistema internacional, é preciso reparar que há uma dualidade de preeminência entre o Estado e as Multinacionais ou, se preferirem, entre a política e a economia. Neste sentido, Nicola Yeates refere que enquanto os Estados estão estruturalmente dependentes do capital global o mesmo não se aplica às Multinacionais cuja liberdade é ilimitada. Logicamente, as formas de organização que forem contrárias aos fluxos globalizantes não subsistirão e nem o Estado, em cuja génese está a soberania nacional e o território circunscrito por fronteiras que limitam a eficiência da integração global, escapará a esta determinante. Aliás, sintomático desta observação é a tentativa de promoção da imagem do Estado pelo marketing. Depois do Estado-comercial apareceu o Estado-Marca (The Rise of the Brand State – Peter van Ham). Mas será tal suficiente?

Por fim, convém ter em mente que o Estado resulta de um processo de agregação e que, tal como apareceu, pode esvanecer. Pessoalmente, acho que os parâmetros do desenvolvimento actual estão a levar-nos para o reaparecimento das Cidades-Estado. Mas, isso são contas de outro rosário.

Alvim Toffler mostrou-nos que a resistência à mudança é um instinto humano. Neste pressuposto, é compreensível que, tal como os contemporâneos do Renascimento não se aperceberam dos seus feitos e deles tiveram medo, alguns dos nossos coetâneos manifestem receios afins. Luís de Camões diria que tais clamores são as vozes dos velhos do Restelo, aqueles para quem o progresso e a mudança representam a incerteza e o caos. Já Heraclito lembraria que “nada é permanente, salvo a mudança”. Por isso, pior do que não aceitar a mudança é não se preparar para ela porque ela acontecerá de qualquer maneira. Ou não é a evolução uma das constantes universais?

Num prisma diferente, é indesmentível que progressos científicos como as descobertas marítimas, a dinamite, a máquina a vapor, a luz eléctrica e a bomba nuclear mudaram o planeta tornando-o imperceptível. Nos últimos dois anos, o homem produziu mais saber do que em toda a história da humanidade. Que mundo advirá daqui?

Talvez William Jennings Bryan tivesse razão quando disse: “O destino não é uma questão de sorte – é uma questão de escolha. Não é uma coisa por que se espere – é uma coisa a alcançar”.

5 de Julho de 2007 – O Primeiro de Janeiro