Na base do conhecimento está o erro

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“Fatalidades” linguísticas

Destino fado

Portugal ganhou, nos “World Travel Awards”, o prémio como “world leading destination 2017”. O Primeiro-Ministro decidiu comemorar. Até aí, tudo bem. O problema está na escolha linguística.
Às vezes, as quais, por vezes, não são poucas, não escrever em português origina, entre outras circunstâncias, este tipo de coisas: “Destination” vs “destiny”. Isto para nem falar sobre a incorrecta utilização das preposições.

Eu acho que é o destino. Não me refiro ao dos turistas. É mesmo o destino dos portugueses. Alguns, dirão fado. Outros, sina. (Abraham Lincoln diria “a última e a mais completa medida de devoção”). Independentemente da preferência, Portugal merecia melhor.
P.S. – Não consigo deixar de pensar no que aconteceria se o termo fosse “fado”? Será que o escritor utilizaria “fate” no sentido de fatalidade? Ou iria mesmo para a música?

Para quem se iludiu!

antonio costa


Semipresidencialismo

Sabem o que é?

Semipresidencialismo é o sistema de governo que vigora em Portugal.

Ainda se lembram das responsabilidades e implicações inerentes ao mesmo?

Haja paciência!


Não se admire. Ao invés, recorde-se! (Do not wonder. Instead, remember!)

O Acordo de resgate negociado entre o governo grego (Syriza) e as entidades europeias (troika) será apenas debatido no parlamento de Atenas, i.e., sem ser votado pelos parlamentares.

Há quem defenda que esta decisão está relacionada com a oposição interna a Alexis Tsipras. Contundo, independentemente de a mesma se verificar, este tipo de postura nada tem a ver com a contestação dentro do Syriza. Não se surpreenda. Este é, pura e simplesmente, o comportamento típico das cúpulas da esquerda. É precisamente este tipo de postura que está no seu âmago.

Assim, como este é o habitual modus operandi e vivendi da esquerda, porque razão seria o Syriza diferente?

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The bailout agreement negotiated between the Greek government (Syriza) and the European entities (troika) will only be debated in Athens’ parliament, ie, without a parliamentary vote.

There those who defend that this decision is related with the internal opposition to Alexis Tsipras. However, regardless of whether its occurrence, this kind of attitude has nothing to do with the rising contestation within Syriza. Don’t be surprised. This is plain and simply the typical behavior of left leaderships: vote should be kept to a minimum.
It is precisely this kind of posture that is at its core.

Thus, as this is the usual modus operandi and vivendi, why should be Syriza any different?


União Cívica Democrática – um novo partido

UCD FN

Reafirmo o que anteriormente expressei: “Independentemente da sua posição no espectro público, qualquer iniciativa que venha contribuir para o aumento da participação cidadã na vida política do Estado deve ser realçada e até aplaudida”.
No contexto deste pressuposto, e apesar da União Cívica Democrática ser mais uma alteração duma entidade partidária já existente do que a constituição dum novo partido político, saúdo esta postura.

Infelizmente, a notícia aqui reproduzida, publicada ontem pelo i, peca por falta de rigor, estando, no mínimo, incompleta.
Sobre a mesma, observo o seguinte:

Em primeiro lugar, Fernando Nobre não se afastou a vida política após perder as presidenciais para o actual Presidente da República. Nas legislativas de 2011, Fernando Nobre foi cabeça-de-lista do PSD, e eleito deputado pelo círculo eleitoral de Lisboa. Renunciou ao cargo depois de não ter sido eleito Presidente da Assembleia da República.

Em segundo lugar, apesar de no dia 18 deste mês Fernando Nobre ter dado uma entrevista ao i, onde afirma estar disponível para uma eventual nova candidatura à Presidência da República enquanto expressa indisponibilidade para voltar a integrar novamente uma lista partidária (embora admita apoiar um partido que defenda os fundamentos da sua candidatura presidencial), a notícia não diz que Fernando Nobre está a formar um novo partido.  Assim, sendo este originado por iniciativa de apoiantes que integraram a rede de campanha porque razão não é o entrevistado, Artur Pereira,  ex-director nacional da candidatura de Fernando Nobre e principal responsável por toda a estrutura de campanha, que ilustra a peça?

Não sei se se existe intenção nestes pormenores. Provavelmente tratar-se-á dum mero esquecimento. Todavia penso que este tipo de circunstâncias pode permitir várias leituras e considerações e que, sobretudo, não augura um bom princípio para este projecto.

Finalmente, na minha opinião, também não é bom sinal o método utilizado. Indubitavelmente, a noticia refere um expediente legal. Contudo, esta escolha evita a recolha de assinaturas que a lei exige para a constituição de um partido político. Com isso, aumenta-se a distância para os cidadãos e perde-se uma importante fonte de aferição do interesse popular.

Significará esta opção falta de confiança?


Aposentado

José Magalhães, o tal que se referiu a um cidadão que prestava depoimento na Assembleia da República, como o “gajo”, já está aposentado desde Julho de 2011, recebendo pelo efeito € 2 196,45.


Promessas socialistas

Os socialistas gostam de afirmar que vão dar (quase) tudo a (quase) toda a gente:
Maiores subsídios, maiores pensões, maiores reformas, etc.
Nunca dizem é que precisam de MAIS IMPOSTOS para o fazer.

Fundo de Resolução, entidade de direito público

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“O Fundo de Resolução foi criado pelo Decreto-Lei n.º 31-A/2012, de 10 de fevereiro, que veio introduzir um regime de resolução no Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, aprovado pelo Decreto-Lei nº 298/92, de 31 de dezembro.

O Fundo de Resolução é uma pessoa coletiva de direito público, dotada de autonomia administrativa e financeira, tem a sua sede em Lisboa e funciona junto do Banco de Portugal.”


Tolerância democrática

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Não será descabido afirmar que existe muita gente sem imaginação e/ou capacidade para ver para além do literal.
O tema da última conferência, da 5ª edição dos Diálogos, “Cidadãos e política – dissonância democrática”, originou alguma reação e perplexidade, que foi justificada pelo facto de os oradores convidados serem o actual e o anterior Presidentes da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira e Rui Rio.

Como organizador do ciclo, respondo o seguinte:

Nenhuma comunicação existe sem um emissor e um receptor. Mas, mesmo no nível mais simples, a dimensão da subjectividade da leitura da mensagem é sempre incomensurável!

Como tal, é perfeitamente legítimo que alguém possa interpretar os “Diálogos”, incluindo esta última conferência, meramente sob um prisma ideológico. Todavia, fá-lo redutoramente, ao considerar que toda a esquerda, ou que toda a direita, pensam da mesma maneira.
Aliás, quem considera que não há diferenças de opinião dentro da direita ou da esquerda é que promove e desenvolve o tal “monolitismo ideológico”.

Pese embora falte um ponto de interrogação no tema da conferência, creio que o problema se focaliza na expressão “dissonância democrática”. Ora bem, no meu entendimento, a mesma pode ser substituída por incoerência democrática. De qualquer maneira, na certeza que esta formulação também será alvo de críticas, o objetivo do tema visa uma reflexão sobre o afastamento ou proximidade dos cidadãos à política.

Contudo, qualquer pessoa que tenha assistido a qualquer uma das conferências realizadas nos últimos cinco anos, saberá que a abordagem ao tema é livre. Não existiu nem existirá qualquer condicionante ao pensamento dos oradores convidados. Como tal, ninguém sabe de que maneira os oradores irão abordar o tema.

É normal que na proximidade de eleições para a Reitoria, a ideologia seja um tema quente. Mas reitero o que diversas vezes afirmei. Em nenhum dos cinco ciclos já realizados tive qualquer preocupação ideológica, principalmente porque existe vida para além da ideologia. E nos tempos que vivemos, as preocupações são outras.

Para além do mais, gostaria apenas de afirmar que foram endereçados convites a pessoas de outros quadrantes políticos que, por variados motivos, declinaram o convite.


Aparências

Em política, a condição é certeza. A relativa. Não a essencial.

Admito que até possa parecer irrevogável.
Parecer e não ser!
Como bem sabemos o irrevogável é mutável.


Existem emigrantes e Emigrantes.

Fernando Seara diz estar “em Lisboa, com os dois pés”. Mas, provavelmente, não o fará por muito tempo.
Porquê? Porque Fernando Seara vai emigrar. É claro que não emigrará nas mesmas circunstâncias dos restantes portugueses. Irá em primeira classe, com o apoio do Estado Português.

E o que lhe garante a possível condição de deslocado especial é a derrota eleitoral que se avizinha.

No entanto, não fiquem tristes. O próximo vereador da Câmara Municipal de Lisboa despedir-se-á com lágrimas nos olhos. Não pelas suas responsabilidades como autarca. Não. As lágrimas serão pelo Benfica. É que o Estádio da luz não fica em Estrasburgo.

Creio que Fernando Seara vai ser o próximo cabeça de lista do PSD nas eleições europeias do próximo ano.

Veremos.

P.S. – e não é difícil perceber quem o acompanhará!


Lições esquecidas ou nunca lidas

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“(…) muitos economistas esperam que o remédio definitivo possa ser o campo da política monetária, compatível até com o liberalismo do século XIX. Outros, é certo, crêem que o verdadeiro sucesso só pode vir da gestão criteriosa de obras públicas, a levar a cabo em grande escala. Isto pode acarretar restrições mais sérias no campo da concorrência, e, a enveredar-se por este caminho, há que proceder com cuidado, caso queiramos evitar que toda a actividade económica se torne progressivamente mais dependente da orientação e do volume dos gastos governamentais.”

Friedrich August von Hayek – O Caminho para a Servidão (1944)


Descubra as diferenças: gestão pública

Durante os dozes anos (2001-2013) em que foi Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, teve relações institucionais com seis governos de Portugal:

XIV Governo Constitucional (1999-2002) – António Guterres;
XV Governo Constitucional (2002-2004) – Durão Barroso;
XVI Governo Constitucional (2004-2005) – Santana Lopes;
XVII Governo Constitucional (2005-2009) – José Sócrates;
XVIII Governo Constitucional (2009-2011) – José Sócrates;
XIX Governo Constitucional – (2011-) – Passos Coelho.

A opção por diferentes posturas e modelos de gestão permitem verificar resultados distintos.
Enquanto que as acções dos governos nacionais continuaram a produzir défices e a engordar a dívida de Portugal, Rui Rio optou por uma política de combate à precária condição financeira que encontrou no município do Porto.
Consequentemente, o actual governo “viu-se”, apesar da alternativa, obrigado a aumentar a carga fiscal aos portugueses.
Por sua vez, os portuenses viram os impostos municipais serem reduzidos.


Descubra as diferenças: IMI

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A Câmara do Porto baixou o IMI em 10%

A Câmara de Gaia aumentou o IMI em 20%

 

Será o modelo de gestão?


Não consegue pagar a renda!

Durante a presente legislatura (2011-2115), pelos votos obtidos e deputados eleitos, o PSD vai receber um total de € 27.993.983,00 (vinte e sete milhões novecentos e noventa e três mil novecentos e oitenta e três euros) de subvenção pública.

Contudo, vai ter que abandonar a sede da concelhia de Lisboa por não ter dinheiro para pagar a renda.

A crise aperta. E esta, hien!?


Monólogos partidários ou o silêncio do país!

 

Passos – Seguro


Papa Francisco

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A eleição dum jesuíta como Papa representa, sem dúvida nenhuma, uma mudança na Igreja.
Oxalá a mesma seja profunda!


Diálogos com a Ciência IV

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A quarta edição dos Diálogos com a Ciência, da qual sou Comissário e cujo tema geral é o Eu e o Nós em Sociedade, começa já na próxima quinta-feira, 7 de Março, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, às 21:30, e decorrerá até 8 de Maio.

7 Mar – Paulo Morais e Paulo Borges

21 Mar – António Tavares, Rui Moreira

4 Abr – Frei Fernando Ventura e Luísa Malato

18 Abr – Carlos Miguel Sousa e Victor Bento

8 Maio – Rodrigues do Carmo, Garcia Leandro e Bispo do Porto

Entrada livre!


O IRS do(s) Ricardo(s) Salgado(s)

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(Foto: RTP online)

No mês passado, o “i” online e o “Negócios” online  publicaram que Ricardo Salgado aderiu ao Regime Excepcional de Regularização Tributária (RERT), uma amnistia fiscal lançada pelo Ministério das Finanças, cujo objetivo era normalização de verbas não declaradas no final de 2010 e a “penalização” aplicada a quem aderisse a este regime era uma taxa única de 7,5% sobre o respetivo valor.

Ricardo Salgado apresentou não uma, não duas, mas três declarações corretivas que ascenderam a 8,5 milhões de euros.

O assunto parece ter esfriado. Um mês depois, já pouco se fala sobre as correções do Salgado.

No entanto, eu, que deixei de ser cliente do BES há muitos anos, pergunto-me qual dos Ricardos Salgados gere o banco: o pecador ou o arrependido?
Seja como for, este homem não parece ser exemplo de conduta.


Franquelim Alves

Franquelim Alves

Como procuro ao máximo evitar formular juízos de valor, uma vez que, na quase totalidade das vezes, não estamos na posse de todos os dados e informações, não tinha qualquer intenção de escrever sobre o episódio “Franquelim”.
Como tal, espero que estas palavras não sejam assim percepcionadas, pois trata-se simplesmente do aventar duma possibilidade.

Mas, se esta notícia for verdadeira – “Currículo volta a tramar Franquelim Alves” – não se tratando dum erro ou lapso de digitação, creio que está encontrada uma maneira para se resolver este caso de vez.


E tinha direito?

Francisco Louçã vai abandonar a Parlamento e, segundo o próprio, “Saio como entrei, com a minha profissão sem qualquer subsídio, sem qualquer reforma”.

Será que tinha direito à mesma?

Se a memória não me falha, foi em 2006 que foi revogada a norma que estabelecia as reformas aos deputados.
Para além disso, foi combinado que apenas os deputados que nessa data tivessem mais de 12 anos de funções é que manteriam o direito à mesma.
Em que ano é que Francisco Louçã iniciou funções como deputado? Em 1999.

Continua fiel a si mesmo. Não passa de um (perigoso) demagogo!


Sondagem


Sobre a igualdade

Desculpem-me aqueles que já estão cansados de me ouvir dizer isto.

Enquanto as pessoas não perceberem que a igualdade é uma ilusão, jamais serão capazes de atingir o sonho da igualdade.
Não, não está errado.

É necessário saber a diferença entre o individuo e a sociedade.

Não existe igualdade no plano individual, apenas desigualdade.

Só ao nível da espécie é que se encontra a igualdade.


Da gestão pública

Considerando o período que vai desde 25 de Abril de 1974 até ao ano corrente, não há nenhum partido português que tenha sido governo que possa ser isentado de responsabilidade pelo aumento da dívida pública.

Entre 1980 e 2005, Portugal teve 12 governos de diversos partidos e a divida pública aumentou cerca de 30%;

Em 2004, ano anterior ao ínicio do consulado Sócrates, a divida pública estava no limite estabelecido nos tratados com a CEE;

De 2005 a 2010, período dos governos Sócrates, a divida pública aumentou mais de 30% e quase duplicou;

Em 2011, no fim da governação Sócrates, a divida pública atingia cerca de 95% e estava 35% acima do limite estabelecido nos tratados com a CEE.

Em seis anos, os dois Governos de José Sócrates conseguiram gastar mais do que doze Governos em vinte cinco anos.