Na base do conhecimento está o erro

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Para memória futura … e não só!

business Lacerda

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Para aqueles que não se recordam, António Costa e Lacerda Machado tiveram um papel essencial na decisão da compra dos equipamentos – Kamov e SIRESP – que, este ano, voltaram a falhar.

O contrato de aquisição do SIRESP, previa, na cláusula 17.2, motivos ou razões para a falha do sistema, os quais, segundo o disposto na cláusula 17.3, exoneravam o fornecedor das suas responsabilidades.
Mesmo reconhecendo que existe sempre um factor de imponderabilidade, esta cláusula configura uma verdadeira contradição de termos porque o que estava a ser adquirido era um sistema de comunicações que também funcionasse em situações de emergência e, especialmente, neste âmbito. No entanto, tanto os responsáveis da tutela governativa como os seus representantes, aceitaram esta cláusula de desresponsabilização.

Resumindo, o Governo português comprou um sistema de comunicação que devia funcionar em qualquer situação, especialmente em caso de emergências, mas que já previa a possibilidade de não funcionar quando seria mais necessário, i.e., em cenários de emergência.

E não pode responsabilizar o fornecedor …
Há quem considere isto normal. Eu não partilho da mesma opinião.

P.S. – Não consegui apurar se alguma vez foi invocada a figura legal prevista no ponto 51.2 do contrato. Principalmente, quanto à cláusula 17.2.

P.P.S. – o meu obrigado ao Rui Carmo e Carlos Guimarães Pinto.

 


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Insanidade? Ou algo mais?

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Francisco Louçã e os insultos ou do credo “louçãniano”!

louçãniano

No último artigo de opinião de Francisco Louçã nos blogues do Público – O escroque contra a fascista – não é de estranhar a tónica do conteúdo. Não. Esta é perfeitamente coerente com as crenças do autor, não passando do seu registro habitual. E também não deve ser surpreendente a escolha dum insulto como título do artigo. Trata-se da pratica usual de Francisco Louçã.

Convém não esquecer que o pensamento político de Francisco Louçã  está baseado em manifestações de fé, i.e., dogmas que não podem ser questionados. Por outras palavras, não é difícil verificar a ausência de pressupostos racionais – sustentados na lógica, resultantes do apuramento que apenas é possível através de um processo de contraditório – no seu discurso.

Eu reagi ao artigo e comentei. Acabei por ser banido. Não sendo o blogue em questão meu, aceito perfeitamente que a última palavra não me pertença. Todavia, a censura e o conteúdo das respostas de Francisco Louçã são inaceitáveis.

Note-se que para comentar é necessário proceder a uma identificação que passa pelo preenchimento de três campos: Nome, email e website. Sem este procedimento, o comentário não será aceite. Assim, quem comenta não tem a possibilidade de anonimato. Feita esta descrição, este foi o meu primeiro comentário:

O complexo de Deus parece ser uma epidemia comum na esquerda portuguesa, cujo nível de intensidade aumenta à medida que nos aproximamos do extremo.
A maior parte dos socialistas desconhece o legado de Marx. Ignoram, quase por completo, que por exemplo, em 1844, no artigo “On the Jewish Question”, Marx propõe uma “solução final” para os judeus. Contudo, não acredito que Francisco Louçã nunca tenha lido este e outros artigos de Marx.
Quer goste ou não goste, o Marx tinha mais em comum com o Hitler e com o Mussolini do que com qualquer pensador liberal.
Talvez considere que Trotsky foi uma excepção? Mas, sem Marx, o Trotsky teria sido o que foi?
E talvez seja por esta proximidade que o senhor esteja triste pelo resultado do Mélenchon e que não se preocupe com uma eventual vitória da Le Pen.

A reacção de Francisco Louçã não me surpreendeu. Foi insultuosa e procurou desviar o assunto:

A ignorância não permite tudo. Marx, que até era judeu, não propôs nenhuma “soluçao final” para os judeus. Talvez fosse melhor ler os textos em vez dos panfletos da Conspiração dos Sábios do Sião.

Mas eu insisti, escrevendo o seguinte:

Professor, tem razão. A ignorância não permite tudo. Ou será que permite?
Sim, eu sei que Marx era judeu. Mas essa condição implica que ele gostava dos judeus? Ou de o ser? A leitura das cartas que Marx escreve a Antoinette Philips (março de 1861) e a Friedrich Engels (julho de 1862) é esclarecedora.
Tendo em conta o conteúdo da sua resposta, vou partir do principio que não leu o texto que referi – “On the Jewish Question” – no meu comentário inicial. E que igualmente não leu outros textos de Marx, como por exemplo, “Confessions of a Noble Soul” (1848); e “The Russian Loan” (1856).
Posso, evidentemente, estar errado, mas se o Professor tivesse lido o texto em questão teria percebido que existia uma razão para a expressão solução final ter sido referida entre aspas. O Marx não defendeu uma solução final idêntica à dos nazis. Não. A dele era diferente:
“Once society has succeeded in abolishing the empirical essence of Judaism – huckstering and its preconditions – the Jew will have become impossible, because his consciousness no longer has an object, because the subjective basis of Judaism, practical need, has been humanized, and because the conflict between man’s individual-sensuous existence and his species-existence has been abolished.”
Portanto, em vez de contra-argumentar com escritos do Marx, o senhor Professor sugere uma leitura aos panfletos da Conspiração dos Sábios do Sião. Não deixa de ser curioso que o faça, porque “Os Protocolos dos Sábios de Sião” também é um texto antissemita.
Para terminar, o Marx não tem culpa nenhuma que o Hitler se tenha inspirado nos seus pensamentos para desenvolver as suas ideias. Mas se o fez, foi por se ter identificado com algo. E, como deve saber, as semelhanças entre Hitler e Marx não se ficam pela questão judaica.

A reacção de Francisco Louçã ao meu segundo comentário só demonstra o seu desconhecimento, propositado ou não, sobre o legado de Marx:

De facto, o anónimo que escreve a nota anterior devia poupar-se a conversa do Protocolo dos Sábios do Sião. O que cita de Marx desmente a sua afirmação e, não me leve a mal, mas tenho alguma dificuldade se não desinteresse em discutir com antissemitas ou com falsificadores da história. Fique portanto com a sua bricandeira sobre Hitler se ter baseado em Marx e passe bem. Percebo bem porque tem que se refugiar no anonimato.

No fundo, não é de admirar. Francisco Louçã é intelectualmente desonesto. O que espanta é ao ponto que é capaz de chegar. Não sei qual é necessidade de insultar, mas ele fá-lo gratuitamente.

Ora vejamos:

Em primeiro lugar, identifiquei-me para comentar. Como tal, referir anonimato da minha parte só pode ser uma manifestação de má fé. Para além disso, desde que fiz os comentários já tive várias visitas ao meu blogue e igualmente pude constatar o constrangimento de Francisco Louçã perante comentários posteriores ao meu, de terceiros que também notam que Marx era antissemita.
Em segundo lugar, o meu pressuposto não estava errado. Francisco Louçã acabou de comprovar a sua ignorância sobre o legado de Marx. Existe quem pense que ler o “Capital” ou o “Manifesto do Partido Comunista” é suficiente para conhecer Marx. Louçã faz parte desse grupo. Eu, pelo contrário, considero essas leituras são insuficientes. Não é difícil compreender que Louçã queira acreditar que Marx tenha sido perfeito. Afinal, para ele, Marx é um deus. Infelizmente, Marx partilhava da condição humana e como tal tinha defeitos, sendo o antissemitismo um deles. Curiosamente, para desconforto e surpresa de Louçã, Marx não tinha vergonha em o afirmar. Nem o escondia, conforme é facilmente comprovável pelos escritos que deixou.
Em terceiro lugar, eu não fiz mais nada para além de citar Marx. Logo, não sou eu quem é antissemita. Marx é que o era!
Em quarto lugar, é assim tão inconcebível que o Marx não gostasse dos judeus? Creio que patenteia coerência. Marx era anticapitalista e como, segundo o próprio, eram os judeus que dominavam o capital …
Em quinto lugar, eu não estou a falsificar a história. Pelo contrário, estou a revelá-la. O Francisco Louçã é que se recusa a conhecer outras facetas de Marx. E também não estou a modificar a história, que se desenrolou sem qualquer tipo de intervenção minha.
Em sexto lugar, quem traz à discussão outro texto antissemita com a referência “panfletos da Conspiração dos Sábios do Sião” é o Francisco Louçã. E fá-lo por dois motivos: Primeiro, para disfarçar a sua ignorância sobre o conteúdo dos textos de Marx que eu referi e citei; e, segundo, para distrair as atenções relativamente à discussão.
Em sétimo lugar, apesar de outra falácia visível nas suas respostas, fui esclarecedor quanto à distinção entre a solução final de Marx e de Hitler. As duas são, obviamente, distintas. Os judeus é que eram o elo comum.

Caro Francisco Louçã, quer goste ou não goste, entre o pensamento de Marx (e de Engels) e Hitler apenas existe uma diferença de forma. O conteúdo pouco difere. Para além disso, compreendo que um Marx antissemita, xenófobo e racista não lhe seja agradável. Entendo, igualmente, que procure ignorar determinados pontos do legado marxista. Contudo, não há nada que possa fazer. O homem era o que era e escreveu o que escreveu.

Para além disso, à semelhança de outras pessoas, quando confrontado com verdades inconvenientes, opta por as ignorar. Felizmente, existem trotskistas, como Joel Kovel, que não escondem o antissemitismo de Marx: “By anti-Semitism I mean the denial of the right of the Jew to autonomous existence, i.e., to freely determine his/her own being as Jew. Anti-Semitism therefore entails an attitude of hostility to the Jew as Jew. This is an act of violence, addressed to an essential property of humanity: the assertion of an identity, which may be understood as a socially shared structuring of subjectivity. To attack the free assumption of identity is to undermine the social foundation of the self. Judged by these criteria, OJQ [On the Jewish Question] is without any question an anti-Semitic tract – significantly, only in its second part, “Die Fähigkeit.” No attempt to read these pages as a play on words can conceal the hostility which infuses them, and is precisely directed against the identity of the Jew.”

É curioso que não sendo religioso, o senhor pratica a actividade política como se fosse um membro duma classe eclesiástica. Infelizmente, comporta-se como um devoto fanático, defensor da única verdade aceitável e possível: a sua!

Relaxe e aceite a diversidade de opiniões. Argumente a defesa das suas posições com base nos conteúdos em discussão. Não faça manobras de diversão, nem utilize o insulto como meio. Tente ser correcto. Olhe que é capaz de se surpreender.

P.S. – Se Francisco Louçã foi incapaz de ter percebido as minhas palavras, dificilmente terá entendido outras. Nomeadamente, as de Marx.


A favor dos jovens portugueses. Contra a arquitectura de Torremolinos!

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Portugal, segundo dizem, começa a (r)emergir das trevas da austeridade. Sim. Segundo dizem! Perdoem-me por não ser mais categórico, mas, enquanto não houver um consenso “geringôncio” sobre o assunto, não o poderei fazer (recentemente a Catarina Martins disse que ainda não estavam reunidas as condições para acabar com a austeridade).

Todavia (nestas coisas é sempre aconselhável seguir a cartilha oficial), agora que Portugal recomeça a trilhar o caminho para a luz e para o esclarecimento, é necessário ter uma atitude complacente e de compreensão para com aqueles que viveram tempos de um rigor obscurantista. Afinal, os efeitos da austeridade em Portugal foram tão nefastos que afectaram os alicerces do futuro, danificaram a estrutura das oportunidades e, pasme-se, até atingiram as desigualdades biológicas, repito, biológicas, inerentes à condição humana. Ou seja, não foi apenas a arquitectura que foi afectada. Os jovens foram-no muito mais!

Um país até pode dispensar a arquitectura, mas sem juventude não terá futuro. E o capital mais importante que os jovens possuem é a sua capacidade de expressão, independentemente da forma em que a mesma se manifesta.

É consciente desta circunstância que vou elaborar a petição – A favor dos jovens portugueses. Contra a arquitectura de Torremolinos! – para apoiar os jovens finalistas portugueses, cujo elevado comportamento merece ser reconhecido. E espero que a maioria dos portugueses a subscreva.

É impensável aplicar medidas de austeridade à criatividade dos jovens, especialmente, à física. Os pobrezinhos já se sentem demasiado diminuídos. É por isso que expurgam as suas frustrações na decoração, e por maioria de razão, naquela que implica um complemento físico. Sejamos honestos. Os actos dos jovens portugueses em Espanha não podem, nem devem ser perspectivados como uma mera expressão artística. Não. A sua postura atingiu um nível de sublimação! E pode muito bem ser o inicio duma revolução que irá modificar toda arquitectura da sociedade. Ora, oportunidades destas não surgem todos os dias.

Por esta razão, a petição, para além de defender que passe a ser obrigatório proporcionar aos jovens este tipo de oportunidades, também sugere que os passeios dos finalistas portugueses não se confinem a Espanha. A Europa tem outros países que merecem ser visitados. E, por fim, igualmente não esquece Portugal. Seria antipatriótico fazê-lo. Existe por aí muita construção que necessita dos melhoramentos que resultam deste tipo de expressão.

Que não haja enganos. Como este tipo de comportamento já está assegurado, devemos garantir a sua perpetuação. O Portugal de amanhã, tal como o de hoje, agradecerá.

Conto com a vossa assinatura!


Offshores, declarações e António Costa

Off Ac

Dando continuidade à sua habitual postura de diversão, os socialistas, resolveram puxar para os holofotes a questão das offshores e das declarações. Infelizmente para eles, fizeram-no sem medir as devidas consequências acabando por manifestar mais um exemplo de incompetência e de falta de vergonha na cara.

Do ponto de vista político, este tipo de comportamento é deplorável. Do ponto de vista técnico, só existirá dolo na eventualidade dos impostos não terem sido, ou serem, cobrados. Felizmente para este executivo, o governo liderado por Passos Coelho alargou os prazos para este tipo de circunstâncias. Como tal, os impostos só ficarão por pagar se o governo de António Costa não fizer o que lhe compete.

À semelhança do que se verifica com a austeridade, que aplicam com muito mais intensidade, também é na vigência do governo de António Costa que 90% das declarações problemáticas aconteceram.

“Um documento ontem enviado pelo governo ao Parlamento com as datas das vinte declarações com transferências para offshores que ficaram fora do radar da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) revela que a maioria delas deveria ter sido escrutinada já com o atual governo em funções (tomou posse em 26 de novembro de 2015).”

Por outras palavras, as declarações não ficaram presas em lado nenhum. Poderão, eventualmente, ter sido declaradas fora do prazo.

O artigo também acrescenta que “a cronologia funciona assim: as transferências feitas num determinado ano têm de ser reportadas à AT até junho do ano seguinte. E depois, no fim do ano, a AT trata-as, para apuramento de eventual receita fiscal.”

Neste tipo de casos, temos que ter em mente dois momentos distintos, normalmente não coincidentes: primeiro, o momento da ocorrência (das transferências); e, segundo, o momento em que se tornam conhecidas da AT.

Como a livre circulação de capitais não proíbe as transferências, a data da sua ocorrência é secundária, tornando relevante o momento em que, no cumprimento da lei, as transferências são declaradas ao fisco através do registo obrigatório (informático).
A AT só pode trabalhar informação depois de a receber. Como esta só foi comunicada na vigência do actual governo …

O que fica em aberto é saber se a informação transmitida à AT cumpriu os prazos legais previstos?  Se não cumpriu, para além de eventuais coimas, também os agentes financeiros, i.e., bancos, são solidariamente responsáveis pelo pagamento de todo e qualquer imposto devido. Mas isso são contas de outro rosário …

O que é de realçar é o comportamento deplorável deste governo, que, como habitualmente, não tem culpa de nada. São sempre os outros!


Mónica Ferro

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Soube-se hoje que a Mónica Ferro, após vencer  um concurso com mais de 100 concorrentes, foi nomeada directora europeia do fundo das Nações Unidas para a população. Ou seja, é única e exclusivamente devido ao seu mérito, e sem qualquer tipo de favores políticos, que a Mónica Ferro ascende ao importante cargo de Directora da Representação Regional em Genebra do Fundo das Nações Unidas de Apoio à População.

Conheci a Mónica Ferro em 2006, quando frequentamos juntos o curso para Auditor da Defesa Nacional. A empatia e o respeito foram imediatos e recíprocos. A Mónica é uma pessoa altamente qualificada, inteligente, motivadora e, sobretudo, integra que vai agora dirigir uma causa em que sempre acreditou.

Não posso estar mais orgulhoso. Para além se ser  integralmente merecido também é o reconhecimento de alguém que sempre acreditou nestes valores e a quais se dedicou toda a vida.

Mónica, não tenho a menor dúvida que vais contribuir para a diferença e que o irás fazer de coração aberto.

Obrigado!


Mais um exemplo da falta de vergonha bloquista!

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Mariana Mortágua, um dos rostos da moral com pés de barro bloquista, não consegue expressar a realidade. Até aqui não estamos perante nada de novo. Se é verdade que existe uma separação entre a realidade e a política, tal asserção, relativamente ao BE e aos seus representantes, atinge uma amplitude incomensurável. Para os bloquistas, a única realidade que existe é a deles e mais nenhuma!

Neste video, confrontada com as perguntas, a Mortágua engasga-se e limita-se ao habitual pensamento circular que não leva a lado nenhum.

Nem vértebra, nem coluna. A lapidação já consumiu a coerência há muito. Se é que esta alguma vez existiu.

E nem vou referir a questão dos princípios, ou falta deles …