Na base do conhecimento está o erro

Posts tagged “iniciativa liberal

“Isto é Gozar com quem Trabalha” – João Cotrim de Figueiredo

JCF IL

Sou suspeito, obviamente, mas o João Cotrim de Figueiredo esteve muito bem na entrevista que o Ricardo Araújo Pereira (RAP) lhe proporcionou, no “Isto é Gozar com quem Trabalha“.

Não só foi objectivo e claro como igualmente desmistificou a maioria das críticas ao que a Iniciativa Liberal defende.

Contudo, não tenho apreciado, nem gostado da generalidade dos comentários respeitantes ao RAP, o qual, apesar de ser de esquerda, não deixa de convidar pessoas de outras áreas ideológicas para o(s) seu(s) programa(s).

Nesse sentido, para além dum agradecimento – é, praticamente, o único que convida a IL (ou os seus representantes) para programas de televisão – desejo reconhecer uma atitude de pluralidade por parte de RAP.

Parabéns, João!

Obrigado, Ricardo!


Discurso encerramento Congresso PSD

RRencPSD

O discurso de Rui Rio no encerramento do Congresso do PSD não passou de uma simples descrição dum diagnóstico. Referiu especialmente duas situações concretas: Reformas do sistema político e judicial. Pergunto-me se, em ambos os casos, não se terá inspirado nas propostas eleitorais da Iniciativa Liberal?

É curioso, ou talvez não, que Rio não tenha mencionado a questão do financiamento dos partidos, nomeadamente os benefícios fiscais, nem a polémica que envolve a justiça portuguesa devido à mais recente decisão da Procuradora-Geral da República.

Apesar das críticas feitas ao governo de António Costa, não deixei de ter a sensação que Rui Rio está disponível para substituir a geringonça por um novo bloco central. O tempo o dirá.

Ao reflectir sobre o que ouvi, percebo que não há grande distinção entre o PSD e o PS e que Portugal não mudará enquanto o socialismo e/ou a social-democracia forem poder.

Só políticas e medidas liberais o farão.


Galamba, o lítioso

Litioso

Em 2012, o Governo de Passos Coelho, já sabendo que em 2019 João Galamba iria ser secretário de Estado Adjunto e da Energia, obrigou-o a dar uma concessão de (+/-) 300 M€ a uma empresa relâmpago (criada 3 dias antes da atribuição da concessão) com um capital de 50 mil euros.

É, segundo admissão do próprio Galamba, mais ou menos isto.

P.S. – No seu programa eleitoral, a Iniciativa Liberal apresentou uma proposta “Transparência nas Compras do Estado” que visa precisamente este tipo de casos: detectar as “empresas de conveniência”.

 


Raquel Varela à beira-mar

Existirá sempre que se comporte como o velho do Restelo, estático, à beira-mar, que ignora a dinâmica e a beleza do esplendor que pulsa para além do horizonte. O liberalismo é um desses pulsares.

Raquel Varela considera que a Iniciativa Liberal (IL) é ou está na extrema-direita. A veracidade da afirmação pode depender do ponto de observação e da distância face à linha do horizonte. Vamos testá-la.

Primeiro, presumindo que a Raquel Varela está a fazer considerações políticas e ideológicas, vamos recorrer à ciência política e fazer uso de um sistema que resulta, particularmente, dos trabalhos de Leonard W. Ferguson (1950), Hans Eysenck (1956), Milton Rokeach (1973) e Hannah Arendt (1951), o espectro político.

O espectro político é um sistema que caracteriza e classifica as diferentes posições políticas através de um ou mais eixos. Neste sistema é comummente aceite que o socialismo e as suas variações ficam à esquerda e que à direita está o conservadorismo e as respectivas variações. E, invariavelmente, tanto a esquerda como a direita terão extremos. O liberalismo e as suas variações ficam no centro do eixo. Ora, defendendo o ideário e os princípios liberais, a IL, que advoga, acima de tudo, a liberdade e a correspondente responsabilidade, é reconhecida como um partido liberal. Logo, neste contexto, a afirmação da Raquel Varela é um perfeito disparate.

Segundo, como estamos a tecer considerações sobre posicionamento(s), creio que será útil ter em consideração outras áreas do conhecimento – geografia e perspectiva – para aprofundar a nossa reflexão. Para tal, faremos uso da linha do horizonte.

A linha do horizonte é uma linha imaginária que está dependente do local onde se encontra o observador e da sua altura. Naturalmente, quanto mais alta for a pessoa, maior será a distância. Por exemplo: para um observador que meça 1,80 metros, de pé, na praia e ao nível do mar a linha do horizonte estará a 4,79 quilómetros de distância. Se assumirmos que a Raquel Varela mede 1,70 metros, então a linha do horizonte ficará a 4,66 quilómetros.

Identificados estes critérios, vamos desenvolver o problema. Para o efeito, precisamos de equacionar uma distribuição parlamentar dos partidos políticos. Assim, uma vez mais baseados no espectro político, é plausível assumir que, no hemiciclo parlamentar, a IL ficará localizada à direita do PSD e à esquerda do CDS, sendo que a distribuição poderá ser, da esquerda para a direita, a seguinte: BE, PCP, Livre, PS, PAN, PSD, IL, CDS e Chega. Estabelecida a distribuição e considerando que o ponto de observação está no local onde se posiciona o Presidente da Assembleia da República, i.e., a uma distância muito próxima, percebemos que, para além dos grupos parlamentares estarem dispostos em curva, a proximidade permite visualizar os deputados individualmente pelo que a separação espacial entre os diversos grupos parlamentares poderá ser mínima.

Para transpor esta distribuição parlamentar para a praia, ao nível do mar, é necessário alterar a forma (curva para recta) e aumentar a distância entre os grupos parlamentares para os distinguir. Assim, determinando um espaço de 666 metros entre cada grupo, e supondo que a Raquel Varela está posicionada à esquerda do BE, então é verdade que a IL está na extrema-direita porque situar-se-á na linha do horizonte da Raquel Varela que, ao atingir o seu limite de visão, ficará impedida de ver os deputados do CDS e do Chega.

Só aqui, nesta hipótese, é que a IL poderá estar na extrema-direita. O leitor mais atento poderá perguntar-se por que razão só neste contexto é verdadeira a afirmação da Raquel Varela? Em primeiro lugar, porque estes valores obedecem à condição imposta pela circunferência do nosso planeta. Se a Raquel Varela estiver na Lua ou Marte, a hipótese deixa de ser verificável. Em segundo lugar, é preciso imaginação (ou, se preferirem, ver para além do horizonte) para considerar este tipo de possibilidade. Finalmente, porque a hipótese é uma fantasia. O objectivo não é a localização espacial, mas antes o posicionamento político. Tal como afirma nos seus valores e princípios, também no Parlamento a IL jamais estará na extrema-direita.

 

Texto publicado no Observador


Sobre o liberalismo que a IL defende.

A IL está a ser continuamente atacada por ser liberal nos costumes. Curiosamente, ou não, estes ataques são feitos por apoiantes do Chega. Note-se que o adversário da IL é o socialismo. Todo e qualquer socialismo, incluindo o PSD que Rui Rio afirmou (e bem) ser de esquerda. Não me parece que o Chega seja um partido socialista.

O Chega também não é um partido liberal. Adoptou algumas ideias de liberalismo económico, mas na sua essência impera o conservadorismo. Perante o comportamento que evidenciam alguns dos seus apoiantes são mesmo ultraconservadores e tão intolerantes ou intransigentes como aqueles que dizem combater. Fazendo uso da história, estamos perante potenciais herdeiros do Miguelismo e/ou de pessoas que não se importariam nada de viver numa teocracia católica.

Um Estado conservador, à semelhança dum estado marxista, também procura condicionar a esfera e o comportamento do indivíduo. Como bem sabemos, não existem apenas ditaduras de esquerda.

Dito isto, vamos aos pontos.

Há uma diferença substancial entre uma opção individual e a sua prática dentro dos limites do individuo, que deve ser integralmente respeitada por todos, e querer impor essa opção aos outros como norma, diminuindo a liberdade e visando uma alteração de comportamentos. A minha opção merece o mesmo respeito que é dado a qualquer outra.

Eu vejo o IL a participar em marchas e paradas para defender o critério da opção e responsabilização individual contra a imposição normativa, e não só, do Estado. Algo está errado quando afirmam que há uma adesão à agenda de esquerda.

Será que os homossexuais são todos de esquerda? Ou ser de esquerda é uma condição para a afirmar da opção de sexualidade? Claro que não. O que nos leva à seguinte pergunta. Sabem qual é o principal problema da direita em Portugal: Falta de comparência.

Quando dizem que o eleitorado da IL não está no BE ou no PAN, eu não concordo. É claro que também está. Não totalmente, é certo, mas não deixa de estar. Alguns desses jovens que são votantes no PAN ou no BE, e que não são de esquerda, fazem-no porque na direita não encontram quem responda às suas expectativas. Para além disso, qualquer voto que a IL vá buscar ao PAN e/ou ao BE é menos um voto na esquerda.

Se é verdade que há pouco conhecimento do que é o liberalismo e as suas correntes, também é verdade que a IL tem possibilitado a divulgação das ideias liberais a muitas pessoas. Principalmente aos curiosos que se aproximam de nós.

Por fim, a IL defende um estado mínimo. Não defende o fim do Estado.

 

P.S. – Esta reflexão resulta duma troca de ideias com o João Pereira da Silva, que em boa hora conheci.


Para 2018? Um Portugal mais Liberal!

IL 2018.jpg


2017 … em jeito de balanço

 Lideres partidários.gif

(Foto Observador)

Em 2017, Portugal continuou a experimentar a falta de austeridade fiscal da geringonça. António Costa, e os seus apoiantes parlamentares da esquerda, apregoam aos sete ventos que as condições e realidades do país são outras, mas, sem qualquer cuidado estrutural, aumentam as comparticipações sociais como se não houvesse amanhã. Assim, em 2017, arrecadaram-se impostos como nunca até então. Disfarçados, diga-se, porque se devem ao aumento dos impostos indirectos. Ou seja, a geringonça diz que a austeridade é passado, mas a nível fiscal nunca foi presente ou sentida.

Para o Primeiro-Ministro, 2017 foi um ano saboroso. Para os portugueses foi dantesco. A governação digital, que visa exclusivamente as redes sociais, atingiu o seu zénite. Esta, aliada ao aumento de despesas direccionadas para coisas supérfluas, como o emprego partidário no Estado, e a pressupostos integralmente ultrapassados que apenas servem para justificar as decisões de António Costa enquanto ministro de anteriores governos – SIRESP, Kamovs e afins – tem destas coisas. Para além de originar um crescente distanciamento entre governo e governados, entre virtualidade e realidade, provoca discrepâncias entre o timing e a aplicação das decisões. Como tal, Portugal teve a “pior época de incêndios” da sua história. Ignorando avisos desde 2009, e apesar da promessa que fez de “acabar com os incêndios” em 2016, o Primeiro-Ministro viu-se a braços com o ano mais trágico de sempre. Mais de 100 vítimas humanas, sendo que as de outubro poderiam ser sido evitadas se os pressupostos do governo, que demonstraram já estar errados em Junho, não tivessem sido mantidos. Claramente, António Costa não gosta de reconhecer erros. Como tal, manteve Constança Urbano de Sousa como Ministra da Administração Interna até ter sido obrigado a demita-la, manteve Azeredo Lopes como Ministro da Defesa depois de várias trapalhadas, incluindo o episódio do furto e da multiplicação do material de guerra de Tancos e, mais recentemente, manteve a confiança em Vieira da Silva depois do conhecimento do caso “Raríssimas” e de outros “favorecimentos” financeiros que envolvem familiares deste ministro.  E, na sequência deste caso, os portugueses interiorizaram que estas situações são habituais. O que nos leva à seguinte ponderação: Durante o Estado Novo havia nepotismo, favorecimento ilícito, corrupção, leis feitas à medida, cartéis, etc. Então, considerando a nossa realidade, devemos viver no Estado Velho!
(Numa breve nota virada para o futuro, parece-me que António Costa está cansado da geringonça e que está a aguardar pela futura liderança do PSD).

Sobre o BE e o PCP pouco à dizer. Os partidos antidemocráticos não são pluralistas e não gostam de mudança. O PCP é imutável e o BE que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, continua a ser dirigido por Francisco Louçã estão envolvidos numa disputa sindical que poderá ter consequências muito graves no futuro da Autoeuropa. Para além disso, acresce que ao apoiarem parlamentarmente o governo de António Costa e tendo em mente as propostas (e chantagens) que fazem, BE e PCP passaram a ter responsabilidades pelas decisões governativas.

Os resultados das legislativas de 2015 nunca foram bem aceites pelo PSD. Enquanto oposição, a capacidade de Pedro Passos Coelho e do PSD chegar aos portugueses diminuiu consideravelmente. A comunicação foi francamente má e a gestão dos sociais-democratas nas eleições autárquicas foi desastrosa. Na sequência das mesmas, demonstrando sentido de responsabilidade, Pedro Passos Coelho decidiu não se recandidatar à liderança do PSD. Esta decisão abre caminho a uma possível união interna. Todavia, tendo em mente a postura das duas candidaturas, tal não parece vir a acontecer. Como tal, a fragmentação e divisão interna que se verifica no PSD desde que Manuela Ferreira Leite foi eleita líder do PSD, irá manter-se.

Contrariamente ao PSD, o CDS reagiu melhor aos resultados de 2015, e, sob a liderança de Assunção Cristas o partido transfigurou-se. 2017 foi, para o CDS, um ano espetacular. Para além do excelente resultado que alcançou nas últimas autárquicas, o CDS, juntamente com o PAN, esteve do lado certo ao não votar favoravelmente as alterações que foram feitas à lei do financiamento dos partidos políticos. Habitualmente, os partidos políticos são incapazes de reconhecer uma réstia de mérito nas propostas que são feitas pelos seus adversários. Contudo, não há dúvida que o dinheiro que os partidos recebem dos contribuintes portugueses é milagroso. Uniu o PS, PSD, PCP, Bloco e PEV!

No entanto, nem tudo é mau na política portuguesa. Os cidadãos começam a mobilizar-se e a organizar-se. Rui Moreira constituiu uma associação cívica “Porto, o Nosso Movimento”, visando a intervenção cívica dentro e fora da cidade do Porto. Claramente, este projecto possuiu potencial partidário. Pelo menos, mais do que a outra associação recentemente criada, a “Associação Por uma Democracia de Qualidade”, fundada por António Mocho, Henrique Neto, José António Girão, José Ribeiro e Castro, Luís Alves Monteiro e Luís Mira Amaral.

Por fim, Portugal tem um partido liberal. A Iniciativa Liberal (IL) é o vigésimo segundo e o mais recente partido político português. Como já referi, uma das grandes vantagens que a decorre daqui é que a existência dum partido liberal irá ajudar a clarificar o espectro partidário português. Trata-se, portanto, duma alteração sistémica e do colmatar duma lacuna no espectro político português. Para além disso, a IL é um partido liberal que reconhece o valor do liberalismo social.

Com mais ou menos rostos novos, a acção política promete em 2018!