Na base do conhecimento está o erro

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Impostos e Manifestos

 

Há dois meses, surgiu o Manifestos dos 70. Estão recordados? Ainda se lembram dos subscritores?

 

 

Ontem, através do Documento de Estratégia Orçamental, o Governo português anunciou mais uma subida de impostos: 0,25% no IVA e 0,20% na TSU.
Tudo isto para a “nova contribuição de sustentabilidade”, cujo benefício teórico, pelas minhas contas, se traduz em 37 milhões de euros.

Mas, seguindo os critérios agora divulgados, digam-me lá quem é que ficou favorecido por este aumento de impostos?
Os que escrevem manifestos, os que falam de conspirações ou os contribuintes anónimos?

Não posso deixar de perguntar se não seria este o verdadeiro objectivo do manifesto?
Para além disso, fundações que só servem para poucos, e nas quais alguns dos subscritores do Manifesto fazem parte, também passam incólumes.
(Por favor, notem que eu não falo este tipo de “politiquês”!)

Contudo, evidentemente, outras leituras serão possíveis.

Eventualmente, esta será a principal conclusão: Não basta reclamar. Há que saber como e ter “estatuto”.

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Não é só Pilatos quem lava as mãos

Só agora consegui acabar de ler o manifesto pela reestruturação da dívida (mrd), claramente o assunto do dia, e vou ter pesadelos toda a noite. Espero, sinceramente, que os mesmos não se prolonguem para a vida dos meus filhos.

Já reli o mrd. De fio a pavio. Estamos perante mais uma pouca vergonha. Ora vejamos. A certa altura, lê-se no documento o seguinte: “A crise internacional iniciada em 2008 conduziu, entre outros factores de desequilibrio, ao crescimento sem precedentes da dívida pública”

Pelos vistos, até 2008, Portugal não tinha uma dívida insustentável. Tinha dívida, sendo que a mesma já implicava um incumprimento relativamente aos critérios do Pacto de Crescimento e de Estabilidade da moeda única, mas não era insustentável. Só depois desta crise (2008) é que tal se verificou.

Alguém é capaz de me dizer quem foi responsável pela gestão dívida portuguesa desde que aderimos ao euro até 2008? Mas, já agora, não querendo ser mesquinho ou discriminar alguém, podemos considerar todo o tempo da terceira república? Alguma destas pessoas que subscreve o manifesto teve responsabilidades governativas?

E, apelando à indulgência dos promotores desta iniciativa, poderão esclarecer-me porque é que Portugal tinha dívida?

Já não tenho qualquer dúvida. Não é só Pilatos quem lava as mãos.

P.S. – Tive que reler o mrd várias vezes, por não acreditar no que estava a ler.