Na base do conhecimento está o erro

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No limite, não existe (mesmo)!

CUSousa

Constança Urbano de Sousa, Ministra da Administração Interna do XXI governo constitucional de Portugal, afirmou hoje à RTP que “com um número tão elevado de ocorrências não existe nenhum dispositivo à face da terra que possa fazer face a este número elevado”.

Desconheço se alguém exigiu à Ministra um registo 100% imaculado. Duvido que tal tenha acontecido. A perfeição é algo incompatível com a condição humana. Contudo, espero que lhe tenham pedido para fazer o melhor possível e, sobretudo, para aprender com os erros cometidos. Menos do que isso é inaceitável.

Perante esta afirmação, três observações devem ser feitas.

Primeiro, que a frase da Ministra é claramente mais uma desculpa do que uma evidência. Constança Urbano de Sousa só está a expressar e/ou a reiterar a sua falta de capacidade para exercer este cargo – e, já agora, qualquer outro cargo público em democracia – pois não está disponível para ser responsabilizada. Nem para aprender. Como não fez nada, nada tem a corrigir.
Segundo, não percebo porque existem bombeiros e protecção civil? Nem, no limite, ministros da administração interna? Constança Urbano de Sousa já deveria ter interiorizado que as desculpas não resolvem os problemas. Antes pelo contrário. As desculpas só conduzem ao laxismo.
Terceiro, face à falta de meios, faça alguma coisa. A indecisão não leva a lado nenhum. Estabeleça prioridades e faça as triagens necessárias e possíveis. Tome decisões, mas assuma as responsabilidades. Verá que esta postura será mais compreendida pelos portugueses.

Constança Urbano de Sousa deveria ser eternamente grata aos bombeiros e à protecção civil, que são verdadeiramente incansáveis. Sem eles, estaríamos mesmo no inferno. E igualmente deveria perceber que “mão criminosa” não é justificação nem desculpa a inacção!

Conforme referi acima, não acredito que alguém tenha exigido à ministra para ser perfeita. Já o melhor possível não tenho a menor dúvida que lhe tenha sido pedido.

Todavia, se isto é o melhor que Constança Urbano de Sousa sabe fazer, a ministra, no limite, não existe mesmo.

 

 


Mais um saneamento político

LMGonçalves

Conheci a Luísa Maia Gonçalves em 2006, quando ambos frequentamos o curso para Auditor de Defesa Nacional do Ministério da Defesa Nacional. Devido às circunstâncias geográficas – eu estar no Porto e ela em Lisboa – os meus contactos com a Luísa foram breves, praticamente só acontecendo quando existiam semanas de trabalho conjunto. Tive até algumas divergências com ela. Mas a Luísa mereceu sempre o meu respeito e sempre me pareceu uma funcionária dedicada.

Quando soube que tinha sido nomeada diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), fiquei muito satisfeito, assumindo que a nomeação decorria do bom trabalho desempenhado pela Luísa. E foi por esse mesmo motivo que a Ministra da Administração Interna a escolheu para o cargo.

Não consigo esconder a minha estupefacção pela sua demissão. E muito menos ainda pelos motivos apresentados: “incumprimento de objetivos”.

Em boa verdade, a Luísa Maia Gonçalves está a ser demitida por ter cumprido as suas funções com rigor e exactidão e por ser prestado um bom serviço a Portugal.

E mal estamos nós, portugueses, quando funcionários públicos dedicados são despedidos por não adequarem os seus pareceres às necessidades e aos interesses legislativos dos partidos, preferindo olhar pelo interesse nacional. Nos tempos que correm, o SEF é uma entidade importantíssima, cuja independência deve ser preservada.

Para além disso, as objecções, fundamentadas, apresentadas pelo SEF contra as alterações à lei dos Estrangeiros vieram a ser confirmadas pela realidade.

Constança Urbano de Sousa não vai ser esquecida tão cedo. Infelizmente, pelas piores razões. São demasiadas asneiras. Asneiras em que é sempre o país que sai prejudicado.