Na base do conhecimento está o erro

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Desvios jornalísticos

Publico

Reparem no cabeçalho em destaque:

“PSD e CDS pagaram 475 mil euros a um publicitário na campanha de 2015”

Contudo, se  continuarem a ler a notícia poderão constatar que o “PS pagou 751 mil euros a um militante pela decoração de salas”.

Quando nos referimos a desvios de comportamento e/ou de conduta, imediatamente fazemos uma conotação à psiquiatria. Ora, neste caso, no que respeita ao comportamento jornalístico, não podemos dizer que se verifica uma postura agressiva ou desafiadora. Mas podemos afirmar que estamos perante um desvio jornalístico que configura uma violação da objectividade e da deontologia inerente ao jornalismo.

O autor deste artigo, assim como a sua chefia ou quem autorizou a publicação, possuem toda a legitimidade para as suas preferências pessoais, políticas e ideológicas. Todavia, não as devem sobrepor ao seu dever de isenção. Claramente, não foi o caso. Se a intenção era salientar os gastos absurdos das campanhas eleitorais, a insensatez do PS é manifestamente superior à dos outros partidos políticos. Assim sendo, porque é que não são os gastos do PS que fazem o cabeçalho?

Não irei discorrer sobre as motivações para este mau exemplo de jornalismo. Creio que as mesmas serão evidentes. Paradoxalmente, casos como este não me surpreendem no”Público”. Em 2008, fui convidado para escrever artigos de opinião no “Público”. A determinada altura fui avisado, por quem de direito, que os meus artigos tinham que ser mais polémicos. Recusei. Não voltaram a publicar os meus artigos de opinião.

Confesso que lamento. Não por deixar de ver publicada a minha opinião, que agradeço ter sido publicada. Tenho pena por aquilo em que o “Público” se transformou.

Por fim, espero que o militante socialista tenha pago os respectivos impostos.


Demos graças aos que sabem tudo!

JN e juiz

Quase que podia ser um comportamento humano. Quase!

Uma das coisas mais difíceis para os humanos é reconhecer os erros. Felizmente, existem pessoas mais humildes que reconhecem os seus próprios erros, pois já interiorizaram que o erro é a base do conhecimento (só podemos saber o que está certo se soubermos o que está errado), e que esse reconhecimento possibilitará o progresso.

O JN, à semelhança de mais algumas entidades análogas, é dirigido por pessoas que são, à falta de melhor classificação, “mais do que humanos”. Como tal, não podem evidenciar comportamento humano porque nunca cometem erros. Daí o quase.

Ontem, apesar de não ter feito o que lhe competia, i.e., certificar-se da credibilidade da informação que lhe foi dada por uma “reputada” fonte governativa, o JN não errou. Foi induzido a errar.

Hoje, o JN continua a errar. Não reconhece que não agiu correctamente, não pede verdadeiramente desculpa pelos danos causados e não revela o nome da fonte governativa, que até ontem era credível. Foi instrumentalizado e tudo o que procura é precaver-se contra um eventual processo.

Demos graças aos que sabem tudo!


Citações (4)

“At any given moment there is an orthodoxy, a body of ideas which it is assumed that all right-thinking people will accept without question. It is not exactly forbidden to say this, that or the other, but it is ‘not done’ to say it, just as in mid-Victorian times it was ‘not done’ to mention trousers in the presence of a lady. Anyone who challenges the prevailing orthodoxy finds himself silenced with surprising effectiveness. A genuinely unfashionable opinion is almost never given a fair hearing, either in the popular press or in the highbrow periodicals.”

George Orwell, 1945, The Freedom of the Press.

“Num determinado momento existe uma ortodoxia, um corpo de ideias que todas as pessoas bem pensantes devem aceitar sem questionar. Não estão proibidos de dizer isto, aquilo ou aqueloutro, mas não é próprio dizê-lo, da mesma maneira que não era próprio mencionar «calças» diante de uma senhora em meados da era vitoriana. Todo aquele que desafia a ortodoxia dominante, dá por si silenciado, com uma eficácia surpreendente. Uma opinião genuína fora da norma, praticamente nunca tem direito a uma audiência justa, tanto na imprensa popular como nos periódicos eruditos.”