Na base do conhecimento está o erro

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Crise? Ainda não, mas está à porta


O JP Morgan Chase, o maior banco de investimento do mundo, surpreendeu o mercado com a apresentação dos seus mais recentes resultados:
perdas superiores a 2 mil milhões de dólares.

No mundo financeiro actual, quando mais elevado for o risco da operação, maior será o lucro obtido.
Daí que não seja de admirar que os bancos pratiquem operações de elevado risco e que igualmente não seja difícil chegar à conclusão que a Direcção do JP Morgan estava ao corrente das operações realizadas pelo seu CIO (Chief Investment Officer), cujas acções encobriu até não poder mais (bastante pior seria admitir que não controlam a empresa que dirigem).

Infelizmente, este tipo de situações demonstra que os bancos não aprenderam nada com o passado recente. Principalmente depois de terem “garantido” o apoio público como resgate.

Também deve ser equacionada a postura dos seus accionistas, que agora processam o banco. Se nada disto tivesse acontecido, continuaria o business as usual.

Infelizmente, as perdas do JP Morgan Chase ainda podem aumentar substancialmente devido às operações de investimento de risco em derivados.

O futuro da bolsa de derivados ou derivativos [ironicamente, futuros e opções mas também termos e swaps (a invenção de uma variação deste instrumento, o credit default swap, foi altamente negativa, pois o seu principal objectivo era a eliminação do risco)] é a destruição da economia.

Salvo erro, a nível global há mais de um trilião de dólares investido na bolsa de derivados.
Que efeitos terá, por exemplo, a queda da Chicago Board of Trade (ou o Chicago Mercantile Exchange, ou o New York Mercantile Exchange), na economia mundial?
Principalmente quando a bolsa de derivados é como um casino, com a particularidade de a casa só parcialmente controlar o jogo, onde apenas se joga roleta russa. Como tal, está sujeita a levar com um tiro na cabeça.

Não podia deixar de voltar a referir o perigo que advém do enorme desiquilíbrio verificado entre os âmbitos económico e financeiro.
Se um negócio é uma transacção que envolve um determinado risco, qualquer mecanismo que venha subtrair esse risco está a desvirtuar a essência da operação, pois dificilmente haverá só partes ganhadoras e havendo-as, o retorno será muito menor do que o investimento. Para além disso, várias questões podem ser consideradas quanto aos prazos já estabelecidos por estes mecanismos. Uma delas é se a continua diminuição de matérias-primas foi contemplada?

Repito o que já referi em vários posts e artigos. Os problemas que vivemos surgiram com a autonomização das finanças face à economia. E, na sua origem está a suspensão unilateral do sistema de Bretton Woods, decidida por Richard Nixon, que acabou com a conversão do dólar em ouro.

Crise? ainda não. Mas está à porta.
(E eu nem quero pensar no que pode ocorrer).

Por fim,  à margem desta temática, existe ainda um factor a referir que é o conflito “surdo” entre o dólar e o euro. É notório que o excessivo défice dos Estados Unidos começa a colocar pressão sobre a sua própria moeda (note-se que parte significativa das perdas da JP Morgan derivam do não enfraquecimento do euro).

Declaração de interesses: Sou liberal. Mas nunca serei neoliberal!


“Economices”

 

Um turista chega a uma pequena cidade e entra num hotel. Na recepção, entrega duas notas de 100 euros e solicita ver um quarto.

Logo que o turista entra no elevador para ir inspeccionar os quartos, o gerente do hotel sai a correr com as notas na mão e dirige-se à mercearia do lado para pagar uma dívida antiga, cuja quantia era de 200 euros.

Surpreendido pelo inesperado pagamento da dívida, o merceeiro aproveita o dinheiro para pagar a um fornecedor um débito de 200 euros que há muito tinha.

Este, por sua vez, pega igualmente nas duas notas e corre à farmácia para liquidar um calote que aí tinha de, imaginem, 200 euros!

O farmacêutico, assim que se vê com as duas notas na mão, corre disparado para uma casa de alterne vizinha para liquidar uma dívida com uma prostituta. Curiosamente, o montade em falta era de 200 euros.

A prostituta agradecida, pega no dinheiro e dirige-se ao hotel, local onde habitualmente levava os seus clientes mas que ultimamente utilizava a crédito tendo acumulado uma dívida de 200 euros. Chama o gerente e colocando as notas em cima do balcão, diz que está a saldar a conta.

Nesse preciso momento, abre-se o elevador e o turista, dirigindo-se à recepção e manifestando o seu desagrado pelo que viu, pega nas duas notas de 100 euros, agradece e sai do hotel.

Ninguém ganhou ou gastou um cêntimo, porém agora toda a cidade vive sem dívidas com o crédito restaurado e começa a ver o futuro com confiança!