Na base do conhecimento está o erro

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Não se admire. Ao invés, recorde-se! (Do not wonder. Instead, remember!)

O Acordo de resgate negociado entre o governo grego (Syriza) e as entidades europeias (troika) será apenas debatido no parlamento de Atenas, i.e., sem ser votado pelos parlamentares.

Há quem defenda que esta decisão está relacionada com a oposição interna a Alexis Tsipras. Contundo, independentemente de a mesma se verificar, este tipo de postura nada tem a ver com a contestação dentro do Syriza. Não se surpreenda. Este é, pura e simplesmente, o comportamento típico das cúpulas da esquerda. É precisamente este tipo de postura que está no seu âmago.

Assim, como este é o habitual modus operandi e vivendi da esquerda, porque razão seria o Syriza diferente?

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The bailout agreement negotiated between the Greek government (Syriza) and the European entities (troika) will only be debated in Athens’ parliament, ie, without a parliamentary vote.

There those who defend that this decision is related with the internal opposition to Alexis Tsipras. However, regardless of whether its occurrence, this kind of attitude has nothing to do with the rising contestation within Syriza. Don’t be surprised. This is plain and simply the typical behavior of left leaderships: vote should be kept to a minimum.
It is precisely this kind of posture that is at its core.

Thus, as this is the usual modus operandi and vivendi, why should be Syriza any different?


Reality shock / Choque de realidade

Syriza rally


Varoufakis
and Tsipras are on the verge of learning (at least, one can expect), how easier and more comfortable is to be opposition.
It is the government that the really tough decisions must and have be made. And usually, the idyllic promises made during election campaigns can not be fulfilled.

Every so often, a shock of reality is indispensable.
While these “Syrizans” characters are being struck by reality, their supporters still were not. Nevertheless, my sympathy goes to all them.

Varoufakis e Tsypras estão prestes a aprender (pelo menos, esperamos), que é muito mais fácil e confortável de ser oposição.
É no governo que as decisões realmente difíceis devem e tem de ser tomadas. E, normalmente, as promessas idílicas feitas durante as campanhas eleitorais não podem ser mantidas.

De vez em quando, um choque de realidade é indispensável.
Embora as personagens “Syrizanas” estejam a ser atingidas pela realidade, os seus partidários ainda não foram. Seja como for, a minha simpatia vai para todos eles.

 


Do Contrato Social grego

Nadia Valavani

 

Segundo a ministra-adjunta das Finanças grega, Nadia Valavani, as dívidas ao fisco e à segurança social na Grécia elevam-se a 76 mil milhões de euros, mas, realisticamente, apenas nove mil milhões de euros podem ser recuperados, ou seja, 11,6% do total.

Entre 1998-2002, frequentei e terminei uma licenciatura em Estudos Europeus. Fiscalidade na União Europeia I e II foram duas das disciplinas curriculares do curso e posso afirmar que já em 1998, dois em cada três gregos (ricos e pobres) não pagavam impostos. Reafirmo que enquanto não conseguirem cobrar e/ou fazer com que os gregos paguem impostos, não há quem os salve. O problema da Grécia é muito mais endógeno do que exógeno.

Até compreendo as razões que estão na base desta decisão. Claro que as mesmas terão consequências. E estas poderão ser intermináveis enquanto não for ensinado ao povo grego o significado de contrato social.

P.S. – A Troika emprestou a Portugal 78 mil milhões de euros


Coherence, consistency and consequences (Coerência, consistência e consequências)

To the best of my knowledge, no one is telling Mr.Tsipras and Mr. Varoufakis they can not fulfil the promises made to the greek people, expressed in Syriza’s political manifesto. They were legitimately elected and must be the first ones to know if it is possible to reconcile such promises with the Greek external obligations.

The greek government is within its rights to stop payments to creditors, an option consistent with the electoral promises.
And if they are not willing to come to terms with the Eurogroup, because of promises made, then they should be consistent with this position and accept the inherent responsibility: Leave the Euro and become the master of their own destiny.

Greece’s problem is much more endogenous than exogenous. Quite naturally, they want and cherish the welfare state. However, Greece is unable to support and sustain its own welfare state due to poor collection of taxes. This is a chronic problem, which the current greek government has not yet addressed.

Ironically, Tsipras and Varoufakis seem to be loyal followers of a german philosopher. Kant believed that one must do what is right regardless of the consequences.
But, in this case, the consequences will be experienced by the greeks.

Be that as it may, Portugal has a lot to gain with this standoff.

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Ninguém diz a Tsipras e Varoufakis que não podem cumprir as promessas feitas ao povo grego, expressas no manifesto político do Syriza.
Eles foram legitimamente eleitos e devem ser os primeiros a saber se é possível conciliar tais promessas com as obrigações externas gregas.

O governo grego está no seu direito de parar de pagamentos aos credores, uma opção consistente com as promessas eleitorais.
E se não estão dispostos a entrar em acordo com o Eurogrupo, por causa de promessas feitas, então eles devem ser coerentes com esta posição e aceitar a responsabilidade inerente: Deixar o Euro e tornarem-se mestres do seu próprio destino.

O problema da Grécia é muito mais endógeno do que exógeno. Muito naturalmente, os gregos querem e valorizam o estado social. No entanto, a Grécia é incapaz de apoiar e sustentar seu próprio estado social devido à má cobrança de impostos. Este é um problema crônico, que governo grego atual ainda não abordou.

Ironicamente, Tsipras e Varoufakis parecem ser fiéis seguidores de um filósofo alemão. Kant acreditava que um deve fazer o que é certo, independentemente das consequências.
Mas, neste caso, as conseqüências serão sentidas pelos gregos.

Seja como for, Portugal tem muito a ganhar com este impasse.


Quando a Grécia vetou a entrada de Portugal (e da Espanha) na CEE

No dia 5 de Dezembro de 1984, uma das manchetes do Diário de Lisboa era:

“Chantagem em torno da adesão de Portugal e da Espanha.
Grécia quer 700 milhões de contos
em troca do alargamento da CEE”

Jacques Delors negociou um pacote de medidas beneficiando a Grécia. Alguém sabe, ou lembra-se, quem pagou o montante que permitiu a adesão dos países ibéricos à CEE?

“But West Germany linked its acceptance of that plan to a successful conclusion of the negotiations with Spain and Portugal, saying it would refuse to pay more unless the 10 members agreed to admit the two countries at the start of next year. “

Haja memória!


(A nova) Tolerância tuga

Os gregos podem votar no Syriza.
Os alemães não podem votar na Merkel.


O que é um fim digno?

“O governo de ocupação de Tsolakoglou retirou-me o meu último meio de sobrevivência – uma pensão de reforma inteiramente financiada por mim (sem qualquer apoio do Estado) ao longo de 35 anos.
Uma vez que a minha idade não me permite recorrer à força (ainda que, se algum compatriota pegasse numa Kalashnikov, eu seria o primeiro a juntar-me a ele), não encontro outra solução que não seja procurar um fim digno, antes de me ver forçado a vasculhar no lixo em busca de comida.
Acredito que, um dia, a nossa juventude sem futuro pegará em armas e pendurará os traidores desta nação de cabeça para baixo na Praça Syntagma, como os italianos fizeram em 1945 com Mussolini (na Piazza Loreto, em Milão).”

Ontem suicidou-se um cidadão grego em plena Praça Syntagma, defronte do Parlamento Grego, deixando com ele a carta/bilhete acima reproduzida.

Pessoalmente, considero que há sempre uma opção relativamente às adversidades da vida. Contudo, não questiono a opções de terceiros e espero, sinceramente, nunca ser confrontado com as circunstâncias que este homem viveu.
Ora, segundo um Estudo da Universidade de Cambridge, publicado na Lancet, o número de suicídios aumentou significativamente na Grécia, devido à crise social que aquele país atravessa, pelo que, aparentemente, o mesmo não é novidade.
Aceito perfeitamente, apesar da minha formação católica,  que existam situações em que o suicídio seja um fim digno.
Mas quando o mesmo é transformado num espetáculo, tenho as minhas duvidas.

P.S. – Também não gostei nada do espetáculo feito com o enforcamento de Saddam Hussein e a execução de Kadhafi. Toda a morte deve ser digna.


Até que enfim!

Não creio que o referendo decidido pelo governo grego seja uma má ideia. Até considero que é uma brilhante posição política.

Papandreou, através do referendo, apenas permite ao povo ser ouvido e partilha com a população a responsabilidade.
Trata-se de democracia em acção.

Quais são os efeitos desta decisão?
Internamente, qualquer que seja o resultado do mesmo, irá clarificar a situação e pode muito bem acalmar a população, permitindo que o executivo grego – este ou outro – possa trabalhar em paz. Na falência ou não.
Externamente, como não me parece que a saida da Grécia do euro seja por si só suficiente para o colapso do sistema, creio que servirá para aliviar a pressão sobre os restantes países e levará à concentração de esforços.

Sim, é verdade que os mercados já se estão a manifestar. Mas deixariam de o fazer? É evidente que não. Podem é estar a perder a possibilidade de continuar a fazer tanta especulação.

Por fim, se, eventualmente, a população grega preferir sair do euro também é melhor que o faça já.

P.S. – verdade seja dita, estava a ser exigido ao Governo grego fazer o que nem Merkel ou Sarkozy seriam capazes de fazer! Independentemente disto, também há aqui uma quota de chantagem.