Na base do conhecimento está o erro

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Dos limites da subversão

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A Autoridade Tributária e Aduaneira, vulgo fisco, planeia ter acesso total às contas bancárias dos contribuintes portugueses em 2017. Visando tal fim, Rocha Andrade, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF), remeteu um anteprojecto de Decreto-Lei à apreciação da Comissão Nacional da Protecção de Dados (CNPD). Datado de 5 de Julho, o parecer n.º 22/2016, da CNPD, é demolidor com o conteúdo do anteprojecto do Governo, salientando, para além da inconstitucionalidade, a violação dos direitos fundamentais e da reserva da vida privada.

Sagazmente, a CNPD, que já percebeu que o governo, por acção do SEAF, irá legislar neste sentido, recomendou a inclusão de um mecanismo que previna a repetição de situações passadas. Infelizmente, avisos como estes dificilmente serão seguidos por este governo. O seu registo de respeito pela legislação, principalmente no que respeita ao comportamento dos seus membros, fala por si. Há ViPs e VIPs!

Perante esta postura, poderíamos ser levados a pensar que somos governados por desconfiados. Afinal de contas, independentemente duma eventual mimética comportamental praticada por alguns cidadãos, o governo parece não confiar nos contribuintes e aparenta partir do princípio que os portugueses enganam e escondem. Todavia, isto não é apenas uma questão de desconfiança.

Se tivermos em consideração alguns dos significados do termo subversão – a)Insubordinação; oposição a normas, autoridades, instituições, leis; b) Perturbação; ação ou efeito de perturbar o desenvolvimento normal de alguma coisa; c) Conjunto dos procedimentos que visam a queda de um sistema político, econômico ou social: subversão política; d) Destruição; ação de destruir, de aniquilar, de derrubar; e) Alteração ou aniquilamento de uma ordem estabelecida – poderíamos igualmente ser levados a pensar que somos governados por uns meros insubordinados. Contudo, também não estamos perante um simples desrespeito pela lei.

Não. O contexto é mais complexo. Implica uma dimensão psicológica.

Em psicologia, «projecção» é um termo utilizado para descrever um mecanismo de defesa pelo qual uma pessoa atribui a terceiros as suas próprias características e/ou motivações, particularmente mentais e emocionais, independentemente das mesmas serem indesejáveis ou inaceitáveis.

Para além duma propensão natural para o controlo do individuo que se verifica na ideologia socialista, a verdade é que o Governo toma iniciativas como esta porque os seus membros não são de confiança. Continuamente são apanhados na prática de comportamentos reprováveis que demonstram um comportamento de abuso de poder, de dissimulação e de engano e, sobretudo, de sucessivo desrespeito pelas normas. Infelizmente, este tipo de comportamento tem uma consequência dual. Em primeiro lugar, ilude quem o pratica, que passa a considerar-se intocável. Em segundo lugar, transmite um exemplo de comportamento negativo que pode ser, e certamente o será, replicado por alguns cidadãos.

Somos governados por um bando de subversivos que se crê inimputável, que não confia nos outros porque não é de confiança, que exige o que não pratica, que desconhece a legislação portuguesa e que está disposto a exceder os limites da subversão, incluindo o romper do Estado de Direito e da lei, da liberdade e da privacidade individual, para obter o que desejam.

Nota final: já há alguns anos que argumento que caminhamos para um mundo menos liberal, onde as liberdades individuais serão restringidas. O Patriot Act foi apenas o início. E, em alguns casos, serão os cidadãos a exigir tal diminuição de liberdade. Sempre argumentei que a segurança seria a causa da diminuição da liberdade individual. Pelos vistos …

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Crise? Ainda não, mas está à porta


O JP Morgan Chase, o maior banco de investimento do mundo, surpreendeu o mercado com a apresentação dos seus mais recentes resultados:
perdas superiores a 2 mil milhões de dólares.

No mundo financeiro actual, quando mais elevado for o risco da operação, maior será o lucro obtido.
Daí que não seja de admirar que os bancos pratiquem operações de elevado risco e que igualmente não seja difícil chegar à conclusão que a Direcção do JP Morgan estava ao corrente das operações realizadas pelo seu CIO (Chief Investment Officer), cujas acções encobriu até não poder mais (bastante pior seria admitir que não controlam a empresa que dirigem).

Infelizmente, este tipo de situações demonstra que os bancos não aprenderam nada com o passado recente. Principalmente depois de terem “garantido” o apoio público como resgate.

Também deve ser equacionada a postura dos seus accionistas, que agora processam o banco. Se nada disto tivesse acontecido, continuaria o business as usual.

Infelizmente, as perdas do JP Morgan Chase ainda podem aumentar substancialmente devido às operações de investimento de risco em derivados.

O futuro da bolsa de derivados ou derivativos [ironicamente, futuros e opções mas também termos e swaps (a invenção de uma variação deste instrumento, o credit default swap, foi altamente negativa, pois o seu principal objectivo era a eliminação do risco)] é a destruição da economia.

Salvo erro, a nível global há mais de um trilião de dólares investido na bolsa de derivados.
Que efeitos terá, por exemplo, a queda da Chicago Board of Trade (ou o Chicago Mercantile Exchange, ou o New York Mercantile Exchange), na economia mundial?
Principalmente quando a bolsa de derivados é como um casino, com a particularidade de a casa só parcialmente controlar o jogo, onde apenas se joga roleta russa. Como tal, está sujeita a levar com um tiro na cabeça.

Não podia deixar de voltar a referir o perigo que advém do enorme desiquilíbrio verificado entre os âmbitos económico e financeiro.
Se um negócio é uma transacção que envolve um determinado risco, qualquer mecanismo que venha subtrair esse risco está a desvirtuar a essência da operação, pois dificilmente haverá só partes ganhadoras e havendo-as, o retorno será muito menor do que o investimento. Para além disso, várias questões podem ser consideradas quanto aos prazos já estabelecidos por estes mecanismos. Uma delas é se a continua diminuição de matérias-primas foi contemplada?

Repito o que já referi em vários posts e artigos. Os problemas que vivemos surgiram com a autonomização das finanças face à economia. E, na sua origem está a suspensão unilateral do sistema de Bretton Woods, decidida por Richard Nixon, que acabou com a conversão do dólar em ouro.

Crise? ainda não. Mas está à porta.
(E eu nem quero pensar no que pode ocorrer).

Por fim,  à margem desta temática, existe ainda um factor a referir que é o conflito “surdo” entre o dólar e o euro. É notório que o excessivo défice dos Estados Unidos começa a colocar pressão sobre a sua própria moeda (note-se que parte significativa das perdas da JP Morgan derivam do não enfraquecimento do euro).

Declaração de interesses: Sou liberal. Mas nunca serei neoliberal!


Luis Figo ou dinheiro a quanto obrigas

(clicar na imagem)

Também foi enganado. O Sócrates não perdoa!


(in)flexibilidade

 

O Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou ser inflexível quanto ao défice.

“Sim, sou inflexível: o défice tem que ser de 4,6%”

Muita atenção, porque a inflexibilidade deste homem implica uma amplitude maior do que a do espectro eletromagnético.

Assim, é muito provável que quando este Ministro diz défice de 4,6% queira realmente dizer défice de 10%.

 


Braços Cruzados

Para além de alguns “excessos”, característicos da sua personalidade, nada a dizer das análises do Medina Carreira.

Nos últimos tempos, a única coisa que não gostei de ouvir dele foi, numa entrevista com o Mário Crespo, ter afirmado que dificilmente iria votar.

Só há duas maneiras de modificar as coisas:
através do sistema, exercendo o voto;
ou alterando o sistema.

Como os detentores da capacidade de alterar o sistema não o fazem pois serão os principais prejudicados, só através duma revolução é que o sistema será modificado.

Sempre que pessoas esclarecidas afirmam que não votam, lembro-me de Edmund Burke:
“Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”.

Não votar é ficar de braços cruzados, permitindo que outros decidam, por nós, o nosso futuro.


Crise financeira nos EUA

O Ministro das finanças, Teixeira dos Santos, manifestou a sua surpresa pela duração da crise financeira nos Estados Unidos.
Não sei quem o anda a aconselhar.

Apenas espero que não nos aconteça o que aconteceu aos nossos avós.
Há demasiados paralelismos …