Na base do conhecimento está o erro

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Europeias 2014 – Vencedores

Marinho Pinto (MPT), PS e PCP.

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Europeias 2014 – Derrotados

Dos candidatos:

 PAN, Livre, BE e a Aliança Portugal

Dos não-candidatos:
O povo português, pelo elevada abstenção


Marinho Pinto, MPT e as europeias

MPT mp

A Cooperativa do Povo Portuense, promoveu, numa iniciativa de classifico de utilidade pública, um ciclo de conferências com candidatos às eleições europeias do próximo dia 25 de Maio.

O convidado de ontem, foi Marinho e Pinto, cabeça de lista do MPT (Partido da Terra). Confesso que tinha alguma curiosidade de o ouvir, como candidato a um cargo elegível por sufrágio universal.
Para mim, passou duma desilusão a uma desilusão completa. Não pela mensagem que transmitiu. Nesse aspeto, não surpreendentemente, foi coerente. Mas pelo desconhecimento que manifestou sobre as funções, limites e ações dum deputado europeu.

Limitou-se a passar a “cassete” do costume, focalizando-se nas circunstâncias do país, criticando todos aqueles que governaram Portugal. Porém, ao faze-lo revelou-se ainda mais demagógico do que os políticos que critica. Indubitavelmente, Marinho e Pinto assume-se como um salvador. Como deputado europeu, sem saber quais as áreas de ação e influência do Parlamento Europeu, vai salvar Portugal.

Expressou, agora que é candidato, a sua preocupação com a abstenção e apelou ao voto, esquecendo-se de explicar os motivos que o levaram a apelar à greve em dia de eleições (legislativas de 5 de Junho) e a sua incompreensão com os portugueses que ainda votam.

Infelizmente, ou não, com a alusão que fez aos assuntos nacionais, manifestou uma profunda ignorância sobre as características do sistema da União Europeia, nomeadamente às matérias que são intergovernamentais e àquelas que são supranacionais.
Porque é que esta questão é importante?
Porque existem matérias em que a ação de um deputado europeu praticamente é inexistente.
A não ser que Marinho Pinto seja um defensor duma federação europeia. Mas sobre isto nada disse. Aliás, pouco ou nada referiu sobre o contexto europeu, excetuando mais algumas enormidades sobre políticas europeias que estão no âmbito intergovernamental.

Decididamente, estive perante mais um populista e demagogo que usa a retórica da salvação. Ele é que é bom e os outros não. Não tenho a menor dúvida que estamos perante mais um Calisto Elói e Portugal merece melhor!

Facto curioso foi que, a determinado ponto da sua intervenção, Marinho Pinto critica o papel do partidos na elaboração de consensos. Se eu fosse do MPT, estaria preocupado. Mas, a razão para esta referência é outra. Será que Marinho Pinto, caso seja eleito, vai cumprir o mandato até ao fim? Ou estas eleições são apenas uma preparação para as Presidenciais?

Nada tenho contra o homem. Até lhe desejo boa sorte. Todavia, perante isto, mantenho o que já escrevi sobre a sua candidatura, à qual reconheço legitimidade.
E uma vez que tem possibilidade de ser eleito, espero que possua humildade para aprender com a função e que desempenhe um bom mandato.
Por fim, espero, sinceramente, que não se transforme num «Nigel Farage» português.

P.S. – Alguém devia relembrar-lhe que a denominação oficial do partido Nazi era “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães” e que a base de apoio eleitoral de Hitler foi a classe média, os trabalhadores rurais e os veteranos, que o Mozart era Austríaco e, principalmente, que a democracia representativa só foi conseguida no final do século XVIII e início do século seguinte. Até lá, não existia. Tal como na antiguidade clássica não existiam direitos individuais.


PAN: programa eleitoral europeias 2014

O programa eleitoral que o PAN apresenta às eleições europeias do próximo dia 25, não é uma desilusão total, mas anda lá perto.

É um programa marcadamente sectário, que, embora possa ser considerado coerente com aquilo que a actual direcção nacional do partido defende, não oferece nenhuma possibilidade de compromisso com aqueles que não pensam da mesma maneira. A democracia é a procura de consensos. Teoricamente, nenhuma parte deverá conseguir implementar 100% do que defende. É saudável expor as suas ideias e ouvir as dos outros. Mediante as diferentes exposições, o compromisso será estabelecido e por ele, com a adesão de outras “partes”, uma proposta parlamentar poderá ser votada favoravelmente. Não é o que transparece neste documento. Não estabelece pontos de contactos para além das “suas” congéneres europeias.

Não é difícil perceber que a retórica dominante é de esquerda. Não que tal seja errado, mas o PAN não deve ser uma vertente da esquerda. Tem, ou deveria, ser algo com identidade própria.

Inacreditavelmente, nenhuma das propostas incluídas no documento são passiveis de realização durante o período do mandato. Estamos, portanto, perante uma quimera. Mas o que mais me entristece é não haver qualquer ponto específico sobre a educação. Para um partido que procura uma alteração de comportamento que só será possível através duma mudança de consciência, referências implícitas são inúteis e até nocivas. Aquilo em que acreditamos deve ser claramente expresso. Afinal de contas, é o que nos distingue dos outros!

Apesar destas lacunas, o programa tem pontos e propostas positivas. Infelizmente, como não são consideradas politicamente, são meras expressões de fé ou – no caso do PAN será mais adequado – o resultado de meditações.

Fico na dúvida se a diferença entre supranacionalidade e intergovernamentalidade é percebida.
Na minha opinião, é uma pena que isto se esteja a verificar num partido com bastante potencial para ser diferente.

Ao menos, o cabeça de lista do PAN acredita na Europa. Valha-nos isso!

P.S. – A probabilidade de eleger deputado(s) é considerável. Mas, esse cenário não acontecerá devido uma escolha inclusiva dos eleitores. Antes pelo contrário. E, para aqueles que não sabem, as escolhas por exclusão possuem pés de barro.


Coerência e consistência ou mera demagogia?

Marinho Pinto anunciou ser candidato ao Parlamento Europeu, sendo o cabeça de lista do Movimento Partido da Terra.

Orgulha-se de ter recusado convites dos partidos políticos ao longo de vinte anos.
Então, porquê agora e porquê o MPT?

Mas o objectivo deste post não é questionar o porquê de ser candidato agora, embora não seja difícil equacionar a razão.

Inquestionavelmente, vai ser engraçado seguir a campanha do Marinho Pinto, afinal, há pouco tempo andou a apelar à “greve à democracia”.
Agora que é candidato, que irá dizer? Para não votarem nele?
Ou, uma vez que está na corrida, as eleições passam a ter outra legitimidade?

Provavelmente, estarei equivocado. Ele não é a razão e o apelo que fez à greve à democracia era apenas para as legislativas.