Na base do conhecimento está o erro

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A austeridade das cativações

Sabemos que a existência é caracterizada por um processo não-linear. Daí que não seja de estranhar que a convivência social também seja ambígua. E que dizer do percursos dos políticos, como governantes ou oposição, e dos partidos e dos seus respectivos líderes? A passagem do tempo até pode exigir decisões diferentes. Contudo, estas dependerão da coerência para serem credíveis. Infelizmente, a regra e a conduta demonstram que os princípios são esmagados pelos interesses. Sobretudo pelos interesses partidários.

Eis o exemplo do Mário Soares.
– “Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo” (JN, 28 de Abril de 1984);
– “Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos” (JN, 28 de Abril de 1984);
– “O que sucede é que uma empresa quando entra em falência… deve pura e simplesmente falir. (…) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade” (JN, 28 de Abril de 1984);
– “Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto” (DN, 27 de Maio de 1984);
– “A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço” (La Republica, 28 de Abril de 1984);
– “Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á.” (RTP, 31 de Maio de 1984);
– “A política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre” (RTP, 1 de Junho de 1984);
– “A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” (RTP, 1 de Junho de 1984);

E que diz António Costa? Cativações não são austeridade.


No país dos seis minutos e 47 segundos

Como é que um governo sem estratégia faz? Cobra impostos. Cada vez mais. Se Centeno fosse um operativo de um qualquer serviço de informações no universo “fleminguiano”, chamar-se-ia: Tax. Mo(o)re Tax!

No país dos seis minutos e 47 segundos o vocabulário é deslumbrante, conciso e adequado à manipulação… perdão, informação dos súbditos… perdão, contribuintes. A austeridade é uma alma penada que só assombra o passado. Segundo a retórica oficial, os vocábulos da ordem são cativações e receita fiscal. Não existiu nenhum édito sobre o significado dos mesmos, mas Mário Centeno brande-os e utiliza-os como verdadeiros instrumentos da neo-austeridade socialista. Porém, esta neo-austeridade é virtuosa. Porquê? Porque é da esquerda “geringonciana” e porque proporciona resultados primorosos para os quais só foram necessários uns meros esforços: cálculos errados, cobrança de impostos como nunca até então, pouco investimento e atrasos nos pagamentos.

Ainda não vi o presidente do Eurogrupo a corrigir o ministro das Finanças português, mas já ouvi Mário Centeno a corrigir o Eurostat. Será assim tão importante que o défice se tenha ficado pelos 0,92% ou pelos 2,96%? À primeira vista, não. Os milhões de euros injectados na CGD serão sempre um aumento da dívida. Bom seria que não tivessem sido utilizados na recapitalização da CGD.

Meu artigo no Observador. Podem continuar a ler aqui!