Na base do conhecimento está o erro

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Sobre a(s) liberdade(s)

As ideias que surgiram com as revoluções americana, todos os homens nascem iguais, e francesa, o tríplice princípio da liberdade, fraternidade e igualdade, originaram uma mudança sem precedentes na história da humanidade. Sem precedentes!

Apesar de terem recuperado ideais e sistemas de organização política gregas e romanas, não estamos a falar do mesmo conceito de liberdade. Convém não esquecer que nestas comunidades os direitos e garantias individuais não eram considerados uma vez que o cidadão era encarado como um servidor de Estado em vez do contrário. Na antiguidade clássica, o Estado era e controlava tudo. O colectivo não era formado pelo individual, o Estado subjugava o indivíduo, exigindo-lhe que participasse activamente na vida pública.

Assim, decorre da marca do tempo e da evolução do pensamento o conceito de liberdade que hoje identificamos, sendo o mesmo proveniente do iluminismo que afirmou a primazia do indivíduo sobre o Estado. Por outras palavras, considerando os pressupostos que estão na base de cada um destes dois conceitos de liberdade, não é exagero nenhum afirmar que os mesmos são quase antagónicos. Note-se que no tempo de Platão e de Aristóteles os direitos individuais, onde se incluiu a presunção da inocência, não existiam. Para nós, tal é impensável.
Mas se for preciso outro exemplo, para um grego a noção de democracia representativa era inconcebível. Para nós, o contrário é que o é.

Há quem se admire das indicações das sondagens que indicam 25% de votos à extrema-esquerda (aqui e aqui).
Eu concordo que é perigoso como igualmente uma indicação semelhante de votos para a extrema-direita o seria. Mas tratando-se duma expressão livre da vontade popular, nada mais há a fazer do que a aceitar.
Explicações? Bastará ler A REBELIÃO DAS MASSAS de Ortega & Gasset para perceber o que se passa.

Sou um adepto do Estado liberal.
Considero O CAMINHO PARA A SERVIDÃO, de Hayek, um dos melhores livros que já li. Considero mesmo que a solução apontada no livro é a ideal para a sociedade.
Então, porque é que o estado liberal e a democracia representativa falham?

Simples. Devido ao pecado original da democracia.
Enquanto os titulares dos cargos públicos e/ou políticos do Estado usufruirem de imunidades e de outros tipos de regalias não haverá igualdade entre todos os cidadãos. Uns serão mais iguais do que os restantes.
Não havendo igualdade entre os cidadãos, não haverá liberdade. Apenas a ilusão de liberdade e igualdade.

Liberdade não é a possibilidade de escolha. É a responsabilização pela escolha feita!

Como nenhum partido político alterará esta circunstância, temos, efectivamente, um longo caminho a percorrer.

Nota final: Em sociedade, o homem antes de ter direitos tem deveres!


Platão, Aristóteles e os políticos portugueses

Quando os políticos portugueses se referem aos filósofos gregos, fico sempre com a pulga atrás da orelha.

Na Universidade de Verão que o PSD organizou este ano, na sua intervenção, Marques Mendes pediu mais ética na política e afirmou que pessoas arguidas em processos não deviam constar nas listas dos partidos. No dia seguinte, Paulo Rangel afirmou-se contra essa possibilidade, por ser contra a presunção de inocência e outros direitos individuais, referindo ser necessário que Platão e Aristóteles fossem mais lidos pelos políticos.

Se é verdade que há falta de políticos que tenham lido Platão e Aristóteles, aparentemente quem os leu não os entendeu.
No tempo de Platão e de Aristóteles os direitos individuais, onde se inclui a presunção da inocência, eram inconcebíveis. E a ética, sendo indissociável da vida pública, era imprescindível na política.