Na base do conhecimento está o erro

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Sobre o bebé abandonado num contentor

“O recém-nascido foi encontrado ainda com vestígios de sangue do parto e do cordão umbilical por um sem-abrigo que ouviu barulho vindo do lixo.”

Independentemente dos motivos, é inaceitável!

Não existe, na minha opinião, qualquer motivo, tragédia ou circunstância que justifique o abandono dum bebé, indefeso, num contentor do lixo. Há sempre uma alternativa, substancialmente mais digna, para as crianças indesejadas.

A eventual falta de fé, seja ela qual for, e o consequente não reconhecimento dum Deus, seja ele qual for, não implica a inexistência dum criador, inevitavelmente duma mãe. Não somos animais e não devemos comportar-nos como tal.

Expresso a minha opinião. E reafirmo que este acto foi do mais hediondo que já vi. A vitima é a criança.

Quanto à redenção? Só pertence à criança.

 


Sobre a tauromaquia e o sangue exigido pelos defensores dos animais

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A Tauromaquia é um espetáculo tradicional que, na minha opinião, precisaria de se adaptar aos tempos. Respeitando opiniões contrárias, há circunstâncias na mesma que não colhem a minha simpatia. Todavia, à semelhança de muitas outras coisas que existem na sociedade, dependerá da consciência individual para o efeito.

Os defensores dos animais são contra o derramar de sangues dos touros. E muito bem! Contudo, festejam o sangue dos toureiros, que insultam alegremente.

Não há dúvida que é mais fácil apontar o dedo do que olhar para o reflexo. É vergonhoso ver pessoas a congratular-se com as mortes dos toureiros. Como se uma morte fosse motivo de alegria e compensasse as outras mortes? Não aceitam o sangue dos touros, mas toleram o sangue dos homens. Não sei como há quem se admire por o homem ser um animal sanguinário?

Eu preferiria que nenhum sangue fosse derramado. Nem o dos touros. Nem o dos homens. Mas isso sou eu!

Nota final: se este tipo de postura já é criticável num cidadão, é inaceitável num membro do PAN, independentemente da posição que ocupar (de simples militante a dirigente). Conheço boa gente no PAN, de quem sou amigo, mas o PAN está cheio de zelotas e de fundamentalistas.

 


Serão os deveres e os direitos humanos aplicáveis a outras realidades?

A convivência em sociedade é de tal forma complexa que originou a criação de diversos mecanismos. Um desses instrumentos são os deveres e os direitos, elaborados para regular a relação social humana. E a complexidade do relacionamento humano é de tal ordem que a sua evolução já desenvolveu cinco dimensões.

Independentemente do grau considerado, cidadania é o conjunto dos deveres e dos direitos pelo que nenhum homem tem direitos sem ter deveres, ou seja, ninguém tem só deveres ou só direitos. Todavia, estes instrumentos resultam dum entendimento consensual,  que vulgarmente conhecemos como contrato social, entre as partes.

Um dos debates que está a emergir na sociedade é a relação entre os homens e os animais. Naturalmente, relaciona-se (e bem) com o tratamento dado aos animais. Neste âmbito, apesar de nada dizerem relativamente aos deveres, há quem defenda que os animais são titulares de direitos. Contudo, vamos assumir que ambas as circunstâncias são reivindicadas para os animais. Neste caso, os defensores desta posição declaram que os animais possuem cidadania ou que são titulares da mesma.

Para todos efeitos, os animais não se relacionam como os homens. Nem no modo, nem no tipo, nem, principalmente, na convivência. Assim sendo, terão os animais direito, por exemplo, à propriedade, à liberdade de expressão, à liberdade de religião, à participação política, à educação, à autodeterminação, à informação e à democracia?

É muito fácil fazer considerações na terceira pessoa, como, por exemplo, os animais são todos iguais. Mas, considerar-se-ão os animais iguais? Se um homem cometer um homicídio, é julgado e condenado pelos seus pares. Se um animal matar outro animal, que sucederá? Será este «animalída» desconsiderado pelos restantes animais?

Para além das falências inerentes a esta posição, extrapolar as regras de convivência humana para o contexto relacional do animais traduz uma dupla desconsideração. Não somente para os animais como igualmente para nós. Aliás, tal atitude não é apenas paternalista. É perniciosa, pois atribuir uma característica humana a algo que não o é, não só diminui a sua dignidade como também é uma imposição.

Começa igualmente a emergir o argumento da senciência. Pessoalmente, não tenho qualquer dúvida que os animais são sencientes (tal como as plantas o serão) porém, estamos a falar do mesmo nível de senciência? Não estaremos aqui novamente a ser arrogantes, equiparando os níveis de senciência? De qualquer forma, creio que a questão não será tanto a capacidade de sentir e sim uma perspectiva de consciência, ou seja, terão os animais autoconsciência de cidadania?

Ora, eu não questiono qualquer direito natural dos animais, como o direito à vida, que o possuem integralmente. Neste sentido, os animais tem direitos!
Pergunto-me é se serão os deveres e os direitos humanos aplicáveis a outras realidades? Serão, neste caso, os animais titulares de cidadania? Creio que não. Em absoluto!

Em vez de perderem tempo a seguir este tipo de caminho – a equiparação dos homens aos animais ou vice-versa – seria muito mais valioso equacionar medidas de educação para a responsabilidade acrescida que os homens detém relativamente aos animais, particularmente, quanto aos de estimação,  e elaborar algo como o “Estatuto da Animália”, ou algo parecido, que expressasse o regime de excepção devido aos animais. Não como titulares de direitos, mas como recipientes das responsabilidades que lhes é devida.

Por fim, espero que este texto sirva para um debate esclarecido, educado e sustentado em posições racionais. O problema dos animais não pode ser continuamente alvo de remendos. No entanto, como a maior parte de pessoas reage emocionalmente a este assunto, posso imaginar as reacções que registarei.