Na base do conhecimento está o erro

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Trumpismo. Facto alternativo?

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Eu sei o que são realidades alternativas ou universos paralelos. Mas, “factos alternativos”? Que diabo são “factos alternativos”?

Devemos prepararmo-nos para uma nova ordem? A Verdadeira Nova Ordem! Onde a realidade é ficção e os “factos alternativos”, definidos propositadamente, constituem a única maneira de entender o mundo ou de a ele pertencer?

Ou estaremos apenas a reviver o passado? Alguém se recorda da segunda ameaça vermelha, o conturbado período, mais conhecido por macartismo, que assolou os Estados Unidos da América nos anos de 1950 a 1957? O macartismo, que foi definido como a “prática de fazer alegações injustas ou utilizar técnicas investigativas injustas, especialmente para restringir o dissenso ou a crítica política” e que ainda hoje representa um indubitável retrocesso no que respeita às liberdades civis e aos direitos individuais, começou a definhar devido à coragem e postura do jornalista Edward R. Murrow, que, à época, afirmou: “Não devemos confundir dissidência com deslealdade. Devemos lembrar-nos sempre que a acusação não é prova e que a convicção depende de provas e do devido processo legal”.

Trump está, como bem observou a Helena Coelho, em guerra aberta com a imprensa. Mas não só. Trump agride e descarta todos aqueles que não concordam com ele. Trump não está disponível para a pluralidade de opiniões. Daí que prefira o twitter, onde não há diálogo, mas monólogo. Ora, apesar de este comportamento não ser uma novidade em Trump, a verdade é que se acentuou a partir do anúncio da sua candidatura à Presidência dos EUA e que, após a sua eleição, parece que se irá estabelecer como a norma vigente.

Terá o trumpismo as mesmas consequências do macartismo? A pergunta é pertinente. Inquestionavelmente, verificam-se não apenas as mesmas práticas de acusações parcamente fundamentadas, como também as ofensas demagógicas ao caráter dos adversários, sejam estes políticos ou não. Para além disso, convém não esquecer que os tempos são outros e que a amplitude das liberdades individuais e dos direitos cívicos foi consideravelmente limitada nos EUA com a entrada em vigor do Patriot Act. Finalmente, não se verificando aqui a execução de uma estratégia pensada, mas somente a aplicação de uma maneira distorcida de entender a democracia e considerando a atitude fracturante do «ou estás comigo ou contra mim», «se não estás bem, muda-te» (ou serás expulso), o trumpismo, e as suas regras, não auguram um bom futuro para a democracia norte-americana.

Circunstâncias anteriormente erradicadas, que representaram retrocessos sociais significativos, parecem estar a reerguer-se do túmulo. Ao lado do populismo que hoje se afirma, o comunismo dos anos 50 do século passado não passa duma ténue ameaça. E como se o populismo já não fosse perigoso, o populismo-elite, praticado por Trump, contém em si efeitos ainda mais nefastos.

Existe, efectivamente, uma tendência para a mimética que reproduz determinados ciclos. Oxalá os defensores da pluralidade e da diferença de opinião não desvaneçam. Oxalá a imprensa persista. Oxalá a verdade não desapareça.

Só assim poderá ser evitada a instituição definitiva da corporacia. Não a considerada por Derber, Sachs ou Winters, entre outros, mas antes uma oligarquia travestida que mais não seria do que a versão capitalista da visão de Trotsky.

Uma coisa é certa. O Trumpismo não é um “facto alternativo”. É real e perigoso.


Dos discípulos de Mussolini

DOli BE

Nos tempos que correm, não há melhores discípulos de Mussolini do que os bloquistas. E, no que respeita à perversão do significado e alcance dos direitos individuais e/ou humanos,  Daniel Oliveira é um dos maiores fervorosos seguidores dos ideais fascistas.

“Anti-individualista, a concepção fascista da vida enfatiza a importância do Estado e aceita o indivíduo apenas na medida em que os seus interesses coincidem com os do Estado.”


Marinho Pinto, MPT e as europeias

MPT mp

A Cooperativa do Povo Portuense, promoveu, numa iniciativa de classifico de utilidade pública, um ciclo de conferências com candidatos às eleições europeias do próximo dia 25 de Maio.

O convidado de ontem, foi Marinho e Pinto, cabeça de lista do MPT (Partido da Terra). Confesso que tinha alguma curiosidade de o ouvir, como candidato a um cargo elegível por sufrágio universal.
Para mim, passou duma desilusão a uma desilusão completa. Não pela mensagem que transmitiu. Nesse aspeto, não surpreendentemente, foi coerente. Mas pelo desconhecimento que manifestou sobre as funções, limites e ações dum deputado europeu.

Limitou-se a passar a “cassete” do costume, focalizando-se nas circunstâncias do país, criticando todos aqueles que governaram Portugal. Porém, ao faze-lo revelou-se ainda mais demagógico do que os políticos que critica. Indubitavelmente, Marinho e Pinto assume-se como um salvador. Como deputado europeu, sem saber quais as áreas de ação e influência do Parlamento Europeu, vai salvar Portugal.

Expressou, agora que é candidato, a sua preocupação com a abstenção e apelou ao voto, esquecendo-se de explicar os motivos que o levaram a apelar à greve em dia de eleições (legislativas de 5 de Junho) e a sua incompreensão com os portugueses que ainda votam.

Infelizmente, ou não, com a alusão que fez aos assuntos nacionais, manifestou uma profunda ignorância sobre as características do sistema da União Europeia, nomeadamente às matérias que são intergovernamentais e àquelas que são supranacionais.
Porque é que esta questão é importante?
Porque existem matérias em que a ação de um deputado europeu praticamente é inexistente.
A não ser que Marinho Pinto seja um defensor duma federação europeia. Mas sobre isto nada disse. Aliás, pouco ou nada referiu sobre o contexto europeu, excetuando mais algumas enormidades sobre políticas europeias que estão no âmbito intergovernamental.

Decididamente, estive perante mais um populista e demagogo que usa a retórica da salvação. Ele é que é bom e os outros não. Não tenho a menor dúvida que estamos perante mais um Calisto Elói e Portugal merece melhor!

Facto curioso foi que, a determinado ponto da sua intervenção, Marinho Pinto critica o papel do partidos na elaboração de consensos. Se eu fosse do MPT, estaria preocupado. Mas, a razão para esta referência é outra. Será que Marinho Pinto, caso seja eleito, vai cumprir o mandato até ao fim? Ou estas eleições são apenas uma preparação para as Presidenciais?

Nada tenho contra o homem. Até lhe desejo boa sorte. Todavia, perante isto, mantenho o que já escrevi sobre a sua candidatura, à qual reconheço legitimidade.
E uma vez que tem possibilidade de ser eleito, espero que possua humildade para aprender com a função e que desempenhe um bom mandato.
Por fim, espero, sinceramente, que não se transforme num «Nigel Farage» português.

P.S. – Alguém devia relembrar-lhe que a denominação oficial do partido Nazi era “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães” e que a base de apoio eleitoral de Hitler foi a classe média, os trabalhadores rurais e os veteranos, que o Mozart era Austríaco e, principalmente, que a democracia representativa só foi conseguida no final do século XVIII e início do século seguinte. Até lá, não existia. Tal como na antiguidade clássica não existiam direitos individuais.


Putin e os Referendo(s)

Não tenho qualquer dúvida que Putin aceite o resultado da consulta na Crimeia.

Mas, aceitará sequer que as regiões russas descontentes com Moscovo possam realizar semelhante iniciativa?

 


Os mísseis da China

As mudanças da estratégia chinesa! (aqui)


Contra a corrente?

Os «herdeiros» de Pedro, o Grande parecem estar revitalizados. Pelo menos, no que respeita ao seu actual sucessor.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, está a demonstrar, ou melhor, a personificar o ressurgimento do seu país no palco mundial. E não o faz de qualquer maneira. Afirma a condição de superpotência russa, alicerçado nos pressupostos e mecanismos económicos do capitalismo. Por outras palavras, faz uso do sistema de controlo característico do aparelho político da ex-União Soviética mas abandona o sistema comunista fundindo estes factores na equação da democracia.

Atente-se nas afirmações proferidas aquando da aceitação como candidato do partido Rússia Unida às eleições legislativas de Dezembro, quando disse que para além de ser necessário a vitória do partido nas eleições também era “preciso eleger como Presidente uma pessoa honesta, capaz e moderna com quem possa trabalhar em equipa” (A nós, portugueses, esta afirmação devia recordar-nos algo ocorrido num passado não muito longínquo).

Aproveitando-se do aumento da volatilidade que emergiu na região do Médio Oriente após a invasão do Iraque e que nos últimos dias têm atingido as relações entre a Turquia e os Estados Unidos, depois de pacientemente ter utilizado a Organização de Cooperação de Shanghai para recuperar grande parte da antiga influência russa na região, Putin demonstrou visão diplomática ao participar na Cimeira dos Países do Mar Cáspio, em Teerão. Para além de ter sido a figura central do encontro, também conseguiu incrementar a posição russa junto do regime iraniano e reforçar a diplomacia russa nas reuniões e instâncias internacionais que discutem o programa nuclear iraniano.

Igualmente é de reter a estratégia seguida pela administração russa no que respeita ao projecto de defesa antimíssil norte-americano e à instalação de vários dispositivos na periferia das fronteiras da Federação Russa.

Incapazes de convencer os russos que o seu sistema não os ameaça e colocados perante as sucessivas tomadas de posição, decididas pelo Presidente russo, de abandono das convenções internacionais em armamento (não apenas do Tratado sobre Forças Convencionais na Europa, como também e principalmente do Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance), no investimento, durante 8 anos, de 100 biliões de dólares na modernização das suas capacidades militares e no recente anúncio do desenvolvimento russo em sistemas de mísseis nucleares completamente novos, deixaram os norte-americanos perante a possibilidade de serem responsabilizados, pela opinião pública, por uma nova corrida às armas nucleares na Europa.

É precisamente fazendo uso das conjunturas que se capitalizam as situações. E nisso, Vladimir Putin está a ser magistral.

Acontece que as medidas que o Presidente russo anuncia e toma têm implicações no sistema internacional. E estando o mundo de hoje cada vez mais interligado, as repercussões desses choques fazem-se sentir em primeiro lugar, na própria globalização.

Assim, na dicotomia entre a esfera económica e a esfera política global, aparentemente, os comportamentos dos actuais responsáveis dos Estados parecem estar a levar-nos para os tempos da Guerra Fria. Isto, numa altura em que o anterior Presidente da Reserva Federal norte-americana, Alan Greenspan, alertou para os perigos resultantes duma contra-corrente à globalização por parte dos políticos.

A ressurgência da Rússia na cena internacional deve-se ao capitalismo e ao know-how recebido das multinacionais ocidentais. Vladimir Putin sabe-o. Mas os norte-americanos também o sabiam e mesmo assim foram para o Iraque. Infelizmente, para e graças a nós, a Rússia de hoje acede muito melhor às suas riquezas naturais. Infelizmente, para e graças nós, também recupera a sua influência de outrora à conta dos nossos equívocos.

Seguir, de vez em quando, contra a corrente parece ser um refúgio humano. Ou é assim que vamos com a corrente?

25 de Outubro de 2007 – O Primeiro de Janeiro


Globalização e nacionalismo

Instintivamente, para a maioria das pessoas o termo globalização é usualmente conotado com uma ideia económica e/ou comercial enquanto o vocábulo nacionalismo tende para uma noção política.

Partindo dessas associações, podemos dizer que ambas, cada uma à sua maneira, contribuíram para o mundo que hoje experimentamos. Igualmente podemos afirmar que à medida que se foram expandindo os horizontes geográficos tanto o centro de comércio como o centro de política mundial foram-se deslocando. Mas será que essa coordenação continua a verificar-se?

É inegável que o uso da força foi um instrumento essencial na conquista e formação dos impérios, só que isso notou-se durante os períodos da história em que os Estados soberanos não ocupavam a totalidade dos continentes, pelo que a expansão territorial era legítima e as colónias foram uma realidade.

Com os nacionalismos, que curiosamente começam na Europa em 1740 e que vão até aos movimentos independentistas das colónias no séc. XX, o mundo nunca mais foi o mesmo. Consequentemente, também a Europa não voltou a ser o que era. Como muito bem diz Jean Carpentier, “O Congresso de Viena não reconstruiu a Europa de antes de 1789”. Nem mais nada o fez porque as nações começaram a povoar a Europa e o mundo. Particularmente representativo de tal, é o período subsequente à Segunda Guerra Mundial. A descolonização era, nessa altura, um fenómeno em efervescência. E, ainda hoje, aparecem novos Estados (Timor-Leste).

Por sua vez, os mecanismos de segurança e de respeito pelo direito internacional que os vencedores da Segunda Grande Guerra criaram, tornaram muito mais difícil a expansão territorial às potências. Então, como é que as potências conseguiram expandir-se e aumentar a sua influência, depois de perderem as suas colónias? Foi através do comércio que tal se alcançou. Por ele, os territórios nacionais são “invadidos” sem que se verifiquem atropelos ao direito internacional.

Também temos que considerar o factor «revolução industrial». Se foi a Inglaterra que beneficiou por ter sido a primeira, lentamente as outras nações também iniciaram o seu percurso industrial e as próprias colónias beneficiaram com a tecnologia que as metrópoles transportaram para o seu interior. Como muito bem menciona S.S. o Papa Paulo VI na carta encíclica «Populorum Progressio» “reconhecendo, embora, os defeitos de certo colonialismo e das suas consequências, não podemos deixar, todavia, de render homenagem às qualidades e às realizações dos colonizadores que levaram a ciência e a técnica a tantas regiões”.

Ora, com a indústria a capacidade produtiva aumenta, pelo que as Nações vêem-se obrigadas a incrementar e melhorar o escoamento dos seus produtos. O comércio é o melhor meio para tal. E isso implica ausência de entraves, alfandegários ou de qualquer outro tipo, aos fluxos comerciais, pois o Estado que se mantenha à margem das conexões comerciais e das interligações relacionais aumentará o fosso que o separa dos demais. Ou seja, num contexto de uma interligação global, “o nacionalismo isola os povos” (S.S. o Papa Paulo VI).

Nos dias de hoje, globalização e nacionalismo são antónimos. Enquanto politicamente estamos alicerçados nas estruturas orgânicas originadas pela revolução industrial, economicamente praticamos os pressupostos gerados pela revolução tecnológica.

Também as dinâmicas intrínsecas a ambos são díspares. E resultante da tensão acumulada, em ambos os “campos”, o surgimento de entidades novas com grande capacidade de influência não é de estranhar (quer a Halliburton, quer a Al-Qaeda são exemplos). Infelizmente, quando os vectores político e económico se gladiam quem acaba por sofrer é a esfera social.

O Estado-Nação não é compatível com a globalização. Um deles terá que desaparecer. E das suas cinzas deverá edificar-se um sistema orgânico harmonizável com a força motriz actual.
Vivemos numa época de transição civilizacional. Oxalá, para o bem dos nossos filhos, tal mudança seja serena.

21 de Junho de 2007 – O Primeiro de Janeiro