Na base do conhecimento está o erro

Archive for July, 2022

A Lei e os códigos de conduta

A característica mais fantástica dos códigos de conduta de Augusto Santos Silva não era disfarçar o desconhecimento da lei. Era permitir aos governantes socialistas fazer aquilo que a lei os impedia de fazer.


A Fé de Temido

Marta Temido acha que a fé vai resolver os problemas do SNS.

Eu tenho a certeza de que os problemas só serão resolvidos quando o SNS se livrar do PS.


Discriminação

As quotas fazem tudo menos garantir equidade. Igualdade é o seu objectivo e a igualdade não garante qualidade, nem mérito.

Defender quotas é defender discriminação.


Estado da Nação é o Estado de Obediência

O Estado da Nação, apesar do Primeiro-ministro não ter respondido às perguntas, acabou por ser dos mais esclarecedores dos últimos anos.

António Costa, titular por excelência do poder executivo, evidenciou todo o seu desrespeito pelos deputados, representantes do poder legislativo. A falta de respeito foi directamente dirigida aos deputados da oposição, porém, os deputados do PS acabaram por participar no ridículo ao aplaudir o silêncio do Primeiro-ministro.

Este tipo de postura é ilustrativo do que se passa no âmbito partidário português. O comportamento que é expectável nos partidos dos extremos, o PCP e o BE à esquerda e o Chega à direita, a obediência ao líder, passou também a ser a norma no PS.

Não tenho qualquer dúvida de que António Costa institucionalizou e potenciou as práticas que José Sócrates implementou. O aplauso dos deputados do PS ao triste episódio do Primeiro-ministro a desrespeitar os deputados da oposição diz tudo.

Quem não obedecer ao líder corre o risco de não voltar a ser deputado. E noutros níveis também. Quem não obedecer ao líder não contará com o apoio do PS e/ou não voltará a ser candidato. Nas câmaras e nas freguesias. Seja onde for, seja como for, seja quem for.

Que outra razão explica que os autarcas socialistas tenham aceitado um processo de descentralização que só prejudicará as suas autarquias a médio e a curto prazo? Talvez esperem ter dado o salto para outro lugar ou já tenham atingido o limite de mandatos? Talvez? Independentemente disso, agora obedeceram. Longe vão os tempos do Guilherme Pinto.


7 anos em 3 meses

Após três meses, temos um governo de fim de ciclo. As tensões acumuladas nos últimos sete anos já não são controláveis sem uma cedência final. E essa cedência aconteceu. António Costa é um “líder” a prazo.

O PS é hoje uma manta de retalhos. A vários níveis. Tudo começou com Guterres que, sem possuir características de líder, chegou a líder pelos consensos. E cedeu tanto em nome desses consensos que acabou no pântano.

Os consensos de António Guterres ditaram o esmorecimento do PS democrático. Foi nos Estados Gerais que o PS começou a ser infestado por comunistas e afins, alguns dos quais se infiltraram pela juventude socialista. Foi aqui que começou a desaparecer o PS soarista. Foi também aqui os jovens “garnisés” socialistas começaram a avaliar que capital político tinham para o futuro. E testaram-no desafiando a autoridade de Guterres, que demonstrou ter pouca. Que o diga António Costa. Encostou Guterres à parede e este cedeu.

Com as Novas Fronteiras de José Sócrates o processo acelerou. A influência dos extremistas cresceu dento do PS e foi nesta altura que uma franja do eleitorado passou a ser disputada entre o PS e o BE. Seria expectável que com António Costa o PS regressasse à senda democrática. Contudo, assim não sucedeu. António Costa, rodeado de ex-comunistas e ex-bloquistas, consolidou e ampliou o neo-socialismo de Sócrates. As leis de Sócrates ainda regem. A dívida não é para pagar. E António Costa obedece.

Há sete anos que António Costa é Primeiro-ministro. Nesse período, foi incapaz de governar sem o apoio e as exigências da esquerda radical. Esse apoio levou a que tivesse de pôr o PS democrático na gaveta. António Costa, que sempre negou a deriva socialista para o radicalismo, teve, com a maioria obtida em janeiro último, uma oportunidade para provar que o PS fazia parte do socialismo democrático. Na hora da verdade, António Costa falhou redondamente. Não só aprovou um orçamento de esquerda, como também manteve os representantes do socialismo extremista no seu governo. Pedro Nuno Santos e João Galamba, entre outros, são exemplo, estando o primeiro já há algum tempo a posicionar-se para ascender à liderança do PS. Se ainda não perceberam, Pedro Nuno Santos é o “garnisé” de António Costa.

O problema de Pedro Nuno Santos não se cinge ao seu radicalismo, teimosia e intransigência. Apesar das características de personalidade de Pedro Nuno Santos deverem ser respeitadas, a verdade é que a sua arrogância, prepotência e convencimento de que tem sempre razão não ajudam. Quem tiver o cuidado que analisar o comportamento, a postura e a maneira como se expressa chegará à conclusão de que Pedro Nuno Santos é estruturalmente autoritário. Denota desprezo quando tem de falar com aqueles que não são da esquerda – a democracia e a oposição incomodam-no – e fico sempre com a sensação de que Pedro Nuno Santos não dialoga. Dá ordens.

A sinceridade demonstrada por Pedro Nuno Santos no seu recente acto de contrição público foi notável. Comovi-me como há muito não me acontecia. A repulsa que manifestou foi indisfarçável e acabou por não pedir desculpa aos portugueses. Lamento, mas os arrogantes não procuram redenção. E o que Pedro Nuno Santos quer é o poder. Quer tanto o poder que não se importa de se contrariar, nem de diminuir o Primeiro-ministro para o alcançar.

Ora, segundo António Costa, Pedro Nuno Santos é um Ministro competente e não agiu de má-fé. É por isso que continua no Governo. Meus senhores, acabamos de assistir à tremedeira dos sete anos. E não duvidem que vários pares de pernas tremeram. Pedro Nuno Santos ultrapassou os limites da sua autonomia, desrespeitou o seu chefe de governo e menosprezou o Presidente da República. Apesar das pernas lhe terem tremido, afrontou o “líder” e só foi desautorizado. É António Costa, a quem as pernas tremeram ainda mais, que fica descredibilizado. E será sobre ele que a responsabilidade cairá.

António Costa diz que ele é quem escolhe e demite os ministros, mas não faz nada sem a autorização deles. Costa é o Guterres do século XXI. Foi encostado à parede por Pedro Nuno Santos e cedeu.

Passados sete anos, tudo se revela em três meses. Esta tremedeira é o acumular das tensões resultantes dos consensos de António Costa. O XXIII Governo só tem três meses, mas já é um governo de final de ciclo. Depois deste episódio, a liderança de António Costa vai diminuir ainda mais. Quer no Governo, quer no PS. António Costa é um “líder” a prazo.

Tudo porque desta última cedência de Costa, numa conversa de 45 minutos em São Bento, foi muito provavelmente acordado que António Costa se vai embora antes do fim da legislatura e Pedro Nuno Santos será o sucessor.

Todavia, a última palavra será de Marcelo Rebelo de Sousa.

Brevemente num Observador perto de si!