Na base do conhecimento está o erro

Archive for December, 2020

Vejam as diferenças

Já ouviu falar na CICDR – Comissão Para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial? Devia informar-se sobre esta comissão e sobre o papel do Mamadou Ba na mesma.


Eichmann in Jerusalem – a solução final

Hannah Arendt – versão de 1964

A propósito da polémica com as declarações de José Rodrigues dos Santos, era aconselhável procurar mais informações. Não há questão que não tenha no mínimo duas perspectivas.

Este livro foi publicado em 1963. Como jornalista, Hannah Arendt acompanhou os julgamentos dos ex-oficiais nazis em Jerusalém, que começaram em 1961. Espero que estes breves excertos sejam motivadores para uma leitura completa desta obra indispensável.

VI. Third Solution: Extermination

“Furthermore, all correspondence referring to the matter was, subject to rigid “language rules,” and, except in the reports from the Einsatzgruppen, it is rare to find documents in which such bald words as “extermination,” “liquidation,” or “killing” occur. The prescribed code names for killing were “final solution,” “evacuation” (Aussiedlung), and “special treatment” (Sonderbehandlung); deportation – unless it involved Jews directed to Theresienstadt, the “old people’s ghetto” for privileged Jews, in which case it was called “change of residence” – received the names of “resettlement” (Umsiedlung) and “labor in the East” (Arbeitseinsatz im Osten), the point of these latter names being that Jews were indeed often temporarily resettled in ghettos and that a certain percentage of them were temporarily used for labor (…)”

“We must remember that weeks and months before he was informed of the Führer’s order, Eichmann knew of the murderous activities of the Einsatzgruppen in the East; he knew that right behind the front lines all Russian functionaries (“Communists”), all Polish members of the professional classes, and all native Jews were being killed in mass shootings. Moreover, in July of the same year, a few weeks before he was called to Heydrich, he had received a memorandum from an S.S. man stationed in the Warthegau, telling him that “Jews in the coming winter could no longer be fed,” and submitting for his consideration a proposal as to “whether it would not be the most humane solution to kill those Jews who were incapable of work through some quicker means. This, at any rate, would be more agreeable than to let them die of starvation.” In an accompanying letter, addressed to “Dear Comrade Eichmann,” the writer admitted that “these things sound sometimes fantastic, but they are quite feasible.” The admission shows that the much more “fantastic” order of the Führer was not yet known to the writer, but the letter also shows to what extent this order was in the air. Eichmann never mentioned this letter and probably had not been in the least shocked by it.”


Sociais-democratas à esquerda do PCP.

As acólitas de Francisco “Tele-evangelista” Louçã – o homem que aderiu à Liga Comunista Internacional (LCI), partido político (fundado em 1973) de matriz trotskista que se declarou como a secção portuguesa da IV Internacional, e que em 1978 se fundiu com o partido revolucionário dos trabalhadores (PRT), originando, um ano depois, o partido socialista revolucionário (PSR), – Catarina Martins e Marisa Matias são sociais-democratas.

Tinha a ideia de que os trotskistas, à semelhança do que Marx tinha afirmado, defendiam a mudança da sociedade pela via da revolução, preferencialmente permanente, desprezando a via evolucionária e reformista preconizada por Ferdinand Lassalle (fundador da social-democracia), que foi revista e aperfeiçoada por Eduard Bernstein.

Este tipo de contradições não é novidade nos bloquistas. Se tiverem de renegar aquilo em que acreditam, fazem-no sem qualquer problema. Há uma divisão essencial no socialismo: os que são democratas e os que são totalitários. Um dos fundamentos para essa divisão reside precisamente na forma de mudança da sociedade. A social-democracia é democrática, o trotskismo não.

Recorde-se que Francisco “Tele-evangelista” Louçã, juntamente com o seu camarado Luís Fazenda, depois de eleitos para a Assembleia da República, fizeram uma birra por quererem sentar-se à esquerda do PCP. Pouco tempo depois, a 21 de julho de 2005, numa entrevista ao Público, Francisco Louçã afirmou que queria ser uma alternativa ao governo socialista, ou seja, ao PS. Contudo, na mesma entrevista Louçã definiu o BE como “socialista do século XXI”. E que tipo de socialismo defende o BE? Segundo o próprio tele-evangelista, pela radicalidade e transformação política consistente com o posicionamento do BE à esquerda do PCP (2 de março de 2008, DN).

A social-democracia não fica à esquerda do PCP. Fica à direita do PS. O tele-evangelista e as suas acólitas sabem-no perfeitamente. São hipócritas, desonestos e populistas, disponíveis para serem o que for necessário ser para terem mais um voto.

Ao fazê-lo demonstram toda a sua incoerência face ao que defendem ideologicamente.