Na base do conhecimento está o erro

Archive for 2017-10-11

Crónica dos socretinos indignados!

J Sócrates Derrotado

A acusação de José Sócrates saiu. Trinta e um crimes. Podiam ser menos ou até mais. É irrelevante. Sócrates está a vivenciar um autêntico 31!

Todavia, bem cedo tal desfecho foi previsto. Que o diga a Susana Martins que por pouco não foi agredida quando perguntou a José Sócrates: “Receia que este resultado eleitoral, que esta derrota eleitoral, abra caminho a novos processos judiciais ou que acelere processos judiciais em curso … em torno do processo face oculta?”

Importante é saber onde está a fiel legião de devotos que, a 5 de Junho de 2011, rasgava as vestes em indignação e se prostrava aos pés do ídolo, ainda santificado, suplicando-lhe que não se autoexilasse?

Ah! É verdade. Alguns estão no governo!


O regresso dos Marretas!

Marretas.jpg

Foto: Hugo M. T. Silva

 

Poderíamos, eventualmente, considerar que se tratava mais de um folhetim ou de uma telenovela do que de uma comédia. Todavia, nem esta está correcta. Indubitavelmente, antes de qualquer outra coisa, estamos perante uma série infantil, em coerência com as maravilhas do nosso país. Entre Lewis Caroll e Jim Henson existe uma coerência, genuína, que se complementa. Se adicionarmos Portugal à equação, o resultado transfigura-se porque por cá não faltam marionetas!

José Sócrates e pandilha foram hoje acusados pelo Ministério Público. É possível que, em determinado momento, todos tenham sido marionetas, mas manipuladores não. Só alguns tiveram tal estatuto. Contudo, esta referência serve apenas como ponto de partida. Referimos marionetas e manipuladores, ou pseudo-manipuladores. Falta mencionar o universo mítico desta circunstância: os marretas.

Perante o facto consumado da formalização da acusação, João Araújo e Pedro Delille convocaram uma conferência de imprensa para voltarem a maravilhar toda a gente com a sui generis dupla estratégia de negação da realidade e de conveniências circunstanciais. Contestaram tudo, apesar de nada terem dito. Acusaram o Ministério Público de reescrever a história e de fuga para a sempre. Todavia, quando questionados, João Araújo e Pedro Delille, não respondem alegando desconhecimento do conteúdo do processo. Imagino que o desconhecimento seja o argumento que sustenta toda a defesa de José Sócrates? Como é que alguém que diz apenas conhecer 5% do processo pode, de seguida, afirmar que a totalidade da acusação é falsa e que nenhum crime foi praticado? Parece-me que é desconhecimento a mais. Ou então, contrariamente ao que afirmam, não é o Ministério Público, mas sim João Araújo e Pedro Delille quem procura desesperadamente reescrever a narrativa e a realidade.

No universo hensoniano, existem duas personagens que vivem para criticar todas as restantes. Statler e Waldorf são omnipresentes e questionam tudo. Nada fazem de produtivo e desconhecem integralmente as estruturas para lá do palco. No entanto, estão sempre seguros da sua verdade, a única que reconhecem.

E não me venham dizer que é mera coincidência.