Na base do conhecimento está o erro

Archive for October, 2013

Aparências

Em política, a condição é certeza. A relativa. Não a essencial.

Admito que até possa parecer irrevogável.
Parecer e não ser!
Como bem sabemos o irrevogável é mutável.


Sobre a indignação dos subservientes (ou dos interessados)


Joaquim Oliveira, o ainda presidente da Controlinveste, cuja venda está a negociar com angolanos, criticou publicamente o que classificou como preconceito português relativamente a Angola e aos seus cidadãos.

Na origem desta tomada de posição estão as investigações que o Ministério Público português está a conduzir devido aos alegados indícios de fraude fiscal e de branqueamento por parte do Procurador-Geral de Angola, no valor de 70 mil euros, originaram uma reacção do Chefe de Estado Angolano, que na minha opinião só podem ser classificadas como pressão

Não devemos ignorar que Joaquim Oliveira tem muito interesse na rápida venda da Controlinveste, nomeadamente aos angolanos, e que este episódio de tensão entre ambos os países pode atrasar ou danificar o seu negócio.
Contudo, o Senhor Joaquim Oliveira devia perceber – e alguns membros do Governo português também – que o Ministério Público português não está diferenciar ninguém.
Está somente a proporcionar ao “alto dirigente angolano” a mesma cortesia que dá ao mais simples dos portugueses.

O Ministério Público não pode fazer o que interessa a alguém. Deve cumprir com as suas obrigações.

Este tipo de indignação condescendente, como a que Joaquim Oliveira demonstra, só serve para diminuir o respeito que por ele possam ter.


“Volta Gaspar, estás perdoado!”

 

Vitor Gaspar, que herdou uma situação de gestão dificílima, resultante de 36 anos de maus hábitos políticos, de incompetência e impreparação governativa, as quais, relembre-se, foram levadas ao extremo durante o consulado “socretino”, foi impiedosamente atacado por colocar em prática o acordado entre os representantes do Estado Português – PS, PSD e CDS – e a Troika.

Não estou a fazer uma defesa integral das medidas que o ex-Ministro das finanças tomou, até porque não concordei com algumas, mas a verdade é que ele nada mais fez do que decidir segundo os dados que disponha e de acordo com o acreditava que devia ser feito.

A diferença entre as minhas criticas e a postura dos partidos políticos (não irei referir os que se recusaram representar nas conversações com a Troika quem neles votou nas legislativas), principalmente dos socialistas é substancial. Afinal, por questões de posicionamento político temporais e demagógicas, Vitor Gaspar foi inexoravelmente atacado, tanto a nível pessoal como profissional, por aqueles que representavam o executivo português e que assinaram o Memorando de Entendimento.

Vem agora Basílio Horta afirmar que o Orçamento de Estado para o próximo ano seria diferente, para melhor, se Gaspar ainda fosse Ministro.

Será que o facto que já ter referido que já tinha perdoado Gaspar é suficiente para mitigar a indecência e deselegância com ele tidas? Será que não é possível criticar sem o recurso a determinados níveis?

Na minha opinião, este tipo de postura ilustra na perfeição a índole da grande maioria dos homens que nos representam.

Não devemos ter ilusões. A maioria dos nossos políticos são-no, quando muito, apenas como termo classificativo. Poucos são autênticos políticos. E raros são estadistas.


Livre-arbítrio

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O Criador deu o livre arbítrio aos homens!

Todavia, haverá sempre quem pense que o de alguns é superior ou melhor do que o dos restantes.

Eu?

Penso que cada homem deve fazer o que bem entender, de acordo com as vicissitudes circunstanciais, mas consciente que as suas escolhas implicam consequências.


Servir ou ser serviçal

Em política haverá sempre situações surpreendentes. Infelizmente, muitas delas sê-lo-ão negativamente. Lamentavelmente, algumas delas não envergonham apenas quem as profere. Também desonram os seus concidadãos e o país.

Angola não é uma autêntica democracia. Sim, é verdade que possui uma Constituição, mas o seu chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, é-o eternamente. E descaradamente. Nem se sequer se dá ao trabalho de colocar alguém da sua confiança temporariamente no lugar, seguindo a esteia de Vladimir Putin, para depois se recandidatar.
Curiosamente, apesar desta e de outras nuances constitucionais, aos cidadãos angolanos é garantida a possibilidade de recorreram ao ministério público angolano sobre a acção dos titulares públicos. Será que pedem desculpam quando se queixam?

As desculpas no Ministro dos Negócios Estrangeiros português são mais do que um exemplo de falta de bom senso. As tristes declarações de Rui Machete são um exemplo de servidão. Não são adequadas a um Ministro, que deve servir o seu povo e representar o Estado, e impróprias dum cidadão que sabe o que é a Separação dos Poderes. São, antes pelo contrário, ilustrativas dum serviçal dos interesses.

Há condições que nenhuma conjuntura deve alterar, independentemente dos interesses em jogo. A dignidade é uma dessas condições. A sua perda implica a falta de respeito.

Neste caso, implicou a falta de respeito pelo regime democrático, pelos portugueses e por Portugal.