Na base do conhecimento está o erro

Outra vez a Islândia

Referir a Islândia e as medidas que os islandeses tomaram está na ordem do dia. Não digo que as mesmas não devam ser consideradas e que não sejam um exemplo a seguir. Mas não podem é ser adoptadas ipsis verbis.

Infelizmente, há algo que, sistematicamente, a maioria do nós parece esquecer. Não é apenas a questão da dimensão. A Islândia tem uma moeda própria (que foi brutalmente desvalorizada). Nós não. E antes que comecem a dizer que devemos sair do euro, é bom que se pense nas consequências dessa saída.

Em Portugal, hoje, um litro de leite meio-gordo custa cerca de 55 cêntimos (110,26 escudos) e um quilo de carne custa cerca de 3 euros (601,45 escudos). Amanhã, se sairmos do euro, passaremos a pagar por estes bens respectivamente 274,56 e 1.497,60 escudos. Num país que importa mais ou menos 75% da sua alimentação, um aumento desta magnitude no custo de vida terá enormes consequências. Sociais e não só!

É urgente modificar Portugal, mas para que as melhores decisões possam ser tomadas, é necessário informar a população sobre as implicações de determinadas escolhas.

P.S. – Um português que ganhe hoje 500 euros, verá o valor do seu rendimento em escudos diminuir quase duas vezes e meia (passará a receber perto de 40.257,43 escudos) ao mesmo tempo que o preço dos bens alimentares aumenta num rácio proporcionalmente inverso, i.e., duas vezes e meia.

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9 responses

  1. Pingback: Sobre a Islândia e a confiança

  2. Nuno Marques

    Lembremo-nos que uma eventual decisão de sair do Euro não significa voltar ao Escudo. Uma nova moeda com paridade com o Euro ou com o Dólar ou outro ativo de referência poderia ser adotada. Afinal, quando passamos do Escudo para o Euro, todos os ajustes e perdas foram equacionadas e absrvidas naquela época.

    Quanto à produção agrícola e de alimentos. Se importamos 75% não é porque não temos condições de produzir mas boa parte desta dependência nos é imposta pela própria Europa com suas cotas e medidas de restrição ao crédito ou ao comércio.

    Antes de sermos da zona do Euro a nossa dependência de alimentos externos era muito menor. Em muitos produtos éramos grandes exportadores e em outros importadores moderados.

    2013-03-26 at 14:09

    • VFS

      Caro Nuno,
      achas mesmo que Portugal tem condições e suportes para ter uma moeda, seja lá qual for a sua designação, em paridade com o Euro ou Dólar?

      Temos igualmente de deixar de olhar para o passado, excepto se for para aprender. Evidentemente, teremos que repensar a nossa postura face ao sector primário.

      2013-03-26 at 14:35

  3. João Gabriel Marques

    Prezado Vicente,

    Saída imediata da União Europeia. Chega. Voltemos a um saudável nacionalismo, com proteção adequada da nossa economia. Vamos voltar ao trabalho, a brincadeira acabou.

    João Gabriel Barbedo Marques

    2013-03-26 at 18:37

    • VFS

      Caro João,

      relê a carta encíclica «Populorum Progressio», de S.S. o Papa Paulo VI, onde é muito bem observado que “o nacionalismo isola os povos”.
      Esta carta encíclica é duma clarividência espantosa. Principalmente, tendo em conta o ano em que foi escrita.

      Também te deixo este link para um artigo que publiquei em 2007.

      https://intransmissivel.wordpress.com/2008/05/30/globalizacao-e-nacionalismo/

      2013-03-27 at 9:37

  4. goreti

    Caro Nuno, falta acrescentar uma outra “coisinha”:
    “Se importamos 75% não é porque não temos condições de produzir mas boa parte desta dependência nos é imposta pela própria Europa com suas cotas e medidas de restrição ao crédito ou ao comércio.” e à própria produção, acrescento eu. Sabemos bem o que se passa, por exemplo, com a produção de leite. Não temos cotas para produzirmos mais. Os agricultores que têm excedentes de produção deitam-nos for ou, se têm dinheiro para tal, constroem fábricas de queijo. E eu sei do que falo! E podia ainda falar das pescas.
    Vicente, já agora, explique-me como chegou a esses “câmbios” de euro para escudo. Quando passámos de euro para escudo, 200 escudos equivaliam a 1 euro. Fiquei curiosa. Acabar com o euro ia ficar muito dispendioso, é um facto. Não devíamos era ter entrado nele.

    2013-03-26 at 20:03

    • VFS

      Goreti, quando entramos no euro, o valor era de 200,482 escudos para cada euro. Mas isso foi em há 11 anos, se considerarmos o formato em notas e moedas, e há 14, considerando a moeda escritural.
      Existem vários estudos sobre a questão da conversão do euro em escudos nos dias de hoje. Fiz uma média entre os diferentes valores que encontrei e cheguei ao valor de 500 escudos para um euro. Este é o valor actual.
      A diferença é de 2,4939. Arredondei para 2,5, ou seja, duas vezes e meia.

      2013-03-27 at 9:31

  5. João

    Saída da União Europeia já, onde nunca deveríamos ter entrado. Voltemos ao velho escudo. Chega de brincadeiras. Voltemos ao trabalho. Protejamos a nossa economia de maneira inteligente. Revoguemos uma série de leis que nos são altamente prejudiciais como país. Voltemos a uma antiga altivez que nos levava a preferir estar sós que mal acompanhados. Exilemos maia duzia de traidores.
    João Gabriel O. B. Marques

    2013-03-27 at 1:34

    • VFS

      Tio,

      como possibilidade de evitar a bancarrota, regressar ao escudo é uma hipótese a considerar seriamente. Contudo, a mesma implica passar por um período muito difícil e só se deverá tomar uma decisão do género depois de se informar a população das suas consequências.
      Caso contrário, corremos o risco de ter uma revolta sangrenta nas ruas.

      2013-03-27 at 9:45

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