Na base do conhecimento está o erro

Archive for September, 2012

continua no próximo episódio

Da reunião entre os dois partidos da coligação governamental não surgiu nada de novo.
A criação dum Conselho de Coordenação da Coligação não disfarça o ambiente entre os parceiros governamentais.
Antes pelo contrário.

A probabilidade da formação dum governo de iniciativa presidencial é mais forte, o que não significa que se vá concretizar. Até porque o mais provável é um recuo das posições do Governo relativamente às últimas medidas de austeridade. Mas veremos o que acontecrá no Conselho de Estado de hoje. Tanto interna como externamente.

De considerar é que a jogada de Paulo Portas não correu bem. E a razão para tal é que deve ser ponderada.
Pessoalmente, pesnso que algo de novo surgiu nas hostes centristas e que o partido não é apenas o seu líder.


Será possível uma mudança sem adesão popular?

No início desta semana esteve em minha casa um electricista a fazer uma instalação.
Aproveitando a sua presença, perguntei-lhe que opinião tinha sobre a manifestação do passado dia 15. Naturalmente, concordava com a mesma.
A conversa continuou e a certa altura, já emocionado, o homem diz-me isto:
“Sou uma pessoa modesta que nunca gastou mais do que tinha. Já paguei a minha casa e não devo dinheiro a ninguém. Felizmente, os meus flhos também não. Repito, não devo dinheiro a ninguém. Então porque é que me dizem que eu devo 18 mil euros ou lá o que é. Quem deve é o Estado.”
Quando respondi que o Estado eramos todos nós, o homem olhou para mim num misto de tristeza e resignação.
Daqui retirei duas certezas.
Primeiro, que a maior parte da população não faz ideia do que é o Estado nem a sua orgânica política. Vota sem o conhecimento real das implicações dum voto.
Segundo, que é necessário encontrar uma oratória acessível para educar e elucidar todas estas dúvidas.
Até lá, tenho sérias dúvidas que as escolhas sejam responsáveis e livres.


Não é dum descaramento vergonhoso?


Relativamente à manifestação popular do último Sábado, é uma verdadeira vergonha qualquer aproveitamento político.
Seja de quem for!

Louçã não foi o único a fazê-lo mas, declarações desta natureza provenientes deste senhor é demasiado descaramento.
Não. Não estou a exagerar.
Louçã recusou-se a representar quem o elegeu nas conversações com a Troika. Lembram-se?
Agora já se serve da mesma para os seus fins.

Mais recentemente disse que ia abandonar a liderança do BE.
Pelos vistos, fica a liderança bicéfala e ele quer outro poleiro.

Demagogos como este jamais chegarão ao poder pela via das eleições. Serão sempre marginais e, felizmente, incapazes de enganar a maioria da população.


O pior inimigo do PSD

O objecto deste post não é qualquer tentativa de atenuar a incompetência e arrogância que caracteriza a grande maioria dos dirigentes do PSD e, consequentemente, do Governo, principalmente no que respeita à relação e comunicação com a população, mas sim salientar o que me parece ser a sua natureza.
Não está sustentado em qualquer prova palpável e apenas resulta das minhas observações ao universo das diversas particularidades que constituem o PSD.
Naturalmente, é-me impossível ver e saber tudo. Logo, a minha opinião sobre este assunto pode ser considerada mais do que subjectiva.

O pior inimigo do PSD é o PSD.

É um partido incapaz de se unir em torno dum líder.
Seja ele quem for, tem, e terá sempre, alguém a trabalhar para o seu derrube nos bastidores. Basta recordar o seu passado recente.

Quando Manuela Ferreira Leite ganhou a liderança do partido a Pedro Passos Coelho, este e nenhum dos seus apoiantes foram incluídos nas listas do partido às legislativas. E o que foi que se passou quando Pedro Passos Coelho se tornou líder do PSD?

Repito: O pior inimigo do PSD é o PSD.
No seu seio reina a mesquinhez, a intriga, o rancor e a vingança, prevalecendo o interesse pessoal dos seus intervenientes face ao interesse do partido e, consequentemente, do seu eleitorado.
Creio que só quando esta circunstância desaparecer o PSD será capaz de se relacionar melhor com a população e com o poder.

Por fim, na minha opinião, as duas grandes influências, antagónicas, que dominam ou procuram dominar o partido, são Ângelo Correia e Pacheco Pereira. Dentro destes dois, Pacheco Pereira, tendo em conta a sua personalidade e postura, vai ser aquele que mais mal vai fazer ao PSD.

Declaração de interesses: Conheço excelentes pessoas no PSD e tenho o prazer de ser amigo de dois dos seus deputados.


15 Setembro de 2012

São 19:00. Já estou em casa. Acabei de vir da maior manifestação de cidadania que presenciei na minha vida.
Não me recordo de alguma vez ter visto a Av. dos Aliados com tanta gente. Tenho na memória uma manifestação da AD nos anos 80 do século passado. Não consigo dizer qual teria mais gente, mas isso não é importante. Existe, entre ambas, uma diferença fundamental. A de hoje não foi organizada por nenhum partido político!
Há anos que escrevo em favor duma mudança do sistema político e, sobretudo, procuro incentivar a participação activa dos portugueses na vida política do país.
Não podia estar mais contente com esta reacção popular.

Se bem aproveitada, esta dinâmica pode mudar Portugal!

Claro que existe a possibilidade de os actuais partidos se regenerarem. Mas esta hipotese será realista? Todos os partidos têm pessoas boas no seu seio, mas a verdade é que se transformaram em organizações fechadas à sociedade.

Cada vez mais me convenço que é necessário algo novo, que defenda a clarificação do sistema político pela alteração do Constituição, ou a adesão a um partido sem representação parlamentar e, consequentemente, sem vícios sistémicos.

No que me respeita, é o que irei fazer!
Felizmente tenho amigos e pessoas que ainda não conheci pessoalmente dispostas a ouvir e a colaborar.

O futuro vai ser construído por nós!


Os autores das PPP’s

Segundo a Direcção Geral do Tesouro e Finanças, Portugal tem um total de 67 Parcerias Publico-Privadas estabelecidas. 
Esta informação pode igualmente ser consultada no Diário da República.

Se fizerem uma consulta aos anos em que as mesmas foram contratadas e relacionarem com o partido que estava no Governo do País, obterão o seguinte resultado:

PS – 59

PSD – 8


Mercado imobiliário: critério da dação

Os principais beneficiários com a especulação imobiliária dos últimos 35 anos foram os bancos!
Creio que ninguém duvidará desta afirmação.

Notem que não lhes bastou fazer empréstimos para a habitação. Para além disso, determinavam o valor da habitação e/ou propriedade pelas avaliações (serviço pelo qual se cobravam) e ainda financiaram a construção.
Reparem que digo construção e não construtores. Obviamente também o fizeram. Porém, bastava alguém ter um terreno e conseguir licenciar um projecto que os bancos financiavam imediatamente. Mesmo aqueles que nem sequer tinham capital para aprovar os projectos. Naturalmente, não financiavam tudo mas esta era regra.

A mudança de posição da coligação governamental no crédito à habitação é, no mínimo, reprovável.
E a diferença de posição passou da entrega do imóvel que garantia o pagamento total do crédito ao banco para o valor da avaliação actual do imóvel.
Este é o critério na nova proposta do PSD/CDS-PP.

Parece-me evidente que o montante da avaliação actual nunca terá em conta as circunstâncias do mercado aquando da aquisição,  mas sim o valor corrente do mercado.


Nem timing, nem saber

Se o lider do PS, António José Seguro, tivesse alguma noção de oposição política, já tinha anunciado ter dado instrucções ao seu grupo Parlamentar para apresentar uma iniciativa que visasse a redução dos vencimentos dos deputados.

Mas, para isso, é preciso saber ser oposição.

O PS dificilmente será solução. Para mim, nunca o será!


Eis o problema!

Quando Portugal tinha uma dimensão dez vezes maior,
o Estado tinha cerca de cem mil funcionários.

Agora que Portugal tem uma dimensão dez vezes menor,
o Estado tem um milhão de funcionários.

Sim, o ciclo há muito que terminou. Se preferirem, o sistema está podre.
Mas as metodologias do século XIX já não se conseguem aplicar.
O “Estado” soube adaptar-se à evolução dos tempos (intencionalmente ou não é outra história).

O poder até pode continuar concentrado em poucas pessoas, mas o número de pessoas que dependem do estado decuplicou.
Estamos a falar de dois milhões de pessoas na dependência do Estado, pelo que são várias as muralhas a derrubar.

A espada que pende sobre nós já não é de Dâmocles. É a do enunciado de Toffler!


Saldo(s) e défice

O que é que se verifica quando x é aumentado a uma parte
e o mesmo x é retirado a outra parte?

O saldo é:   ?
E o défice fica:   ?

E se a uma parte é aumentado 7% e à outra é retirado 5,5%?


Eis a realidade

Por alguma razão que me escapa, a triste verdade é esta:

Não me parece que alguém em Portugal saiba qual é,
efectivamente, a dimensão do Estado e o seu custo.


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