Na base do conhecimento está o erro

Há quanto tempo não digo isto?

Para resolver os problemas que nos afectam, a adopção de soluções conjunturais nunca será suficiente.
Quanto mais não seja, os últimos 37 anos deviam ensinar-nos isso.

“Não deve haver dúvida que estes programas, particularmente da Grécia e de Portugal, [países] que têm problemas estruturais profundos, vão falhar se forem só de consolidação orçamental e desalavancagem financeira”.

Todo este esforço, que foi pedido aos portugueses e que estes estão a passar, poderá ser em vão se o essencial não for feito. Reformas estruturais, bem delineadas e organizadas, em vez de acções de cosmética, são primordiais para o futuro de Portugal.

Mais uma vez repito. Não me venham falar em pactos de regime.

O estabelecimento de objectivos e metas a atingir num prazo definido (por exemplo, 10 anos), adaptáveis ao evoluir das circunstâncias, tem que ser um desígnio nacional, suprapartidário, que todos representantes eleitos deviam cumprir (independentemente dos seus programas e promessas eleitorais, que implicam mudanças legislativas, frequentemente contraditórias, cada vez que se verifica uma troca no partido que governa).

P.S. – Desculpem puxar a brasa à minha sardinha, mas há quanto tempo não digo isto? Há quanto tempo não escrevo sobre isto?

18 responses

  1. repensaresad

    É inteiramente verdade!
    Durante a “janela de oportunidade” que Portugal teve para avançar e investir o nosso primeiro ministro (actual Presidente) preferiu distribuir os mulhões que chegavam em betão e asfalto para os amigos…

    2012-04-21 às 11:59

    • VFS

      Deixe-me dizer-lhe o seguinte.
      Na primeira vez que fui a Madrid com os meus pais, fizemos a viagem de carro para conhecer algumas localidades.
      Do Porto à Guarda foram 9 horas de carro.

      Os primeiros betões não foram problema e eram necessários. Os seguintes é que não se compreendem.

      2012-04-22 às 22:30

    • Manuel Ferreira da Silva

      Caro Vicente,

      Aqui vai a minha opinião (será só a minha? ) …

      O problema Português (que é também de outras nações) é o de ter caído, por imobilismo dos portugueses, nas mãos de uma clique de parasitas que delapidaram o património público ao longo de décadas.

      Essa clique tem um nome: partidos políticos.

      Os partidos são estruturas regidas pelo princípio da emergencia, isto é, tem um carácter colectivamente corrupto. Certamente existem pessoas honestas nas estruturas partidárias, mas tal como um átomo desalinhado num sólido cristalino estas não alteram o carácter colectivo da organização.

      Temos uma democracia nominal. A liberdade de expressão existe mas é inconsequente.

      A responsabilidade civil (e mesmo criminal) dos poderosos é uma farsa.

      O controlo é ineficiente. Chega a ser ridículo!
      Veja-se o tribunal de contas. Depois de o governo desbaratar milhares de milhões em obras sumptuosas e parcerias ruinosas vem “descobrir” as ilegalidades e apontar más praticas, quando já é tarde. É como um polícia que assiste impávido a um assalto para depois dizer “os senhores não deviam ter feito isso…”.

      A injustiça é flagrante, veja-se o recente caso do plafonamento das reformas. Não é urgente claro, porque afecta os “donos” do país. Como também não é urgente reduzir o número de deputados, nem cortar a fundo nas assessorias, nem acabar com as frotas de automóveis novos, etc., etc…

      Enquanto não rompermos com este “status quo” teremos na melhor das hipóteses um pais medíocre e subsidiado, à mercê dos parasitas sem escrúpulos.

      Com sorte teremos assegurado um “rendimento social de inserção” dos nossos “benfeitores” europeus.

      Há solução para Portugal? Sim mas fora deste quadro de plutocracia e degradação…

      2012-04-23 às 13:35

      • VFS

        Caro Manuel,

        concordo. Os partidos políticos estão separados da sociedade civil e fechados à mesma.
        E sim, evidentemente, existem pessoas honestas e bem intencionadas nos partidos.
        Mas, a verdade é esta:
        A grande maioria das pessoas (leia-se cidadãos) não está disposta a fazer nada para mudar a situação. Criticam e falam, mas fazer?
        Estão todos à espera dum salvador da pátria e a suspirar por uma democracia directa, ou algo do género que irá, eventualmente, conduzir a uma ditadura.
        Se os políticos (ou a maior parte deles) não são honestos, então de que esperam as pessoas honestas para fazer alguma coisa?

        2012-04-24 às 9:52

  2. joana maria-lobo

    Oh Vicente, à quanto tempo ando a dizer isso e não sou analista política,, os agiotas e o eixo Paris-Berlim não querem sòmente o pagamento de dívida mas muito mais,, seja-me perdoada a metáfora, mas os credores querem o pagamento da mercadoria e querem sobretudo a mercearia e o merceeiro! Há que urgentemente pôr cobro a isso e não é com mauf’s de bandeirinhas, cartazes e esgotados slogans que se vai conseguir. Há gente a morrer por falta dos mais elementares bens como comida e cuidados de saúde, não podemos esperar os 25 anos preconizados para um processo brando e legal!

    2012-04-21 às 12:07

    • VFS

      Joana, se já poucos cidadãos estão dispostos a dar o corpo ao manifesto pela via legal …

      2012-04-22 às 22:33

      • Manuel Ferreira da Silva

        Caro Vicente,

        É verdade. Por trás da nossa decadência está o “pecado da preguiça”. Feitas as contas o que levou Portugal a este estado foi o nosso tão característico “eles”. Eles deviam fazer… eles deviam ter vergonha… eles mereciam…

        Utilizando a analogia física, as estruturas de poder neste país estão “cristalizadas” numa fase de nepotismo e corrupção. Para sair deste estado de coisas não basta uma substituição pontual de líderes nas organizações. É preciso uma “transição de fase”. Neste caso, e abusando da analogia física, vai ser necessário fornecer energia ao sistema do exterior.

        Acredito que é possível fazer melhor até com as mesmas pessoas desde que se consiga romper a teia de relações iníquas e instalar mecanismos de supervisão e controlo.

        Estou convicto que existe um conjunto de princípios éticos e políticos que são transversais à sociedade portuguesa e que poderiam servir de base a um movimento cívico que fornecesse a tal energia necessária à transição de fase.

        Princípios tão básicos como:
        -Estado ao serviço do interesse nacional,
        -Liberdade de expressão,
        -Igualdade perante a lei,
        -Justiça célere e acessível,
        -Valorização do trabalho,
        -Liberdade económica,
        -Protecção social,
        -Apoio ao empreendedorismo,
        -Regulamentação do mercado para promover a concorrência merecem o acordo de uma vasta maioria do povo português.

        Um movimento civíco (no fundo um “partido amador”), liderado por “outsiders” da “nomenklatura no poder”, que se apresentasse ao eleitorado com o objectivo de formar governo (o tradicional objectivo de “alertar” ou “consciencializar” é desmobilizador) com um programa concreto teria condições de recolher um vasto apoio.

        Penso que nem precisava de ganhar as eleições. Bastava ter uma expressão que mostrasse claramente que o povo não estará disposto a tolerar o parasitismo político para sempre. Só isto poderia servir de catalizador para reformar os partidos actuais.

        Para concretizar isto, infelizmente, precisaríamos de um catalizador. Uma ou mais pessoas que tivessem condições económicas e pessoais para dedicar-se a este projecto a tempo inteiro.

        Por mim, que tenho de “ganhar o pão” todos os dias, estaria disponível para ajudar dentro das limitações de um “trabalhador por conta de outrem”, nem que fosse a colar cartazes…

        2012-04-25 às 11:04

  3. Manuel

    Claro que tem razão, Vicente. O nosso problema é que deixámos que se desenvolvesse um Estado tentacular, mais preocupado com os interesses dos grupos económicos que pululam à volta do poder (eu sei que isto é um lugar-comum, mas é a realidade).
    Nem queria acreditar quando soube que havia projectos de construção de mais sete auto-estradas no nosso país. Isto é o cúmulo do inescrúpulo, do desperdício e dos conúbios entre construtoras e o Estado.
    E, por vezes, mesmo os que se pretendem fazer passar por íntegros, como o nosso presidente da câmara, mostram que não são mais que fraudes. António Mota (Mota-Engil) vai ser condecorado pela Câmara Municipal do Porto no 25 de Abril. Não tenho palavras para exprimir a vergonha que sinto. Um dos maiores corruptores de Portugal, que comprou favores e influências à esquerda e à direita, vai ser condecorado… no 25 de Abril!!!
    Com gente desta vai ser muito difícil fazer reformas estruturais, porque estas poriam a nu a teia e a podridão que se foi criando ao longo dos últimos 37 anos.

    2012-04-21 às 13:46

  4. António Afonso

    É verdade, Vicente …! Desiludido e descrente…não vislumbro qualquer vontade de governantes e oposição, mudar as coisas …! Este governo está a falhar e a comprometer ainda mais o nosso futuro…! Há ministros, a parecer andar a fazer Turismo…! Se não houver investimento, não há crescimento… e empobrece o País…! Para onde nos quer levar este Governo…! Sinto-me envergonhado, ser militante do PSD….!
    Abraço

    2012-04-21 às 13:46

  5. repensaresad

    Caro Manuel, então um pobre desgraçado passa anos a fio da sua vida a fazer favores a toda a gente que só por pura coincidência eram todos membros dos diversos executivos camarários não merece uma medalhinha? Vamos lá, não está a ser um pouco severo?🙂

    2012-04-21 às 17:54

  6. José António Rodrigues Carmo

    “preferiu distribuir os mulhões que chegavam em betão e asfalto para os amigos”

    Como diz o Eclesiastes, “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;”

    O investimento em infraestruturas, no tempo do cavaquismo, foi feito no tempo certo.

    Continuar com a receita, depois do tempo dela, esse é que foi o erro.

    Há uns tempos calhei, num almoço, em frente de Jorge Lacão. Palavra puxa palavra, na altura estavam em cima da mesa os gigantescos planos para infraestruturas como o TGV e o novo aeroporto, e o pensamento de Lacão, na altura um líder de topo do PS, era claro: acreditava, convictamente, na excelência do investimento. Não pelo produto final do investimento, mas pelo processo. Era, na sua visão do mundo, a melhor forma de injectar dinheiro na economia, uma ideologia neokeynesiana na qual desaguou o pensamento de esquerda, em Portugal.

    A diferença entre gastar dinheiro no TGV ou em mandar abrir buracos e tapá-los, era só uma: a segunda alternativa é melhor, porque não tem custos futuros.

    Dito isto, como diz o Vicente, estão a faltar as verdadeiras reformas estruturais. Aquelas em função das quais deixaremos de ter um capitalismo corporativo, com o úbere do estado a alimentar toda a gente.

    2012-04-22 às 11:39

    • VFS

      É precisamente isso, meu amigo.
      Os tempos mudaram e os decisores políticos continuam a viver nos anos 80 do século passado (e este não é o maior dos nossos problemas).

      2012-04-22 às 22:27

  7. desconforme

    Embarcámos no primeiro combóio que apareceu e tomámos a decisão errada logo assim de rompante: mandar vir a troika.
    A Europa está num período de enorme turbulência, e nestas alturas a melhor decisão é nao tomar decisões e deixar assentar a poeira…fizemos exatamente o contrário e decidimo-nos pela amputação da perna, para tirar a dor do joelho.
    Ideia peregrina, aconselhada, patrocinada e imposta pelo Aníbal.
    Já não tem remédio.

    Dentro de um ano, cairá o Passos.
    Só pecará por tardio…
    (livre-nos Deus do TóZé!!!!!!!)

    Dentro de 12 meses a Europa estará em convulsão, depois da queda de Espanha.

    E dentro de 18 a 24 meses a Europa estará em guerra, aposto com quem quiser.

    O lobbie judeu-financeiro de NY já tomou esta decisão há muito tempo…as agências de rating só desempenharam o papel delas durante uns meses, tudo o restou foi automático.
    A Europa pôs-se a jeito.

    Será essa a sua (da Europa) reforma estrutural. E a nossa. Começar de novo.

    Comprem ouro.

    E tenham à mão um plano B para vós próprios (que não seja ir para Angola…)

    2012-04-23 às 10:29

  8. José António Rodrigues Carmo

    Já cá faltava a teoria da conspiração judaica. Porque será que este tipo de tolos aparece sempre?

    2012-04-23 às 18:26

  9. João Gabriel de Osório Barbedo Marques

    A gênese dos nossos problemas chama-se socialismo, chama-se 25 de abril.

    2012-04-24 às 0:39

  10. joão Guilherme Barbedo Marques

    Concordo com a visão do Manuel Ferreira da Silva e como síntese concordo com o meu filho.
    È bonito, Vicente, os partidos porem-se de acordo para tentar resolver o que é essencial ao país! mas como é que eles se podem pôr de acordo? Cada um considera essencial o que para o outro náo passa de acessório. Se o essencial é igual para todos, todos formam um só partido!
    Pois bem, tenhamos partidos! Mas tenhamos responsabilidade! Quem fizer asneiras tem de pagar não só politicamente, mas criminalmente. Um político pode errar, mas não pode roubar, nem acintosamente proceder mal

    2012-04-24 às 17:11

  11. teresa macedo

    A mim só me apetece ir para a rua, destruir carros a governantes, pertubá-los de maneira a que não possam comer ,beber, ir a casa, enfim que sintam na pele o que estão a fazer aos protugeses.

    2012-04-26 às 14:13

  12. João Gabriel Marques

    Os portugueses de hoje (uma parte deles, é claro), salvo melhor juízo, são também responsáveis pelas dificuldades em que estamos metidos, nem que seja só por terem ao longo destes trinta e cinco anos votado repetidamente nos socialistas. Então, não parecem muito injustos os sofrimentos de que padecem, que, espero, não serão suficientes para os levarem à morte, felizmente. Morte esta a que os portugueses de hoje ( uma parte deles, é claro) pouco se importaram em condenar os nascituros do país. Que morressem, isto não lhes dizia respeito, pensaram, e, ou não compareceram ao plebiscito, ou votaram a favor da condenação à morte daquelas pobres criaturas.
    Sdçs
    Gabriel Osório de Barros

    2012-04-26 às 19:08

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