Na base do conhecimento está o erro

Diálogos com a Ciência III

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  1. Manuel N. F. Silva

    A propósito do ciclo diálogos com a ciência deixo aqui um comentário no âmbito da conferência “I&D: A riqueza do futuro”.

    Não é preciso ter dotes divinatórios para prever que se vai falar muito da necessidade de investir em Investigação e Desenvolvimento em áreas de ponta. Que esse investimento é a única forma de tornar Portugal competitivo na economia global, etc., etc.

    Algo está mal quando o Investimento em I&D duplicou em Portugal entre 2005 e 2009 e a taxa oficial de desemprego passou no mesmo período de 7,5% para 10,6 %

    Chamo a vossa atenção para o facto de muitas das teses sobre este tema serem falsas ou mesmo perversas.

    Para este facto contribuem dois factores:

    1 – Os interesses pessoais dos “peritos”

    – A um professor universitário interessa maximizar os fundos atribuídos à sua entidade empregadora. Se isso acontecer aumenta a probabilidade de ser beneficiado.

    2 – A falta de contacto com a realidade.

    – Quem vive no universo “estatal” onde não há concorrência e existe (existia) o recurso a um poço sem fundo (impostos + endividamento), facilmente se alheia da economia real.

    A minha tese é a de que é urgente e fundamental “mudar de vida” também na área da ciência e tecnologia em Portugal.

    Em primeiro lugar temos de definir objectivos para a àrea de I&D.

    Para que serve a I&D ou dito de uma forma mais geral o investimento em Ciência e Tecnologia?

    a) Para fins lúdicos.
    – A ciência é interessante. A tecnologia é “gira” e pode até ser divertida.

    b) Para o prestígio do País e das instituições.
    – A descoberta científica ou o avanço tecnológico são notícias que trazem notoriedade e respeito internacional.

    c) Para ajudar o crescimento económico e a criação de emprego resiliente.

    Uma nação economicamente “sã” pode prosseguir os objectivos a e b. A um país imergente como é o nosso resta-lhe a opção c.

    Neste ciclo de decadência a que fomos conduzidos pela desonestidade e incompetência de alguns e pela apatia de muitos temos de tomar opções difíceis.

    O objectivo de criar emprego duradouro e em quantidade tem de ser alcançado se queremos sobreviver como nação. Temos de definir uma métrica que nos permita comparar projectos com investimento público. Parece-me obvio que a métrica terá de ter como dimensões o potencial de empregos criados em território nacional por unidade monetária investida.

    É fundamental separar tanto quanto possível a “ciência pura” da tecnologia.

    À ciência pura não podem por definição ser impostos limites utilitários. Devemos avaliar quais os recursos que podemos alocar-lhe. Não podemos nesta fase da nossa vida colectiva dar prioridade em termos de distribuição de recursos quer à ciência quer à cultura, seria uma injustiça social intolerável.
    Devemos neste campo, com humildade, procurar ajuda internacional através de cooperação.

    Ao investimento em tecnologia devemos dar prioridade absoluta. Aqui importa definir quais as áreas em que devemos apostar.

    Não podemos “ir a todas”. Sobretudo não cair na falácia da “inovação pela inovação”. Remeto o leitor interessado para este artigo:
    http://spectrum.ieee.org/at-work/innovation/jobless-innovation

    Devemos resistir à tentação “foleira” de esbanjar recursos nas tecnologias de “topo de gama” um pouco como aquelas pessoas que têm a casa a precisar de obras de conservação urgentes mas investem num televisor LED 3D de 2 metros de diagonal e som “surround”.

    Espero que a qualidade dos intervenientes na conferência “I&D: A riqueza do futuro” contribua para um debate frutuoso e com consequências aplicáveis ao nosso triste contexto em lugar das habituais “masturbações mentais”.

    MFS

    2012-01-05 às 15:03

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