Na base do conhecimento está o erro

Um novo partido em Portugal

Independentemente da sua posição no espectro público, qualquer iniciativa que venha contribuir para o aumento da participação cidadã na vida política do Estado deve ser realçada e até aplaudida. É o caso do recentemente constituído Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN).

Na minha opinião, o PAN é, potencialmente, um partido de futuro, pois não defende ideologias, mas valores.
Todavia, o seu futuro está nas mãos dos seus dirigentes. Porquê?

Se é inquestionável que a lei deve ser revista e alterada no que diz respeito à temática dos animais, a começar pela sua definição, pois um animal não é um objecto, focalizar a acção e intervenção política apenas nesta vertente não dará frutos e, no longo prazo, terá efeitos muito mais nefastos.
Penso que o que o PAN representa é, efectivamente, uma mudança de mentalidade, onde se engloba o todo da sociedade, visando um aprofundamento do contexto social. Mas, para esse ideal ser alcançado é necessário que em primeiro lugar seja observado bem-estar das pessoas, quer físico, quer mental, para depois ser possível, com a colaboração de todos, um maior respeito e consideração pelos animais.

Por outras palavras, é preciso educar as pessoas para a cidadania e para o respeito de todos os que fazem a sociedade. Isto ainda é mais verdade em momentos de dificuldades económicas e sociais (os mais atentos sabem que Portugal e a Europa vão entrar num longo ciclo recessivo).

Um partido como o PAN, cuja base de apoio é, muito provavelmente, constituída pelos membros de associações de animais e afins, só poderá crescer se souber respeitar aqueles que se revêem nos seus valores mas que não pensam inteiramente como eles. Eu sou um deles!

Mas o essencial está aqui. Sendo um partido político, o PAN deve estabelecer uma estratégia política que vise a eleição de deputados. A lei muda-se na Assembleia da República e qualquer iniciativa legislativa terá muito mais impacto, para além dum efeito duradouro, do que uma iniciativa ou acção local. Por exemplo, creio ser muito mais útil que todos os canis tenham que se actualizar por força da lei do que apenas um, por força de uma iniciativa local.

Sei que o PAN já vai concorrer às próximas legislativas. Vamos ver como se comportam.
E esperemos que um eventual sucesso não lhes suba à cabeça, caso contrário, verificar-se-á a lei de Newton.

3 responses

  1. O PAN é um partido político, constituído para defender os interesses das pessoas, dos animais e da natureza.
    Deve cumprir com brio essa tarefa, e como defender essa trilogia (pessoas, animais, natureza) implica proclamar valores éticos universais, e não meramente humanistas, animalistas ou ambientais, então o PAN deve focar o seu alvo eleitoral prioritário quer entre as pessoas que gostam dos animais , quer entre as pessoas que têm uma visão holística do universo, quer entre as pessoas que têm fortes motivações ecológicas.
    A afirmação política do PAN passará pelo fortalecimento da sua ligação a essas pessoas, o que só poderá acontecer se o PAN afirmar alto os seus valores, através do seu apoio a grupos de trabalho nessas áreas, certo de que está a prosseguir o caminho do combate à ignorancia que ainda predomina nas nossas sociedades, relativamente à necessidade de contemplar os animais como seres sencientes que são, com o direito aos direitos , de preservar os equilíbrios ecológicos e de fomentar a solidariedade e a equidade social.
    Uma vez que há muito caminho a desbravar para que a nossa sociedade reconheça de fato a senciência plena dos animais, sejam esses animais de companhia ou selvagens, o PAN não se pode fechar no circulo da meditação, que o torna muito contemplativo mas também muito inoperante, desfocando-o da luta concreta no terreno, e da sua ligação às bases potenciais do PAN, paralisando o crescimento e a implantação necessária do PAN no terreno .
    A agravar essa situação, verifica-se de forma frequente o Presidente Paulo Borges a defender posições filosóficas que reduzem a realidade a uma mera ilusão, o que destroi de certa forma a motivação dos militantes para uma praxis de transformação concreta da realidade seja ela respeitante aos animais, ás pessoas ou à natureza.
    Assim, em vez de o PAN ganhar implantação no terreno, começa afinal a ganhar terreno dentro do PAN a ideia de que não deve ser um Partido, ou que deve ser um partido inteiro, alimentando dessa forma uma filosofia anti-partidária, a qual obviamente atingiu o seu zénite, pelos vistos, com a tomada de posição de vários comissários políticos que decidiram , na onda dessa linha, considerar não necessário que o PAN tenha Presidente e Direção Nacional!
    Ou o PAN se abre à participação efetiva das suas bases naturais , e acolhe as suas expetativas e propostas de orientação para a praxis partidária do PAN (visando os objetivos do PAN) ou o PAN continuará enredado numa teia urdida por “iluminados” , desligados da realidade (até porque a consideram mera ilusão), e desligados da luta concreta pelo bem estar dos animais, das pessoas e do meio ambiente.
    O PAN tem de fazer um esforço de análise para compreender que os interesses presentes na sociedade não são todos confinantes, há interesses de algumas pessoas que colidem com a realização de interesses de uma grande maioria de animais, pessoas e natureza, e que só abolindo com as causas que permitem esses egoísmos, será possível melhorar sensivelmente o bem estar da grande maioria dos cidadãos e por acréscimo dos animais e da natureza.
    A divergência e mesmo oposição de interesses inviabilizam o lema central apregoado pela atual liderança do PAN do “bem de tudo e de todos”, já que é de fato necessário eliminar, contra a vontade dos que são seus beneficiários, os privilégios que favorecem apenas alguns cidadãos mas à custa do empobrecimento e do mal estar dos animais e da natureza.
    É afrimando-se como verdadeiro partido político, orgulhoso dos seus valores , os quais traduzem uma luta pelo bem estar e pela solidariedade humanista, animal e ambiental, que o PAN poderá atingir os seus objetivos, para os quais aliás foi constituído.
    Teimar em defender que o PAN é um partido inteiro, é o mesmo que defender que o PAN não toma partido por nada, e toma partido por tudo, mas deixa afinal sem partido quer os animais, quer as pessoas quer a natureza, e isso é a negação assumida do PAN , que levará sem dúvida a que os seus militantes fiquem sentados e em silêncio!

    2014-09-24 às 20:40

  2. Vasco Reis

    Defender valores que possam ser considerados positivos à escala global e comportar-se como se o seu comportamento pudesse servir de exemplo à escala global? Um pouco na linha de pensamento de Bertrand Russel?

    2014-09-27 às 14:56

  3. Pingback: União Cívica Democrática – um novo partido | (in)Transmissível

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