Na base do conhecimento está o erro

Presidenciais 2011 – (a minha) Análise dos resultados

Como as previsões das sondagens foram, com algumas nuances, confirmadas pelos resultados eleitorais apenas farei alguns acrescentos às leituras que tinha feito às sondagens.

A minha primeira palavra vai para o nível da abstenção que foi registado.
Pode ser que os problemas com o Cartão do Cidadão e o usual comportamento dos portugueses de se informaram apenas na última hora tenha contribuído para este valor (52.47%), mas é, para mim, inacreditável a quantidade de pessoas que não quer decidir sobre o seu futuro e que, consequentemente, permite que sejam os outros a fazê-lo.
O sistema político que vigora praticamente limita a acção dos cidadãos aos actos eleitorais. Logo, não participar …
Quanto aos brancos e nulos, é inquestionável que se verificou um (efectivo) voto de protesto.
Relativamente às presidenciais de 2006, os votos em branco passaram de 54 727 para 191 159. Por outras palavras, os votos brancos aumentaram 349,29%!!!
Por sua vez, os votos nulos passaram de 40 249 para 86 543, representando este número um aumento de 215,01%.
Resumindo, abstenção, brancos e nulos representam 58,66% dos cidadãos portugueses com capacidade eleitoral.
Já anteriormente escrevi sobre este tema e não me canso de o referir. Os políticos portugueses deviam repensar a sua ligação com a população.

Passando às performances dos candidatos, tivemos três derrotados e três vencedores.

Dos três primeiros, Manuel Alegre é o maior derrotado.
Como nunca tive qualquer simpatia por ele, direi que a obtenção de um resultado inferior ao que conseguira em 2006 é uma derrota em toda a linha. Perdeu capital político e social, tanto dentro da sua família política como junto da população que, de certa maneira, traiu ao ter procurado o apoio dos partidos em vez de ter efectivado o capital de cidadania.

Da actuação de Francisco Lopes deve-se realçar o facto de ter conseguido estabilizar o eleitorado comunista. De resto, é mais do mesmo, com a manutenção duma coerência discursiva.

Por fim, Defensor de Moura, revelou-se um homem verdadeiramente deselegante.

Quanto aos candidatos vencedores, começo por referir José Manuel Coelho.
Sinceramente, não sei o que pensar sobre a votação que este senhor conseguiu. Sei que a mesma me preocupa.
É plausível que uma parte da votação alcançada seja um voto de protesto marginal, mas a restante representa o emergir dum fenómeno eleitoral que, diga-se, vai repetir-se e que, é a expressão do aumento da população que é literalmente ignorante.

Sobre Fernando Nobre, (há algumas circunstâncias pessoais às quais não sou indiferente), afirmo o seguinte:
É verdade que não atingiu todos os objectivos a que se propôs – diminuição da abstenção e o atingir da segunda volta, que estavam, principalmente este último, perfeitamente ao seu alcance – mas conseguiu, inquestionavelmente, um óptimo resultado e sai deste sufrágio com um capital que até ontem não detinha.
Se era um homem com um grande carisma social, passa a ter que ser tido em conta na esfera política.
Não sei o que fará no futuro. Como o próprio referiu: “O futuro a Deus pertence”. Contudo, não se deve esquecer que os resultados eleitorais não oferecem garantidas ad eternum.
(Nota pessoal: Fernando Nobre não conseguiu ser apelativo ao eleitorado de centro-direita. Assim, independentemente do mérito que lhe deve ser reconhecido, ontem perdeu-se uma oportunidade de realmente se fazer história.)

Finalmente, o vencedor da noite.
Não há dúvida que Cavaco Silva é percepcionado como um elemento de estabilidade e de segurança pelos portugueses. O seu registo eleitoral confirma-o e ontem não foi excepção.
Contrariamente ao que fiz em 2006, não votei em Cavaco Silva. Não apreciei o seu primeiro mandato. É certo que o Presidente da República é um “moderador constitucional”, mas, na minha opinião, a opção por uma perspectiva redutora das prerrogativas constitucionais que o cargo detém não é positiva para o país.
Mas há que o felicitar pela vitória. E aqui o faço!

Naturalmente, não podia deixar de repetir as palavras que já dediquei aos não-candidatos que ontem estiveram em jogo.
O perdedor da noite foi:
“O Bloco de Esquerda, e particularmente Francisco Louça, serão os grandes derrotados das presidenciais 2011.
A aposta do BE em Manuel Alegre apenas se deveu a considerações estratégicas.
Depois do resultado obtido nas últimas eleições autárquicas, o BE constatou que está longe de ser um partido com implantação nacional. Tendo-se igualmente apercebido que a facção mais esquerdista do PS estaria descontente com a sua liderança, ao apoiar Manuel Alegre, Francisco Louça estava a tentar absorver parte dessa facção de modo a conseguir dois objectivos:
1º – melhorar a sua representação no território nacional;
2º – consolidar a sua posição onde já estava representado.
Não me parece que Francisco Louça vá ficar contente com os resultados e é muito provável que, devido a sua postura – as acções disciplinares contra os militantes que se recusaram a apoiar Alegre e afins – vá enfrentar contestação interna.
Há, na minha opinião, outro factor a considerar neste apoio do BE a Alegre.
Francisco Louça pode ter tido medo de obter um mau resultado eleitoral, o que, simultaneamente, desgastaria a sua imagem e a do BE.”

Já o triunfador foi José Sócrates.
“ (…) Estrategicamente foi brilhante!
Apoiou Manuel Alegre para manter o PS intacto, ao satisfazer os pedidos dos socialista mais radicais. Para além disso, livra-se de fantasmas e ensina a Francisco Louça como se devem fazer purgas no século XXI.
Sócrates sempre quis Cavaco em Belém, pois este é mais previsível. Mesmo equacionando uma postura mais agressiva de Cavaco Silva no segundo mandato.”

Notas finais:
No discurso que fez ontem, era perceptível o desconforto de Francisco Louçã. Se ele pensa que o PS está fragmentado, está redondamente enganado. Se há coisa que se lê dos resultados de ontem é que, para os socialistas, votar em Alegre não é a mesma coisa que votar em Sócrates.

Não encaro Pedro Passos Coelho ou Paulo Portas como vencedores. Fizeram o que lhes competia.
No entanto, considero relevante o seguinte. No seu discurso, Pedro Passos Coelho, demonstrou que sabe onde está, o que quer e qual é a sua família política. Mas, não me parece que o próprio seja cavaquista.

Veremos como se comporta contra José Sócrates.

20 responses

  1. Carlos Corrêa

    O que mais me faz rir é ver toda a papelada colada nas paredes pelo partido comunista, em todos os becos, ruas, estradas e aldeias de Portugal, paredes “borradas” por todo o lado… para obterem cerca de 7% dos votos, enquanto Fernando Nobre, sem cartazes, sem paredes “borradas”, sem insultos nem apoios de ninguém consegue mais de 14% dos votos.
    Quando aprenderão que o povo português já não vai em cantigas?

    2011-01-24 às 20:41

  2. Alberto

    Caro amigo,

    Gostei da tua análise, com a qual concordo em geral.

    Iria mais longe quanto à votação do José Manuel Coelho: é a expressão apenas de um voto de protesto, uma vez que a nossa partidocracia não permite valorizar devidamente os que não se identificam com qualquer das opções. Com efeito, os votos em branco (os nulos poderão ter outra leitura…) não cumprem a função que deveriam, que era a de valerem como expressão da vontade. Sempre defendi que a soma dos partidos (ou, neste caso, dos candidatos) não poderia exceder 100% – votos nulos e brancos. Nem sei de que serve contabilizar os votos em branco (excepto para conferir o número de votantes com os votos inseridos nas urnas) se nenhum significado se lhes dá. Por isso, votar em branco é pura perda de tempo e até prejudicial, pois não costumam ser contabilizados como abstenção (tu fizeste-o e muito bem).
    No mais, demonstra que o político demagogo e popularucho continua na moda e tem uma fatia muito apreciável de eleitorado à sua disposição, desde que o saiba aproveitar (já assim não seria se fosse dado aos votos em branco o valor que realmente têm: o de que se está a dizer “não quero nenhuma das opções que me é apresentada”).

    A 2ª nota é para o resultado do Dr. Fernando Nobre. Uma vez que se propôs ir à 2ª volta, o seu resultado não pode ser considerado vitorioso. Ele fixou a fasquia e é de acordo com esta que devia ter analisado o seu resultado. Por isso, ele devia ter sido mais humilde e coerente ao pronunciar-se sobre o seu resultado e devia ter assumido a derrota, em face da fasquia que anunciou. Fiquei desiludido por o não ter feito e de imediato pensei: “mais do mesmo”. Isto é, ainda agora chegou à política e já está a “apanhar as manhas” daqueles de quem se pretendeu distanciar…
    Não fora a fasquia que fixou, consideraria o seu resultado como o mais vitorioso, por ter alcançado uma votação significativa sem estar “manchada” pela marca do (voto de) protesto.

    Quanto ao Sócrates…
    Admito que o resultado eleitoral lhe “limpou a casa” e que o Cavaco na presidência é do seu interesse (razão determinante – embora não única – para eu não votar no Cavaco).
    No entanto, considero excessivo considerá-lo triunfador. Afinal, ao apoiar o Alegre (com ou sem vontade), está a dizer aos seus eleitores que deviam votar neste. Ora, é manifesto que uma grande parte dos eleitores do Sócrates votou no Cavaco, os quais conviveram e convivem como adversários políticos. Por isso, não se pode considerar triunfador quem vê os seus eleitores votar no adversário, tendo dado sinal expresso no sentido de votarem no seu apoiado.

    Um abraço!

    2011-01-24 às 21:19

  3. Alberto

    Só para acrescentar o seguinte:
    A tua análise é omissa quanto às características de que esta campanha eleitoral se revestiu: os ataques pessoais ao Cavaco e a reacção (ou ausência dela) por parte deste. Bem como o teor do discurso de vencedor do Cavaco a esse propósito (esta faceta do Cavaco deixou tranquila a minha consciência por não ter votado nele).
    Em correspondência, o teor do discurso de derrota do Defensor Moura (que tu acabaste por referir, ao mencionar a sua deselegância).
    Por fim, o discurso de derrota do Alegre. Se tivesse sido assim humilde – e distanciado dos partidos que lhe deram apoio – durante a campanha, teria certamente obtido um resultado muito melhor. Seria até interessante comparar a postura que o Alegre teve nesta campanha e na das presidenciais anteriores, pois me pareceu ver dois Alegres bastante – para não dizer completamente – diferentes. Acho que esta sensação não será só minha, tendo em conta a comparação dos resultados eleitorais do Alegre em ambas as eleições, conjugados com os apoios (ou falta de apoios) que teve em cada uma delas.

    Outro abraço!

    2011-01-24 às 21:32

    • VFS

      Caro Alberto.

      não me quis pronunciar sobre os discursos dos candidatos, do vencedor e demais, porque os mesmos são por si reveladores.

      Contudo, não tenho qualquer tipo de problema em afirmar que o discurso do Cavaco foi lastimável.

      A minha referência ao Defensor de Moura deve-se ao facto de não ter felicitado o Cavaco.

      P.S. – já leste o Economist (online de 24 de janeiro)?

      2011-01-25 às 10:58

  4. Vasco Portugal

    Não posso deixar de concordar com alguns dos comentários já aqui feitos.

    Votei nele. Mas Fernando Nobre ficou aquém do esperado e defraudou expectativas, quanto mais não seja, as minhas!

    2011-01-24 às 21:41

  5. Jorge Antunes

    Cavaco ganhou à primeira!
    Qual foi a reacção dos mercados?

    Desculpe lá, mas Cavaco Silva não é benéfico para Portugal.

    2011-01-24 às 21:48

  6. Boa análise, Vicente!

    2011-01-24 às 22:00

  7. monica silva

    Querido Vicente,
    eu votei com o meu lindo cartão de cidadão e não tive problemas…….mas também sabia bem em quem votar, não precisei de desculpas nem alaridos, como muitos que ouvi por causa de um cartão. A verdade é que quando a maioria dos nossos eleitores se alheia da responsabilidade de se informar e votar em consciência, tudo é desculpa para não votar e ficar bem na foto da freguesia. É o País que temos.
    Há outro grupo vencedor: os dos lobbies, tudo fica igual e o teatro de marionetas continua!!!

    2011-01-24 às 23:13

  8. Filipe Prata

    Caro Vicente, permite-me fazer o seguinte exercício teórico relativamente aos números e aos votos. Segundo os resultados, entraram nas urnas 4.489.904 votos, tendo sido excluídos para efeitos de cálculo final 277.702, pois eram brancos ou nulos. Admitamos ainda que a vontade de quem se “deu ao trabalho” de ir votar era respeitada, nisso mesmo, na sua vontade expressa. Os 2.230.104 votos em Cavaco Silva representariam 49,67%… em boa verdade representam-no no universo da vontade expressa.
    O aumento dos votos em branco, mais que os nulos, é, talvez, um bom indicador do aumento das pessoas que querem dizer alguma coisa, mas que não encontram receptor válido. Imagine-se uma assembleia da república com os lugares vazios representativos de quem escolheu aparte dos que foram a escrutínio. Mas quis estar lá a escolher… esses lugares vazios.
    A verdade é que, segundo as regras do jogo, Cavaco Silva teve 52,94% dos votos. O que sobra de extraordinário, no meu ponto de vista, é a enorme capacidade dos portugueses para não ousar, para fugir à incerteza do futuro, mesmo que o presente seja lamentável, mesmo que o presente tenha que ser resultado de alguma coisa feita no passado, mesmo que premeiem alguns dos autores desse passado… e nem notam, pois essa estabilidade é meio sustento.

    2011-01-24 às 23:27

  9. José A. Bastos

    Caro Vicente,

    Parabéns, pela excelente análise dos resultados eleitorais.
    No entanto, acrescentaria o seguinte:

    1 – Continuamos a falar sobre o crescente e contínuo alheamento dos portugueses sobre a actual política. Sem valores.

    2 – O perigo do aparecimento de populismos, que nunca sabemos quais serão os seus verdadeiros designios.

    3 – A análise correcta das eleições presidenciais sem descurar as consequências políticas de quem apoia quem.

    Perante o exposto, parece-me que temos (portugueses) que encontrar uma solução de sistema político que altere este estado de coisas, com proximidades da população e sobretudo do POVO. Em momentos de crise, ao longo da nossa história, foi sempre o POVO que escolheu e bem.

    Não podemos esquecer que existe uma velha máxima, na nossa história: “…a voz do POVO, é a voz de DEUS…”

    Um abraço,

    José A. Bastos

    2011-01-25 às 10:09

  10. Carlos Lacerda

    Parabéns pela tua análise, Vicente!

    Continuo a dizer que o Regime está a caminho do seu estretor, está podre e esburacado depois de 37 anos de “ditadura bipartida” e de regras viciadas (como o Filipe Prata nota, e muito bem!)
    Se alguém tivesse dúvidas as votações de ontem desfizeram-nas … Já não conseguem arrastar nem metade das pessoas a alinhar com o Regime.
    Infelizmente, ao contrário de 1974, o entorno internacional está tão podre como nós.

    Estou à espera de ver surgir algo de Novo, naqueles países que normalmente inventam o Novo.

    Vamos esperar

    2011-01-25 às 10:46

    • VFS

      Caros Carlos, Filipe e José Bastos,

      em 2000, foi publicado, no jornal Público, um artigo meu que já abordava a questão da abstenção e a inequação do sistema político português à realidade social.

      Depois disso, já vários artigos foram publicados, em diversos órgãos de comunicação social, uma vez que a temática é objecto de estudo no meu doutoramento em ciência política.

      Há muito que afirmo que existem normas ordínárias a condicionar normas constitucionais. O único objectivo para tal, é a manutenção do status entre quem divide e detém o poder.

      Não me parece que a mudança vá ocorrer por vontade de quem ocupa os órgãos de soberania portugueses.

      Resta esperar que a mesma não surja através de uma onda violenta.

      2011-01-25 às 11:16

  11. José A. Bastos

    Caro Vicente,

    No rescaldo das eleições presidenciais:

    A COMUNICAÇÃO SOCIAL…O OUTRO PODER.

    Quando hoje de manhã, observei as principais páginas dos nossos jornais diários do País, como é meu hábito diário, fiquei surpreendido, senão atónito, ora vejamos:

    1 – No Diário de Notícias, como seria de esperar, faz honras de primazia ao referir: “O dia seguinte de Coelho, a surpresa das eleições”.
    Qual o propósito desta notícia?
    Não tenho outra explicação senão esta: apareceu um fenómeno, qual artista da bola, capaz de fazer frente a Alberto João Jardim, nem que seja um extraterrestre que não dizer uma para a caixa, é tudo preferível ao líder da Região Autonoma da Madeira.
    Ao ponto onde chega este jornalismo! Dá honras de cobertura jornalística ao resultado de um anti sistema anacrónico, surreal e anedótico, comparável a fenómenos que recentemente criticavam nas eleições presidenciais do Brasil e que faziam igualmente honras de aberturas das nossas estações televisivas, quer estatais, quer privadas.
    A respeitabilidade do cidadão que vota em consciência e com responsabilidade civíca, quaisquer que seja a sua tendência política, merece algo muito superior. Afinal em que País vivemos?

    2 – No Jornal I, aparece bem sublinhado o seguinte: “Vitória de Cavaco. Barões do PSD prontos para eleições antecipadas”.
    O que se pretende com esta notícia?
    Parece-me aqui, que após um discurso bastante responsável e pleno de maturidade de Pedro Pessos Coelho, na noite do dia 23.01.2011, algo que possivelmente não estarial à espera, fomentam, de imediato, aquilo que gostariam de ouvir do actual líder do PSD, um cenário de crise política.

    Concluindo, a comunicação social tel poder e é esse gande poder, que sabe que o tem, que é também grande responsável pela catual crise política e económica que temos em Portugal. No futuro, teremos (portugueses) igualmente que lhes imputar as responsabilidades devidas assumindo em definitivo as suas verdadeiras tendências políticas, com acontece em Espanha.

    Um abraço,

    José A. Bastos

    2011-01-25 às 11:50

  12. Contra a partidocracia, assinar:
    http://www.gopetition.com/petition/26885.html

    2011-01-25 às 11:51

  13. Vicente!

    Embora distante, tenho acompanhado as eleições para Portugal.

    Sua análise é excelente em todos os sentidos inclusive a elegância.

    Impressionou-me o número de abstenção e os votos brancos e nulos. Com mais de 50% de abstenção, deve o Poder Público, fazer uma análise do confronte entre candidatos e eleitores. Há algo de perigoso nisso.

    Forte abraço, amigo!

    Mirze Souza

    2011-01-25 às 12:56

  14. AMFCandeias

    Viva Vicente,
    Não concordo que nestas eleições existam 3 vencedores e 3 derrotados. Ao contrário de eleições parlamentares, em que cada um pode manobrar os números da maneira que melhor lhe der jeito, nas presidenciais só há um que ganha, os outros regressam à sua vida quotidiana. Tenho pena que o vencedor tenha sido alguém que não reconheço como um político, alguém sem ideias, alguém que não emite opiniões, promulga leis com que não concorda e não responde às questões que lhe são colocadas.
    Sendo certo que os eleitores naturais do PSD e CDS não seriam suficientes para eleger um presidente e tendo os votantes tradicionais do PS desta vez 3 opções à escolha tive sempre esperança na segunda volta, por isso não votei naquele que seria o meu candidato preferencial, Fernando Nobre, mas sim naquele que achava eu teria mais hipóteses de ir à segunda volta e aí derrotar Cavaco Silva, Manuel Alegre. Enganei-me! Tenho pena, mas mais pena do povo português e de termos pela frente mais tempo deste marasmo e desta apatia em que se transformou a vida dos portugueses…
    Espero com alguma ansiedade o que fará o Dr Fernando Nobre com a dinâmica da gente que conseguiu reunir à sua volta. Se a minha admiração por ele já era grande, cresceu ainda mais nestas últimas semanas.
    Bem hajas
    Um abraço
    AMFCandeias

    2011-01-26 às 0:55

  15. Manuel Ferreira da Silva

    Caro Vicente,

    Até há uns anos atrás concordaria com a tua afirmação que diz que é “inacreditável a quantidade de pessoas que não quer decidir sobre o seu futuro e que, consequentemente, permite que sejam os outros a fazê-lo.”..

    Hoje sou dos que “não quer decidir sobre o seu futuro”. Recuso tal como penso grande parte dos 52,47% dos eleitores dar o meu aval em eleições em que não há realmente escolha.

    Nenhuma candidatura apresentou um projecto minimamente realista de alteração do rumo à decadência do nosso pais. Muito sumariamente temos:

    Cavaco = Manutenção da situação com aval a um governo PSD…
    Alegre = Manutenção da situação temperada com mais hipocrisia e demagogia…
    Nobre = Candidatura da vaidade pessoal sem conteúdo real…
    Francisco Lopes = “Same old story”
    Coelho = Voto da revolta inconsequente tipo “isto é tudo uma cambada”, etc.

    Em minha opinião o nosso regime político regrediu para uma espécie de república romana do século II A.C., onde uma aristocracia discute a partilha do poder e a generalidade da população tem pouca ou nenhuma influência sobre as decisões do “senado”. A grande diferença é que existe liberdade de expressão.

    Algo tem de mudar radicalmente se quisermos inverter a nossa condição de país “imergente” e esse algo é a criação de um novo partido ou movimento que combata a cleptocracia reinante.

    Para mim votar nestas eleições seria como pedir a um vegetariano que escolha o prato de carne que mais lhe agrada num rodízio.

    Resta-me dar-te os parabéns pelo teu espaço de opinião que acho interessante e útil.

    Um abraço
    Manuel

    2011-01-26 às 14:14

    • FGomes

      «Nobre = Candidatura da vaidade pessoal sem conteúdo real…»? Vaidade pessoal? O senhor, por acaso, conhece a obra do dr. Fernando Nobre? Acha que um humanista deste calibre, com um nome internacionalmente respeitado e reconhecido, tem “vaidade pessoal” ao candidatar-se a PR? Valha-me Santa Engrácia!!! E quanto aos que não votaram por motivo do Cartão de Cidadão, não é bem como alguns aqui explicaram, ou tentaram-no fazer! A muitos milhares de Portugueses mudaram o nº. de eleitor e nem disso deram conhecimento aos interessados! Mas mesmo que existisse laxismo por parte desses eleitores “que não se preocupam com estas coisas, ou que deixam tudo para a última da hora”, pergunto a quem quiser responder: se enviar cartas para os eleitores que sofreram alteração do nº. de eleitor era uma fortuna, porque razão não colocaram em cada mesa de voto um simples leitor de cartões (eu tenho um, adquirido na Loja do Cidadão quando levantei o meu CC) e estaria tudo resolvido? Bom… resolvido até nem estaria pois eu tive o cuidado de “ler” o chip do meu CC e não se encontra mencionado, em nenhum registo, o meu nº. de eleitor! Afinal para que serve a porcaria do CC? Para propagandear que somos um povo evoluído tecnologicamente? É como ter em casa um computador e não ter instalada a rede eléctrica…

      2011-01-31 às 1:52

  16. Cátia

    Os gajos do Governo, o presidente da República, o José Socrates (o mais mentiroso de todos) e mais gajos querem é receber milhares de euros , não se importam com o país , são uns tontos, imbecis, burros, chatos, alguns gordos, mentirosos e só se importam com eles. Quem se importa e deve ser o presidente da república é o José Emanuel Coelho! Não deixem que Portugal seja um país só com crise, problemas e pobreza, votem ni José Emanuel

    2011-01-28 às 18:14

  17. Artur

    Caro Vicente,

    Desculpe só agora estar a dizer algo sobre este assunto. Só o faço depois de ter lido a sua “Estética”, que comentei.

    Foi na campanha do Dr. Fernando Nobre que o conheci. Não percebi porque é que se afastou da campanha.

    Achei duma educação extrema o email que enviou aos voluntários do Porto, mas não me parece que tenham sido apenas razões de falta de tempo a motivar o seu afastamento.
    Após ter tido a infeliz ocasião de ter visto a actuação do Dr. Artur Pereira, em Guimarães e no Porto, imagino o que possa ter acontecido.

    Tiro-lhe o chapéu. Porque você realmente não fala para agradar a ninguém. Nem aos seus! Diz o que pensa e não compromete os seus princípios.

    Se ainda não sabe, o Dr. Fernando Nobre, parece querer estabelecer uma rede de movimentos civicos a nível nacional. Infelizmente, tudo leva a crer que o Dr. Artur Pereira fará parte da direcção nacional. Não entendo como é que o Dr. Fernando Nobre não percebe o tipo de homem que tem ao seu lado.

    Caro FGomes,

    desculpe, mas o Dr. Fernando Nobre é um homem vaidoso. E até tem motivos para isso.
    Um humanista é um homem e não um poço de virtudes. Mau de nós se o Dr. Fernando Nobre não tivesse defeitos.

    Mais grave do que a vaidade, é apenas gostar de ouvir o que se quer ouvir. Tenho algum receio que o Dr. Fernando Nobre esteja a ficar assim.

    2011-03-09 às 16:49

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