Na base do conhecimento está o erro

Cavaco, o adivinho

O actual Presidente da República e candidato presidencial, Cavaco Silva, afirmou ter previsto (e avisado para) as circunstâncias do Portugal contemporâneo há sete anos atrás através de diversos artigos que publicou (aqui).

Então, será que também pode referir o que fez para evitar que as mesmas se concretizassem? Ou apenas chega avisar para ficar com a consciência tranquila?

Este homem não tem vergonha!

Aparentemente, Cavaco Silva é um novo Pilatos. Só não sei se lavou as mãos?

12 responses

  1. Miguel Magalhães Ferreira

    Efectivamente se o Presidente Cavaco Silva sabia de tudo com 7 anos de antecedência responsabiliza-o ainda mais pelo que está a acontecer. Como Presidente podia ter sido muito mais interventivo e deveria ter demitido o Governo por este estar a seguir os maus caminhos que já sabia no que iriam provocar. Lembro que o Presidente Jorge Sampaio na minha opinião por muito menos demitiu o P.M. Santana Lopes.
    Onde está pois a coragem do actual Presidente da República para defender os interesses de todos nós e para evitar a calamidade que agora nos atinge?
    Gostaria no entanto de realçar algo que penso que é positivo na entrevista: “Neste tempo de crise, que de alguma forma atinge todos, Portugal e Espanha também beneficiarão desta comunidade ibero-americana” Isto para mim é que é importante: Portugal e Espanha devem valorizar cada vez mais a sua grandiosa história e os inúmeros Países amigos que temos que falam cada uma das nossas importantíssimas línguas que devemos defender a todo o custo. Devemos cada vez mais nos virar para esses países amigos e cada vez menos para a Europa. Se somarmos todos esses países Ibero-Americanos a área, o nº de habitantes e o potencial mercado económico é muito superior ao da Europa!!! Então porque continuamos a insistir com a Europa? É necessário urgentemente alterar o rumo! Pode ser que esta crise que atinge Portugal e Espanha seja um mal que venha por bem e que sirva para fechar um ciclo e abrir outro. Assim espero…

    2010-12-04 às 14:29

    • Alberto

      O povo votou maioritariamente, por duas vezes consecutivas, no mesmo partido, no mesmo governo e na mesma pessoa.
      Para muitos, nos quais me incluo, esses governos, esse partido e essa pessoa foram a pior coisa que aconteceu a Portugal desde o 25 de Abril.
      Ainda que o Cavaco pense o mesmo (e não sei se pensa!), não tinha legitimidade para demitir o governo. Não, depois de se tratar de uma reedição do governo anterior, legitimado pelo voto popular.
      A democracia é isto mesmo: prevalecer a vontade da maioria, ainda que esteja (e neste caso é agora mais que evidente que está) profundamente errada.
      Por isso, se o Cavaco tivesse tomado alguma atitude contra o governo por causa do rumo das coisas, estaria a violar a vontade manifestada pelo povo. Estaria, em suma, a ser anti-democrático.
      Para além de que o Presidente não é eleito para ser o “iluminado” mor, que tudo vê e tudo sabe, de forma a ficar legitimado para contrariar a vontade popular. Só assim seria num sistema presidencialista, que não é o nosso!

      Por isso, se querem imputar a culpa a alguém, imputem-na a quem efectivamente a tem e não se culpe quem, de acordo com o nosso sistema político, não tinha outra alternativa que não a de exercer a chamada “magistratura de influência”. Mais que isso e violaria o sentido das competências que tem e agiria de forma anti-democrática, desfazendo por acto seu o resultado da vontade popular.

      E não pense o intérprete que o que disse acima foi dominado por alguma emoção ou tendência, pois nem votei no Cavaco nem gosto dele. Por isso me sinto particularmente à vontade para dizer o que disse, ciente que o faria se se tratasse de outro presidente qualquer.

      O resultado do que afirmei pode parecer estranho, por conduzir a uma situação insolúvel (no âmbito do nosso actual sistema político). No entanto, estou certo que não se deve a erro de raciocínio ou de análise, mas sim às deficiências do nosso sistema político.
      Só espero que, se daqui a uns anos se vier a pensar que tenho razão, não me chamem adivinho nem me imputem a responsabilidade por não ter feito mais para resolver o problema que acabei de antever (ao menos eu não tenho a desvantagem de ser presidente, o que sempre atenuaria a minha culpa…).

      —————-

      Quanto à questão dos países ibero-americanos, é uma observação interessante, à qual devia ser também acrescentada a importância das relações com os países africanos de língua portuguesa. É o que usa chamar-se a nossa vocação atlântica.
      No entanto, discordo da forma como a questão foi colocada, numa perspectiva de exclusão: ou A ou B, como se alguma das opções invalidasse a outra.
      Assim, aproveitando também para responder ao comentário seguinte, lembro que se a entrada de Portugal na CEE foi o início da nossa morte, pergunto se não teríamos já morrido há muito tempo se tal não tivesse acontecido, designadamente porque não poderíamos ter aderido ao Euro. O Escudo, agora, valeria praticamente zero e, com o desequilíbrio gritante da nossa balança de pagamentos, já há muito estaríamos falidos e (ainda mais) sem emprego (a única vantagem seria a da substituição do Sócrates pelo FMI… ao menos isso!).

      2010-12-04 às 22:08

      • VFS

        Caro Alberto,

        sabes muito bem há quanto tempo escrevo sobre a aberração do nosso sistema eleitoral (que condiciona o nosso sistema político), quem considero que é o responsável pelo mesmo e quem é que o quer manter assim.

        Presumo que também tenhas lido os artigos a que o Cavaco Silva faz referência na altura em que foram publicados.

        Desculpa, mas é preciso muita lata, vir agora relembrá-los sem dizer o que fez para impedir que o país chegasse a este ponto!

        Não me digas que a acção do Cavaco só se resume à dissolução do Parlamento? O problema do Cavaco Silva é fazer uma interpretação redutora dos poderes presidenciais.
        Porque é que ele tem esta postura? Embora inteiramente perceptíveis, isso são contas para outro rosário.

        Para além do mais, ele não é Presidente da República há sete anos. Que fez ele?

        Santa Paciência. Cavaco Silva não é diferente de nenhum dos políticos portugueses. É tão responsável como os outros, sendo que, em relação a estes, tem uma melhor gestão do silêncio.

        2010-12-04 às 22:53

  2. joão Guilherme Barbedo Marques

    Cavaco Silva é uma pessoa difícil de analisar. Melhor, numa terra onde todos são cegos, quem meio olho é rei, mas… só tem meio olho.
    Gostei imenso que ele tivesse ganho as eleições. Estou muito arrependido desse entusiasmo.
    Ele é professor de Economia, mas não sabe po-la em prática. No dia em que ele o Mario Soares assinaram a nossa entrada na CEE, na forma como ele foi concedida, nesse dia assinamos, ou melhor, eles assinaram a “morte” de Portugal e como sempre acontece, a “morte” foi precedida por uma espécie de “saúde aos borbotões” que nos levou o resto de saúde, da pouca que tínhamos.
    Cavaco Silva ama o poder e tudo faz para ser poder (até pode ser um simulacro de poder, um poder esvaziado, mas mesmo assim lhe interessa), e Cavaco Silva é uma pessoa em que o interesse pessoal sobrepõe-se a todos os outros interesses. para Cavaco Silva, a primeira, segunda e terceira pessoa do singular: eu. Primeira e segunda do plural: nós. Terceira pessoas do plural: os outros.

    2010-12-04 às 19:40

    • Alberto

      Essa analogia entre a gramática e o Cavaco é interessante e muito imaginativa.
      Nessa ordem de ideias, fiquei curioso em saber qual seria a relação entre a gramática e o Sócrates. Suponho que não bastariam os tempos verbais e teríamos de passar para o campo dos adjectivos… no superlativo!

      2010-12-04 às 22:16

      • VFS

        Alberto,

        só tens que reler os meus post sobre o Sócrates.

        Mas posso dizê-lo aqui. É, de longe, o pior Primeiro-Ministro que Portugal já teve.

        2010-12-04 às 22:55

  3. Miguel Magalhães Ferreira

    Ainda sobre o que referi gostaria de reafirmar que para mim um Presidente deveria actuar demitindo o governo mesmo na situação que foi apontada pelo Alberto do povo ter votado por duas vezes num Governo. A questão é que o povo votou tendo em conta determinadas promessas de Sócrates. Como Sócrates faltou às promessas que realizou, num sistema democrático saudável e sério deveria de imediato ser demitido pois as premissas com que foi eleito desapareceram. Neste momento como os Portugueses foram enganados seria necessário urgentemente que o Presidente da República como garante do Estado que acima de tudo deve ser uma entidade moral deve outra vez dar palavra ao povo. Em resumo: Caso um governo não falte com as promessas com que foi eleito o Presidente não tem legitimidade para demitir um P.M. Caso o Governo falta com as promessas que realizou (e que adicionalmente é mau gestor da coisa pública) de imediato deve repor a moral e a dignidade ao Estado e com urgência dar o lugar a quem é sério e cumpre com as suas promessas. O exemplo deve vir de cima!

    Quanto ao Euro eu não concordo que este foi a nossa salvação! Vejam que vários Países da Europa não adeririam e se calhar nunca irão aderir ao Euro e estão bem melhor do que nós! Em vez do Euro gostaria era de ver um moeda única dos Países da CPLP. Já agora lembro que o Brasil é a 8ª potência mundial e a previsão é que não fique por aí…

    2010-12-04 às 23:17

  4. Miguel Magalhães Ferreira

    Um Presidente deveria actuar demitindo o governo mesmo na situação que foi apontada pelo Alberto do povo ter votado por duas vezes num Governo. A questão é que o povo votou tendo em conta determinadas promessas de Sócrates. Como Sócrates faltou às promessas que realizou, num sistema democrático saudável e sério deveria de imediato ser demitido pois as premissas com que foi eleito desapareceram. Neste momento como os Portugueses foram enganados seria necessário urgentemente que o Presidente da República como garante do Estado que acima de tudo deve ser uma entidade moral deve outra vez dar palavra ao povo. Em resumo: Caso um governo não falte com as promessas com que foi eleito o Presidente não tem legitimidade para demitir um P.M. Caso o Governo falta com as promessas que realizou (e que adicionalmente é mau gestor da coisa pública) de imediato deve repor a moral e a dignidade ao Estado e com urgência dar o lugar a quem é sério e cumpre com as suas promessas. O exemplo deve vir de cima!

    Quanto ao Euro eu não concordo que este foi a nossa salvação! Vejam que vários Países da Europa não adeririam e se calhar nunca irão aderir ao Euro e estão bem melhor do que nós! Em vez do Euro gostaria era de ver um moeda única dos Países da CPLP. Já agora lembro que o Brasil é a 8ª potência mundial e a previsão é que não fique por aí…

    2010-12-04 às 23:18

  5. joão gabriel marques

    Prezado Vicente,

    O Cavaco Silva desiludiu-me muito em duas ocasiões em que poderia ter feito a diferença: Aborto e “casamento” gay. Estas duas leis são piores para Portugal do que a atual crise econômica.

    Julgo também que a entrada para a UE foi-nos prejudicial, ou não tivesse sido feita por aquela raposa velha chamada Mário Soares. O que este senhor fez de bom para Portugal? A descolonização “exemplar”? É evidente que um país de 10 milhões de habitantes não poderia singrar numa associação com países muito maiores. Depois da fase inicial de empréstimos faceis a realidade teria que vir à tona. Não foram as nossas empresas que ganharam um mercado de 300 milhões de habitantes, como nos disseram, foram os 300 milhões que que encontraram mais 10 milhões de compradores cativos.

    João Gabriel Marques

    2010-12-06 às 12:57

  6. Miguel Magalhães Ferreira

    Concordo em absoluto com o referido pelo João Marque pois sinto exactamente o mesmo: Uma desilusão total com as opções de Cavaco Silva e de Mário Soares!

    2010-12-06 às 23:27

  7. Felicio

    Caro Vicente
    O Professor Cavaco Silva só se esqueceu de referir nesse seu acesso de adivinho que também tem a sua quota parte de culpa na situação actual por que passamos.
    A posição actual desse Sr é muito conveniente, atirou a pedra e agora esconde a mão e pior ainda, culpa os outros.
    FB

    2010-12-08 às 18:42

    • VFS

      Caro Felicio,

      100% de acordo.

      VFS

      2010-12-08 às 21:44

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