Na base do conhecimento está o erro

Será possível globalização sem mobilidade?

É comummente aceite que o mundo mudou com o derrube do Muro de Berlim. A todos os níveis.

No entanto, é no termo globalização que a maior parte da atenção está concentrada. Qualquer vocábulo a ele associado, ainda que remotamente, parece ter adquirido outra dimensão. E, seja a que grau for, é inegável que anda nas bocas do mundo.

Ora, no que respeita ao seu sentido mais usual – o económico – com o desaparecimento do bloco socialista soviético, e a gradual adaptação do regime comunista chinês ao sistema capitalista de mercado, nenhum entrave restava capaz de impedir o aparecimento do comércio global e à interligação mundial.

Desde 1995, foram estabelecidos, segundo a Organização Mundial do Comércio, cerca de 110 acordos regionais de comércio. Considerando os países que coexistem no planeta, o número não parece ser significativo. Mas, se indicarmos que, segundo a mesma fonte, nos 40 anos precedentes, “apenas” 124 acordos similares foram celebrados, então o panorama passa a ser perspectivado de outra maneira.

Esta dinâmica de colaboração regional é indicativa do processo de globalização. Ao serem constituídos mercados regionais de comércio, estão-se a dar passos para o concretizar do mercado global, pois de nacionais – muitos – passamos a regionais – alguns – para atingirmos o global – um.

Acontece que para se atingir o actual grau de conexão global, foram necessárias fontes energéticas abundantes e baratas. Não apenas para as indústrias de produção, mas também para todas aquelas que lhe estão adjacentes e permitem a não menos importante mobilidade de pessoas e bens.

Se a energia foi imprescindível para o desenvolvimento económico do Ocidente, igualmente o é para os países que actualmente se afirmam no palco mundial. Uma vez que os recursos energéticos normalmente utilizados são finitos e que a sua procura aumentou, não devia ser difícil perceber que o custo também aumentaria.

Alias, foi precisamente a constatação que os combustíveis fósseis não eram eternos, por parte dos países árabes, que originou, em 1973, o primeiro choque petrolífero. O segundo ocorreu em 1979, devido à revolução iraniana que instaurou o actual regime teocrático. Em ambos os casos, o aumento do preço do barril de petróleo foi superior a 200%.

Por sua vez, os governos ocidentais, ao verificarem a sua dependência energética, no seguimento dos choques petrolíferos dos anos setenta do século passado, decidiram taxar a venda de combustíveis com impostos que seriam utilizados no desenvolvimento de formas de energia alternativas. Este é um dos principais argumentos utilizados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo, que afirma que o preço do crude é barato. São os impostos acrescidos que o fazem demasiado caro. Note-se que na União Europeia, estes tributos rondam os 50% do valor de venda. Em Portugal, as taxas rondam os 61% e os 51%, respectivamente, para a gasolina e gasóleo.

Sabemos que o aperfeiçoamento de novas formas energéticas não se verificou ao ritmo desejado. Pelo menos, de acordo com os pressupostos que ocasionaram os impostos sobre os combustíveis.

Segundo o anuário de estatística sobre da energia global da British Petroleum (BP), o preço do barril de crude aumentou, no período de 1965 a 2006, com altos e baixos pelo meio, de 11,56 para 65,14 dólares. Desde então, escalou até aos 120 dólares e já há quem afirme que o barril de petróleo poderá atingir os 200 dólares. E a estes valores devem-se acrescentar as ditas taxas.

Se esta tendência se mantiver, quantos sectores de actividade económica, cultural e social serão afectados? Será possível globalização sem mobilidade?

Estaremos preparados para tal?

1 de Maio de 2008 – O Primeiro de Janeiro

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