Na base do conhecimento está o erro

Evoluções?

Que lugar está reservado ao homem numa sociedade em convulsão, onde os valores tradicionais se dissipam à velocidade da luz não sendo substituídos excepto por uma intangibilidade crescente?

Representará progresso social a aplicação de novos instrumentos sem limites morais?

Os avanços científicos alcançados nas biociências e biotecnologias potenciam a oportunidade para o “fabricar” de um homo perfectus, ou seja, uma aparente evolução da raça humana. Dizemos aparente porque ela não ocorrerá naturalmente, i.e., de acordo com o tempo de desenvolvimento do corpo humano, tendo em vista o caminho percorrido desde os antepassados dos nossos antepassados Neandertais, mas devido à contribuição do nosso progresso intelectual. No entanto, esta consideração não deixa de ser uma contradição. Afinal, actualmente, até o próprio cosmos se está a expandir mais depressa.

Um dos principais impulsos, se não o essencial, de inspiração para os investigadores é a possibilidade de auxiliar doentes, quer através do aperfeiçoamento de novas terapias, quer pela descoberta de curas que permitam ajudar a humanidade. Até aqui não há nada a dizer, mas acontece que pouco tempo decorre até que essas novas técnicas sejam também utilizadas por pessoas saudáveis, não sendo, por isso, de estranhar que um pouco por todo o mundo se assista a uma massificação ao recurso a cirurgias plásticas, à utilização aprazível de medicamentos como o viagra – por outros para além daqueles a quem inicialmente estava destinado – ao incremento na utilização de dopping pelos atletas profissionais, etc.

Como tal, os avanços na medicina e na engenharia genética permitem antever uma generalização de técnicas de clonagem humana, de escrita e reescrita dos códigos genéticos e de mecanismos biónicos e cibernéticos, ao ponto de, por exemplo, a capacidade da nossa memória ser extensível através de chips em nós implantados.

Estas possibilidades levantam algumas questões: Será que um clone meu também tem capacidade e personalidade jurídica? Que valor darei ao conhecimento artificialmente implantando no meu cérebro? Com diversos “componentes” mecânicos no meu corpo, até que ponto continuarei a ser humano?

Não há dúvidas que à medida que a sociedade humana evoluiu, também as condicionantes morais foram ajustadas ao correr dos tempos. A escritora austríaca MARIE VOM EBNER-ESCHENBACH definiu muito bem essa circunstância: “A moral que serviu para os nossos pais não serve para os nossos filhos”.

O poeta latino VIRGÍLIO disse: “raramente sabemos do que somos capazes, até nos depararmos com as situações”. Amanhã, não serão apenas os especialistas jurídicos e religiosos que terão que delimitar os contornos morais. Também nós, no dia-a-dia da convivência familiar, seremos confrontados com essa necessidade.

Sabemos que, quando apanhados pelos controlos antidopping, a maioria dos atletas argumenta o uso pela parte dos seus competidores como a razão para o consumo. Se, num futuro próximo, um filho nosso nos pedir para consumir um produto sintético pois só através do mesmo conseguirá os mínimos para entrar numa universidade de prestígio ou afim, que atitude tomaremos?

“Onde me devo abster da moral, deixo de ter poder”. Dará o tempo razão a GOTHE?

17 de Abril de 2008 – O Primeiro de Janeiro

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One response

  1. Queirós Ferreira

    Amigo, Parabéns.
    Excelente artigo!
    Voto em ti nas eleições em que possas concorrer.
    Um grande Abraço,
    Queirós Ferreira

    2010-03-01 at 15:05

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