Na base do conhecimento está o erro

Destino: globalização?

Mais uma vez agradeço as reacções dos leitores e as suas opiniões. Tentarei responder às questões que me foram levantadas, interligando-as sempre que possível.

Começo esta reflexão pela seguinte pergunta: Porque é que se fala em globalização e não em mundialização? A resposta, na minha opinião, é muito simples. Associamos o conceito de mundialização aos descobrimentos e à revolução industrial. Por sua vez, a globalização está associada à revolução electrónica, à efectiva redução das distâncias, à comunicação instantânea e à conectividade que caracteriza a sociedade actual, em que um acontecimento numa parte do globo terá repercussões nos seus antípodas, para além de ser televisionado imediatamente. Assim, a globalização, que como muito bem nota, Anthony Giddens “é política, tecnológica e cultural, além de económica”, atinge a sociedade e não apenas uma parte dela. Por isso é que vivemos uma fase de transição na qual emerge uma nova civilização.

Como é evidente, nem todas as civilizações possuem o mesmo grau de desenvolvimento. Portanto, é preciso notar que, em primeiro plano, esta transição civilizacional não é inter-civilizações mas sim intra-civilização, i.e., está, essencialmente, a ocorrer no seio da civilização ocidental. Naturalmente que a nossa civilização não é única no globo, pelo que a segunda percepção a ter é que a mudança civilizacional que experimentamos, a qual nem todos aceitamos ou compreendemos, implica novos comportamentos nas relações com as outras culturas. Consequentemente, se a diferença de progresso já se traduzia na dificuldade de diálogo entre povos, a passagem para um estádio superior de desenvolvimento prejudicará os «compromissos» conseguidos. O mesmo é verificável no comportamento da outra, ou outras, civilização relativamente a nós com a agravante de, em virtude do índice de intelectualidade, as suas reacções serem ainda mais extremas.

Quanto ao Estado-Nação e ao seu papel de primazia no sistema internacional, é preciso reparar que há uma dualidade de preeminência entre o Estado e as Multinacionais ou, se preferirem, entre a política e a economia. Neste sentido, Nicola Yeates refere que enquanto os Estados estão estruturalmente dependentes do capital global o mesmo não se aplica às Multinacionais cuja liberdade é ilimitada. Logicamente, as formas de organização que forem contrárias aos fluxos globalizantes não subsistirão e nem o Estado, em cuja génese está a soberania nacional e o território circunscrito por fronteiras que limitam a eficiência da integração global, escapará a esta determinante. Aliás, sintomático desta observação é a tentativa de promoção da imagem do Estado pelo marketing. Depois do Estado-comercial apareceu o Estado-Marca (The Rise of the Brand State – Peter van Ham). Mas será tal suficiente?

Por fim, convém ter em mente que o Estado resulta de um processo de agregação e que, tal como apareceu, pode esvanecer. Pessoalmente, acho que os parâmetros do desenvolvimento actual estão a levar-nos para o reaparecimento das Cidades-Estado. Mas, isso são contas de outro rosário.

Alvim Toffler mostrou-nos que a resistência à mudança é um instinto humano. Neste pressuposto, é compreensível que, tal como os contemporâneos do Renascimento não se aperceberam dos seus feitos e deles tiveram medo, alguns dos nossos coetâneos manifestem receios afins. Luís de Camões diria que tais clamores são as vozes dos velhos do Restelo, aqueles para quem o progresso e a mudança representam a incerteza e o caos. Já Heraclito lembraria que “nada é permanente, salvo a mudança”. Por isso, pior do que não aceitar a mudança é não se preparar para ela porque ela acontecerá de qualquer maneira. Ou não é a evolução uma das constantes universais?

Num prisma diferente, é indesmentível que progressos científicos como as descobertas marítimas, a dinamite, a máquina a vapor, a luz eléctrica e a bomba nuclear mudaram o planeta tornando-o imperceptível. Nos últimos dois anos, o homem produziu mais saber do que em toda a história da humanidade. Que mundo advirá daqui?

Talvez William Jennings Bryan tivesse razão quando disse: “O destino não é uma questão de sorte – é uma questão de escolha. Não é uma coisa por que se espere – é uma coisa a alcançar”.

5 de Julho de 2007 – O Primeiro de Janeiro

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